Caçada semanal #241

Faça-se já o preâmbulo: isto de “andar à chapada” é videolúdico, obviamente. Se antes da pandemia sempre fui um tipo muito pouco adepto de contactos físicos violentos, no mundo pós-covid só me dá para ter medos redobrados. Estar a expor-me a ter um olho negro e ainda a contrair o coronavírus é coisa que não me apetece muito.

Os 2 indies desta caçada falam de andar à chapada, de forma virtual. Seja com personagens femininas ao estilo anime ou caranguejos. Vale tudo.

Ogre Tale [PC, Switch, PS4]

Este é realmente um excelente ano para os side-scrolling beat ‘em ups. Já o disse há semanas, e volto a repeti-lo ao jogar a este Ogre Tale. Um maravilhoso jogo com uma excelente direcção artística, que traz a lenda de Momotarō de outro ponto de vista: ao invés de controlarmos o rapaz-pêssego do folclore nipónico, o jogo torna os três ogres que ele combate nos verdadeiros “bonzinhos” da história.

Com uma sede de morte insaciável, Momotarō vai ter que ser parado, e para isso recorremos a três descendentes do clã de ogres dizimados pelo rapaz nascido de um pêssego gigante. Que, seguindo a tradição da MAGES, inc, são obviamente 3 raparigas bonitas ao estilo anime ao invés de três monstros.

Este desafiante beat ‘em up consegue, como muitos manga e anime, interligar elementos de História – neste caso de um dos clássicos de folclore da cultura japonesa – e dar-lhe uma roupagem agradável a qualquer otaku. Com algum grind à mistura, a componente de combate é simples mas encaixa na perfeição em todo o ambiente: uma excelente direcção artística que dá um excelente uso à pixel art.

Ogre Tale segue a tendência do estúdio MAGES (que nos trouxe Phantom Breaker: Battle Grounds) e que segue a lógica desse jogo: um título de acção com um visual anime, que mistura pancadaria com personagens com um ar cute.

Fight Crab [PC, Switch, PS4]

Saltando da panela para a frigideira, falemos de crustáceos. Dêem-me um bom molho de sapateira daqueles para barrar numas tostinhas pequeninas e eu fico a salivar automaticamente. Talvez seja o avançado da hora e a aproximação do almoço, mas de repente, enquanto escrevo sobre Fight Crab, só me apetece comer tostas com molho. Bolas.

Em Fight Crab – espantem-se – vamos desbloqueando um conjunto de crustáceos e usá-los como gladiadores numa arena que pode ser qualquer coisa: desde um areal deserto até às ruas de uma metrópole. “Porquê?” perguntam. Por que não?

Ao estilo dos QWOP games que abriram a caixa de Pandora de coisa ridiculamente estúpidas para se jogar, em Fight Crab controlamos cada uma das pinças dos nossos crustáceos individualmente, para além das patas, onde nos podemos locomover lateralmente ou em círculos.

O objectivo de cada refrega é simples: virar o nosso oponente ao contrário, onde uma barra de vida, ao estilo de SSB, quanto mais “porrada” um crustáceo leva, mais vulnerável fica a ser virado ao contrário. 

Com um modo multiplayer que prolonga o jogo para além da curta campanha, Fight Crab ainda adiciona a toda esta loucura a possibilidade de usarmos katanas, motosserras, entre dezenas de outras armas.

Não vou dizer que Fight Crab é o melhor jogo de luta do ano, mas também não refutaria a quem o afirmasse.