Caçada Semanal #248 

Com muito menos fôlego do que noutros tempos, os jogos de Realidade Virtual ainda vão aparecendo, aos poucos. Para além da recauchutagem de um título que usei em 2017 para a Caçada Semanal #88, também estes jogos do qual falamos hoje estão a utilizar o VR de forma inócua. Dois jogos interessantezitos onde o VR parece ser apenas um argumento para encarecer 2 títulos bastante casuais.

KOORING VR Coding Adventure [PC]

KOORING VR Coding Adventure é um daqueles casos em que eu acho que a introdução da Realidade Virtual prejudicou-o mais do que o ajudou. Não que a experiência de VR seja má, mas porque ao fazê-lo estabeleceu uma barreira de acesso mais elevada, deixando de parte todos aqueles que não possuem acesso a um dispositivo.

Um jogo apontado para o público infantil como uma porta de entrada para o raciocínio de programação. Uma ideia que, não sendo inovadora (e até tenho 2 board games com esta ideia de movimentos pré-programados), se aplica na perfeição aqui.

KOORING VR Coding Adventure é um jogo com uma série de puzzles lógicos, onde temos de levar o protagonista do ponto A ao ponto B, fazendo-o ultrapassar todos os obstáculos que encontramos pelo caminho.

Para isso vamos codificando os nossos movimentos e acções. Se falharmos temos de voltar ao início e rever as animações de deslocação da programação completa, e isso, infelizmente, é uma perda de tempo.

Com um desafio crescente que fará até os mais graúdos puxarem pela cabeça, KOORING VR Coding Adventure é um bom jogo de introdução à lógica da programação que poderia perfeitamente existir fora do VR.

Quest for Runia [PC]

Seguindo a lógica do jogo anterior, Quest for Runia é mais um jogo que não precisava de ser VR, e sinto que esse facto é apenas uma desculpa para se cobrar 9,99€ a um título que provavelmente não merecia um preço maior que 2 euricos.

Quest for Runia é um casual match 3, que, surpreenda-se, utiliza uma lógica de sermos um feiticeiro com uma varinha na mão para justificar o nosso manuseamento dos controladores de VR. Original? Nem por isso. Aliás, a varinha mágica é possivelmente o maior cliché do VR.

Com uma direcção artística desinspirada que se eleva pouco acima de placeholders de Unity, é na realidade nas mecânicas de resolução dos diversos puzzles: estruturas tridimensionais com cubos que flutuam, que reside o seu interesse.

A ideia por trás de Quest for Runia é a de “limparmos” o ecrã, conectando o maior número de cubos da mesma cor possível, alternando a cor da nossa varinha no interface se isso for uma necessidade. 

Há novas mecânicas e novos obstáculos que vão sendo adicionados à medida que o jogo progride, mas quanto mais tempo passamos em Quest for Runia, mais sentimos que ele seria muito mais acessível a mais gente se fosse jogável sem a barreira dos óculos de VR.