
Conheço pelo menos duas pessoas que fizeram uma mudança brutal na sua carreira e seguiram uma profissão na aviação civil como hospedeiras de bordo. Com o meu mais que conhecido pânico com aviões, coisa que desenvolvi após ser pai pela primeira vez, admito que para mim ser hospedeira ou comissário de bordo está no topo das profissões de maior risco, ao lado de agente policial infiltrado em crime organizado e de assessor de redes sociais do Rui Rio.
Apesar do número de voos ter caído muito durante a pandemia, só consigo empatizar com todos estes profissionais e imaginar as coisas que passam a tentar que as pessoas cumpram as novas regras sanitárias. Isto a muito milhares de metros de altura.
Shakes on a Plane tenta reproduzir estas dificuldades num caótico jogo de co-op, reminiscente de Diner Dash, o velhinho jogo que todos jogámos apesar de muitos se recusarem a admiti-lo.

Aliás, como time management game, Shakes on a Plane poderia facilmente ser apelidado de Diner Dash co-op em aviões, porque as mecânicas são praticamente idênticas.
Apesar de Shakes on a Plane ser um jogo co-op, ele permite-nos jogarmos sozinhos. No entanto, somos sempre obrigados a trazer 2 personagens a bordo, sendo que podemos ir trocando entre ambos. Era suposto isto facilitar, mas admito que após algumas horas a bordo de diversos aviões em diversas rotas virtuais, nunca chego a trocar de personagens, já que tudo é mais ágil e imediato se usarmos apenas um para resolver tudo.
Mecanicamente o jogo vai de nível para nível tornando-se complicado. No início não precisamos de cozinhar nada, mas a partir do segundo ou terceiro nível lá temos de aquecer hambúrgueres. À medida que o jogo avança vamos inclusivamente ter de usar tabuleiros para carregar diversos pedidos ao mesmo tempo, respondendo em simultâneo a diversos passageiros.
Não nos basta cozinhar alimentos mais ou menos complexos (que necessitem de time management de mais do que 2 postos), ou de trazer bebidas a acompanhar: no final de cada refeição temos de ir apanhando o lixo e colocá-lo no contentor.

A nossa capacidade de responder aos pedidos dos passageiros a tempo, seja a trazer a sua comida e/ou bebida, seja a recolher o lixo, vai ditar o número de estrelas que recebemos no final de cada nível.
Mas a dificuldade de Shakes on a Plane não se fica pela complexidade e número de pedidos dos passageiros. O layout de cada avião vai ficando mais complicado, com os postos de trabalho em cantos opostos, obrigando-nos a fazer maratonas entre si. A somar a tudo isto, a turbulência vai passar a fazer parte das mecânicas, e o balançar sucessivo do avião vai fazer com que alguns dos carros de comida comecem a rolar pelos corredores, atropelando-nos.
Estes atropelos não são fatais, mas fazem-nos perder algum tempo até fazermos respawn, o que pode condicionar bastante a nossa avaliação no final do jogo.

O layout dos comandos trouxe-me alguns dissabores: por vezes queria entregar o pedido aos passageiros mas por alguma razão o clipping do nosso personagem não “encontrava” o assento do avião. Resultado: ao invés de entregar o pedido, o tabuleiro era projectado pelo corredor do avião, por vezes perdendo-se por completo.
Tive a oportunidade de jogar Shakes on a Plane com o meu filho, e apesar da temática engraçada e do trocadilho com o famoso filme com Samuel L. Jackson, o ano passado jogámos a jogos co-op bem mais originais e divertidos do que este. Não que Shakes on a Plane não seja divertido, mas tem ainda muitas milhas para percorrer até estar na altitude de Bake ‘n Switch ou Moving Out.













