De ano para ano há formas de eu perceber que Setembro já chegou. Por um lado olhar para trás e ver que as férias de Verão já ficaram pelo caminho. Por outro a azáfama de início de ano lectivo, acompanhado pelo regresso das alergias sazonais a todos lá em casa. E por último porque nos chega às mãos mais um FIFA.

É claro que num ano atípico como 2020, esta regra dos 9 (falando do nono mês, Setembro) tinha de ir à vida. Com os atrasos decorrentes da pandemia, até FIFA viu a sua janela de lançamento ser atrasada 1 mês, e chegou num estranho mês de Outubro.

As semelhanças desta análise com a que publicámos recentemente de NBA 2K21 e PES Update não são inocentes. Se os jogos de desporto costumam ter grandes dificuldades anualmente em distinguir-se das iterações anteriores, e este ano de 2020 não é excepção. Diria até que entre a pandemia e o facto de estas serem as iterações charneira para uma nova geração, era sabido de antemão que pouco ou nada deveríamos esperar das edições deste ano deste tipo de jogos.

No caso de FIFA 21, em termos de jogabilidade há ligeiras alterações. Ligeiríssimas, diria, que passam sobretudo por pequenos aprimoramentos ao comportamento da bola e o sistema de colisão, e melhorias em termos de animações dos jogadores mais conhecidos. A adição do agile dribbbling como nova “mecânica” vem trazer uma finíssima nova camada de controlo a um jogo que já tem em si mesmo um historial de incrementos de ano para ano.

A maior alteração, e talvez a mais salutar, é mesmo a mudança implementada no Modo Carreira. A possibilidade de deixarmos as partidas desenrolarem-se ao estilo de Football Manager, num ecrã bidimensional com pontos coloridos, mas que nos permite a qualquer momento entrar no jogo como uma partida comum de FIFA, ou abandoná-la e regressar ao ecrã de controlo ao estilo de FM.

A galinha dos ovos de ouro da EA tem também uma nova alteração: FIFA Ultimate Team permite agora partidas em co-op, e a possibilidade de nos juntarmos online nas Squad Battles of Rivals. É claro que este sistema co-op, a meu ver, vem acicatar ainda mais a competitividade e a febre de abrir saquetas de FUT. Afinal, não queremos apenas mostrar aos nossos amigos que jogamos melhor que eles: queremos também exibir que somos uma espécie de sheik das Arábias e temos uma equipa cheia de craques. E talvez o João Félix.

O modo Volta, que foi um dos nossos doces da edição anterior, está de volta com um novo enredo, e com uma abordagem em geral que é decalcada da edição anterior.

Jogar este FIFA 21 é o estranho déja vu que se espera. Tudo é tão reconhecível que à primeira vista, não fosse o novo logo, e poderíamos estar a pensar em estar na edição anterior. 

Mudanças, essas, reais, acredito que só na próxima edição possamos sentir. E que a nova geração traga também um novo fôlego criativo aos jogos de desporto.