Astro’s Playroom será certamente o primeiro jogo que vão jogar na PlayStation 5, pois vem instalado de raiz com a consola. Provavelmente será a vossa primeira platina da PS5. E se pensam que se trata apenas de uma espécie de demo tecnológica para mostrar as potencialidades da consola e do comando Dual Sense, estão bem enganados. Estamos perante um título de plataformas repleto de humor, sendo sobretudo uma carta de amor a toda a história da PlayStation e um excelente cartão de visita nessa conexão com os fãs. 

O jogo foi novamente desenvolvido pela Team Asobi, uma divisão da Japan Studio da Sony, que já nos tinha oferecido Astro Bot Rescue Mission, para mim, um dos melhores jogos da PlayStation VR. Estamos perante um universo onde os pequenos bots são os protagonistas e além de fofos são divertidos. E Astro’s Playroom é um jogo alegre, nostálgico e embora tecnicamente não pretenda ser o pináculo que a PS5 tem para oferecer, certamente que vai mostrar todo o potencial da consola no futuro. Sobretudo o novo comando. 

Esta aventura tem lugar dentro de uma PlayStation 5. É como se fosse uma visita guiada ao seu hardware, com os principais componentes a servir de inspiração às quatro áreas da aventura: o SSD, o sistema de refrigeração, o GPU, e assim adiante. No centro existe uma área principal que dá acesso a estes temas, que os jogadores podem escolher livremente. Tal como havia sido demonstrado em Sackboy Adventure, todos os níveis desbloqueados podem ser acedidos praticamente instantaneamente, a partir de um mapa principal. E os loadings, praticamente não existem, dois ou três segundos que é o tempo de absorvermos as pequenas animações de transição. 

O objetivo é avançar pelo nível até ao fim, para tal, vão ter de ultrapassar obstáculos através de diferentes mecânicas associadas ao comando. Mas cada nível oferece um sem fim de moedas para recolher, peças de puzzle e ainda artefactos do universo PlayStation, ou seja, periféricos e consolas dos 25 anos de vida da consola. E a forma como estes itens são apresentados, com grande detalhe do modelo e interativos, salientam a nostalgia. 

Aliás, tudo no jogo transpira a PlayStation, desde os murais das paredes que vamos formando com os puzzles e todas as recordações que vão sendo desbloqueadas e arrumada no laboratório PlayStation. E tudo reage à nossa passagem, de uma forma divertida. As plantas, elementos do cenário, plataformas, muitos deles são construídos a partir de Blue-Rays, gatilhos e analógicos dos comandos, assim como fios. 

E ainda no que diz respeito à viagem pela aventura, esta está cheia de easter eggs dos jogos mais emblemáticos que passaram pelas consolas da Sony, desde Tomb Raider, Metal Gear Solid, Ape Escape, Uncharted, entre dezenas e dezenas de clássicos a observar pelo caminho, sempre representados por ações dos simpáticos bots.

Mas no meio disto tudo, o jogo é um grande showcase do comando. É neste título que a Sony mostra aos jogadores, mas também aos produtores o que significa o seu nome Dual Sense. Imaginem uma mistura do velho DualShock, mas mais ergonómico, com um rumble mais apurado que os JoyCons da Switch, e ainda a capacidade de utilização do microfone para mecânicas de assoprar. 

O feedback háptico transmitido às nossas mãos, permite-nos identificar e sentir quando a personagem anda em diferentes materiais, como a areia, vidro ou metal. O toque e o som do altifalante projetam essas sensações. Os gatilhos são o maior elemento a ser testado, com estes a resistirem à nossa pressão mediante a ação no ecrã, como por exemplo, utilizar motores. 

Os minijogos e corridas que vão desbloqueando, tal como trepar paredes num fato de macaco, usando o giroscópio para simular os braços; ou para planar numa asa delta. A jogabilidade, juntamente com o feedback do comando é das melhores experiências que podemos ter. E mais que a rapidez quase imediata de carregamento, graças ao SSD da consola, é a experiência de como se experimenta as ações neste jogo que faz a diferença. E de longe, este Astro’s Playroom demonstra melhor as possibilidades do comando, do que Spider-Man: Miles Morales, os primeiros títulos que testei na PS5. 

E por isso, não sendo tecnicamente magnífico pela sua simplicidade, mas ao mesmo tempo um benchmark, apenas a roçar a superfície, do que pode ser feito na consola. Por isso, esta não é uma review habitual para adquirirem Astro’s Playroom, mas sim uma nota de atenção para não o deixarem de lado, como uma simples experiência. Este é o vosso tutorial e postal de boas-vindas à quinta geração da PlayStation. E é uma viagem nostálgica, que talvez vos arranque uma lágrima pelo caminho…