Depois do mundo subaquático deslumbrante de Abzû, o título de estreia da Giant Squid, não se esperava outra coisa que não uma experiência tranquila e harmoniosa de The Pathless. Mas o facto da personagem ter um arco e flecha adivinhava-se um jogo de ação, em mundo aberto. Mas não foi isso que aconteceu. Na verdade, a arma da protagonista serve para tudo menos matar, é a ferramenta escolhida para interagir com o mundo, para ativar elementos do cenário e resolver puzzles. 

O jogo não tem qualquer inimigo na sua exploração, na verdade a personagem nunca morre. É uma experiência mais zen, lá está. que procura inspirações em Journey, mas apimenta-o com alguns bosses gigantes para derrotar. É contraditório o que disse, mas até estas criaturas aberrantes não passam de intrincados puzzles, numa experiência que lembra The Last Guardian, pela forma como os temos de eliminar por fases. 

Nesta aventura de mundo aberto, assumimos o papel de uma jovem misteriosa, uma caçadora que aceita a missão de restaurar o mundo de uma maldição, que tornou alguns animais em criaturas horríveis. 

A personagem terá para isso de resolver pequenos puzzles para encontrar uns símbolos, que por sua vez necessitam de ser encaixados numa das três torres de cada região. Ao completar, estas vão focar-se no boss, passando à fase de conflito com o mesmo. Os combates são puzzles de velocidade, de alguma destreza e até timing, obrigando a perseguir as aberrações e enfrentá-las em diferentes fases. 

Como referido, o arco serve sobretudo para disparar para umas gemas espalhadas pelo cenário que servem para a personagem amealhar stamina, para poder correr mais rapidamente pelo cenário. O jogo não tem um mapa para nos orientarmos, a personagem utiliza uma visão especial para salientar os locais a visitar, onde estão puzzles por resolver e torres para ativar, ficando com tons a vermelho. 

O arco e as flechas permitem ainda resolver os puzzles, seja acender tochas em altares, obrigando a alguma perspicácia de alinhamento. Há também botões para pressionar para ativar mecanismos. A acompanhar o jogador há uma águia, que nos ajuda a resolver os puzzles, visto que podemos ordenar que pegue em itens para usar como peso em interruptores. Mas serve também para nos transportar pelo ar, permitindo-nos planar entre longas distâncias ou aceder a locais mais elevados, visto desenvolver pequenos boosts

Por vezes somos apanhados numa tempestade devastadora e precisamos de salvar a mascote. Aqui entra uma abordagem furtiva muito simples, basicamente só podemos mexer-nos quando o boss não está a olhar. Por fim, é necessário acariciar o animal para o limpar das cinzas. 

Infelizmente não há muito para fazer neste jogo. Procurar os locais de interação para resolver puzzles, ativar as torres e enfrentar os bosses das quatro regiões principais. E por isso não se trata de um jogo com muita longevidade. Mas a experiência é bastante agradável, a nível gráfico e ambiente sonoro, e a simplicidade da jogabilidade é exemplar. Há aqui um bom vibe a The Journey e The Legend of Zelda: Breath of the Wild