Horizon: Zero Dawn abre o precedente da Sony converter um dos seus principais exclusivos ao PC, marcando assim um posicionamento semelhante ao que a Microsoft está a fazer com o seu catálogo nos últimos anos. Não sabendo qual a intenção e estratégia da Sony, o certo é que alguns exclusivos têm sido lançados no PC, como Heavy Rain e Beyond: Two Souls da Quantic Dreams e recentemente Death Strading da Kojima Studios. Mas a diferença é que Horizon: Zero Dawn é mesmo o primeiro jogo do catálogo PlayStation 4 produzido por um estúdio interno da Sony, a Guerrilla Games. 

Na verdade, este título foi adaptado pela cc, um dos estúdios com mais experiência no mercado, responsável por dezenas de ports das mais variadas séries ou mesmo ajuda interna dos estúdios principais, que mais recentemente trouxe para a Switch jogos como BioShock: The Collection e Xcom 2 Collection, Dark Souls Remastered ou The Outer Worlds só para referir os mais novos. Já a Guerrilla anda bastante empenhada a preparar a sequela de Horizon, Forbidden West, para a PlayStation 5. 

Dispensando qualquer apresentação, a grande questão que se coloca é se esta adaptação ao PC vale a pena, e se está bem feita e otimizada. Todas as perguntas parecem afirmativas. Muito afirmativas. Depois de três anos, e com diversos jogos de ação com elementos RPG lançados no mercado, Horizon: Zero Dawn continua a ser um dos melhores. Com a vantagem de que esta versão está otimizada para jogar a 4K, permitindo desfrutá-lo com tantos FPS quantos a vossa máquina aguentar, pois podem destrancar os Frames por Segundo. No meu caso, preferi manter o jogo mais estável a 60 fps

E isso salienta muitas das paisagens lindíssimas desta aventura, mantendo a fluidez merecida de jogar. No entanto, não esperem qualquer mexida em texturas ou qualquer melhoria gráfica face à versão original. É um port direto, muito fiel, mas que se vai comportar melhor se tiverem máquina para ligar todos os filtros. Não tem suporte a ray-tracing, mas a Virtuos Games deixou espaço para um miminho: podem escolher diferentes definições anti-aliasing e anisotropic filtering

Obviamente que podem jogar com rato e teclado, sendo uma experiência diferente, mas obviamente que o jogo foi pensado para um comando: podem usar o DualShock 4 da PS4 ou o controller da Xbox One. E para quem tem um monitor ultrawide, o estúdio não se esqueceu de oferecer resoluções de 3840×1080, num rácio 32:9, caso a vossa placa gráfica suporte. Porém, as cut-scenes estão trancadas ao rácio original de 16:9. 

Deixando de lado as questões técnicas, e apesar de não ser uma novidade para os jogadores da PS4, é um grande título para muitos jogadores de PC descobrirem, e outros relembrarem, a fantástica jornada de Aloy neste mundo futurista, pós-apocalíptico, enquanto não chega a sequela, na próxima geração. E considerando que esta é a Complete Edition, isso significa também que a expansão Frozen Wilds e outros extras entretanto lançados na PS4 estão incluídos. Importante referir que esta versão PC mantém toda a localização portuguesa, tal como na consola, incluindo vozes ou legendas. 

Para quem não conhece Horizon: Zero Dawn, o mundo tal como o conhecemos foi destruído por máquinas num apocalipse que aconteceu há centenas ou mesmo milhares de anos. Tudo o que resta da civilização está dividida por tribos que deixaram os edifícios e renunciaram a tecnologia, considerando-a algo amaldiçoado, pelo menos para alguns. E o mundo é perigoso, com animais mecânicos selvagens, parecidos com dinossauros, que ninguém sabe ao certo de onde e como surgiram. 

A protagonista Aloy, foi excomungada da sua tribo quando ainda era bebé, crescendo com o seu tutor, que lhe ensina tudo sobre a sobrevivência. Para regressar à sua aldeia, terá de passar por umas provas, e é aqui que começa verdadeiramente a sua viagem de descoberta por um mundo reclamado pela natureza, para descobrir todos os segredos do passado, e porque afinal, foi colocada de parte à nascença. 

O jogo apresenta um elenco de personagens muita boas, conduzidas por um código moral rígido, que lhes dá uma personalidade muito vincada. Aloy é adorável, mostrando desde criança o seu carisma, crescendo como uma corajosa e ágil caçadora. 

De resto trata-se de um RPG, em que a protagonista ganha experiência a completar quests principais, secundárias ou mesmo recados, assim como a completar outras atividades para descobrir no extenso mapa. Ao subir de nível podem atribuir pontos por diversas habilidades, modificando a forma como Aloy combate corpo-a-corpo, ou de forma furtiva. 

Tem ainda armaduras e armas para recolher, com diferentes qualidades e raridades, e com slots para adicionar gemas que alteram os seus atributos. Necessitam ainda de matérias-primas, sejam plantas ou componentes dos animais metálicos ou caça orgânica, para produzir poções, munições para arcos, elixires e até provisões para fazer fast travels entre as fogueiras espalhadas pelo mundo. 

Desde a versão PS4 que para mim a ação é um dos pontos fortes desta aventura, não fosse esse o pedigree da Guerrilla. Combater contra as gigantescas máquinas, usando as munições e armadilhas a nosso favor, ou simplesmente usando uma abordagem furtiva é muito satisfatório. As máquinas são realmente selvagens, e muitos deles andam em grupo. É mesmo possível converter certos animais para os transformar em montada para explorar o mundo. E há bosses para enfrentar, com a ajuda da tribo, verdadeiramente emocionantes. Com o aparelho que Alloy tem equipado, é possível observar as bestas mecânicas e descobrir os seus pontos fracos, desde a cabeça ou recipientes de combustível nas costas. 

Atualmente as atenções estão voltadas para Ghost of Tsushima, um dos mais bonitos jogos da atualidade, com paisagens impressionantes. Mas Horizon tem também cenários de encher o olho, sejam as paisagens das montanhas, ou as ruínas da nossa civilização. No entanto, no que diz respeito aos modelos das personagens, se há três anos estas não eram o melhor que se fazia no género, não esperem milagres nesta versão PC. Jogos como Death Stranding e The Last of Us 2 ganham neste departamento. Ainda assim, apesar de serem estáticas e algo semelhantes a bonecos de cera, as personagens garantem bons diálogos e algumas histórias inteligentes. 

De um modo geral, se têm o jogo para a PS4, não há grandes motivos para fazerem esta aquisição adicional, na sua essência é o mesmo jogo da Complete Edition. Agora, se nunca o jogaram anteriormente e necessitam escolher uma versão, esta adaptação ao PC é muito eficiente, tem alguns mimos adicionais como suporte a rato e teclado, assim como filtros e resoluções maiores. 

E por si, esta aventura é excelente, mostrando por que razão foi considerado jogo do ano em muitas publicações, no seu lançamento. Altamente recomendado. Agora resta saber quais os planos da Sony. Vamos ter mais adaptações? Só mesmo avaliando as respostas dos jogadores com as suas carteiras!