
Hitman 3 encerra a trilogia World of Assassination, desde que a IO Interactive deu reboot à série protagonizada pelo Agent 47. A editora dinamarquesa construiu uma estrutura vencedora no suporte das missões dos jogos, de forma a acomodar todos os novos capítulos. O primeiro jogo até foi lançado de forma episódica, tendo funcionado bem, mas os dois seguintes desistiram do conceito para o tradicional pacote completo. Mas a estrutura permite adicionar outros mapas e missões em formato DLC.
Para quem tem os dois primeiros jogos, este terceiro encaixa no HUB, e todas as missões podem ser acedidas de forma contínua a partir do mesmo local, numa experiência muito agradável. No caso do Stadia, que foi a plataforma onde decorreu este teste, quem tem o serviço Pro ativo acesso aos dois primeiros jogos gratuitos, e tudo funciona bem. Mas há relatos de confusões na recuperação do save game nas versões para as consolas.
Quem jogou os anteriores títulos vai sentir-se bastante familiarizado com o terceiro capítulo. A fórmula vencedora mantém-se intacta, desde os movimentos do protagonista, às diversas possibilidades de abordar os objetivos. O jogo introduz seis novas missões, e tal como as anteriores são autênticos sandboxes temáticos, com um design muito bom, convidando à experimentação e improvisação constante.

E sobretudo, as missões têm diversos incentivos para repetir, com diferentes abordagens na forma como se elimina os alvos e se completam os desafios. E mediante a experiência acumulada da primeira visita podem desbloquear disfarces iniciais, armas e gadgets para começar a missão de forma diferente, incluindo o local do próprio início.
E isso transforma radicalmente a abordagem, que no caso da versão Stadia pode ser partilhada através de um link com amigos, graças à tecnologia State Share. Ou seja, o estado com que começaram a missão pode ser partilhado para desafiar outros a fazerem um melhor resultado.
Um dos melhores aspetos de toda a trilogia são as stories introduzidas nas missões. Para além de facilitar a navegação e adaptação dos enormes níveis, as stories são objetivos bónus divertidos que estão associados à missão principal que é ganhar acesso aos alvos. E neste Hitman 3 esses objetivos são muitas vezes melhores que o principal.

Exemplo disso é a segunda missão, que nos coloca numa mansão em Inglaterra para assassinar a matriarca de uma família, que no fundo tinha simulado a sua morte. Os filhos e sobrinhos fora convocados para o respetivo funeral, mas houve mesmo um crime, o irmão foi morto numa simulação de suicídio. É chamado um detetive ao local para investigar, mas claro, o Agent 47 intercepta-o e assume o seu lugar na investigação.
Esta missão transforma-nos num Poirot, em que temos de interrogar os suspeitos, incluindo o mordomo, e vasculhar os quartos e local do crime. E nem sequer é obrigatório, mas aumenta e muito a longevidade das missões. E no fim podemos apontar o verdadeiro culpado ou incriminar alguém mediante os nossos interesses. Apesar de não ser obrigatória, completar esta missão dá acesso a um dos objetivos principais do mapa em forma de recompensa.
A ação furtiva continua a ser o principal elemento do jogo. Observar os elementos que podem ser utilizados para aceder a novas áreas, eliminar inimigos sem levantar alarmes e usar as suas roupas para entrar em locais privados. Cada mapa do jogo funciona como uma cebola, com camadas que os jogadores vão tendo acesso, compreendendo os limites de onde podem passar. Até ao momento em que fazem a eliminação do alvo, seja da forma mais aparatosa, ou causando um acidente indireto.
Este terceiro jogo introduz algumas novas mecânicas. A câmara do Agent 47 pode ser utilizada para fazer scan de provas ou mesmo interagir remotamente com equipamentos eletrónicos. É possível abrir atalhos, desde escadas trancadas ou portas fechadas, que ficam abertas para futuras repetições da missão, facilitando o progresso de missões repetidas.

Tal como os jogos anteriores, o modo Contracts são missões desenhadas pelos jogadores que colocam à prova a comunidade, num acesso a conteúdo praticamente infinito. Também as missões Escalations regressam, num desafio aos melhores agentes do planeta, com objetivos mais difíceis e em constante mudança.
Hitman 3, tal como os anteriores, é um jogo complexo no que diz respeito à inteligência dos inimigos. Estes são inteligentes e suspeitam com facilidade a movimentos suspeitos, mas isso não impede de terem alguns comportamentos algo passivos, na altura de sacar as armas e atacar. As sequências de ação direta nunca foram excelentes, e não é agora que ficaram mesmo boas. Por isso, são sempre de evitar, mas não significa que não possam entrar e matar tudo o que mexe. Boa sorte. Até porque o jogo pontua os verdadeiros fantasmas, aqueles que executam as missões sem levantar suspeitas.
Por outro lado, o jogo continua muito bonito e detalhado, sobretudo ao nível do design dos mapas, provavelmente os melhores de toda a trilogia. O primeiro capítulo tem lugar numa torre gigante no Dubai e a segunda numa mansão em Inglaterra, e esta segunda revela pormenores muito interessantes. Obviamente que a forma como a IO colocou quantidades absurdas de NPCs, com as suas rotinas no mapa que temos de estudar, é realmente de salientar.

De salientar que as versões PS4 e PS5 suportam PSVR, e desta forma, não só podem jogar a campanha deste terceiro jogo em realidade virtual, como toda a trilogia desde o primeiro jogo. Um extra a salientar, mesmo numa perspetiva da primeira pessoa.
Para quem gostou dos anteriores dois capítulos, este terceiro é a adição lógica à coleção. A forma como se integra nos anteriores capítulos oferece uma forma contínua de completar as missões. Ainda assim, a história pode ser um pouco fragmentada e de difícil compreensão para quem não jogou os anteriores capítulos. Mas podem simplesmente ignorá-la e experienciar cada missão como uma história em si.
Hitman 3 fecha a trilogia em grande, com algumas missões muito bem desenhadas, com mapas excelentes e sempre com diversas oportunidades de infiltração.













