
Destruction Derby é um dos clássicos incontornáveis da primeira PlayStation. Um jogo de carros sem metas, apenas puro gozo de destruir e eliminar todos os concorrentes da arena, e se possível ser o único que consegue mover-se no final. Se não sabes, continua a existir estas provas na vida real e são muito divertidas de encontrar no YouTube, fica a dica. Mas o primeiro jogo do género data de 1975 e chamava-se Demolition Derby, com uma visão aérea, lançado nas máquinas arcade com suporte para dois jogadores, e mais tarde, o seu relançamento em 1983 suportava quatro no mesmo ecrã.
Por isso, Destruction AllStars não pretende revolucionar o conceito, apresentando-nos exatamente a mesma premissa: esmagar adversários, mas confere-lhe mecânicas atualizadas e novas formas de causar o caos nas arenas.
O jogo foi desenvolvido pela Lucid Games, cujo núcleo da equipa é composto por muitos elementos da Bizarre Creations, que os jogadores conhecem da série Project Gotham Racing. E por isso, muitas atenções estavam postas neste jogo quando estava agendado para ser lançado em simultâneo e em exclusivo com a PlayStation 5. O jogo acabou adiado, sendo agora oferecido no serviço de subscrição PS Plus.

A questão que se prende: Qual foi a razão do jogo ter sido adiado? E como um jogo de lançamento que custava 80 euros se tornou uma oferta do Plus? A questão pode ser já respondida: o jogo não tem conteúdo suficiente para ser vendido a um preço inflacionado da PS5, trata-se de um novo IP e claro, de um estúdio provavelmente desconhecido para a maioria. Mas a versão que nos chega agora também poderá não ser a mesma que estava planeada inicialmente.
E porquê? O jogo está gratuito durante dois meses, mas acaba por ser um jogo basicamente online assente em serviço e micro transações. E neste aspeto o estúdio falhou. Nunca vamos saber se foram retirados conteúdos para serem agora introduzidos nos próximos meses, fruto do compromisso feito estúdio para um ano.
O certo é que Destruction AllStars faz tudo certo no que diz respeito ao gameplay, grafismo, e diversão. Mas vai esgotar-se em algumas horas, depois de explorar todas as personagens disponíveis nos quatro modos multijogador. Mas as recompensas são, neste momento, muito fraquinhas. Tudo se resume a emotes, compradas não só com moedas amealhadas a cada nível de experiência, como julgo que o estúdio foi ganancioso, pois grande parte das ofertas requerem moeda comprada com dinheiro real.

O certo é que Destruction AllStars chega num momento em que jogos party games estão a fazer sucesso, nomeadamente Fall Guys e Among Us, focando-se na diversão com amigos. E esse conceito poderá ser a tónica que vai colocar a sua longevidade à prova, e a capacidade do estúdio o alimentar com novo conteúdo.
Estamos perante um jogo com foco numa experiência televisiva, com um bom leque de 16 personagens para escolher, cada uma com o seu próprio veículo especial e ataque único. Nos quatro modos de jogo, dois deles para jogar em escaramuças a solo, no outro em equipas de oito contra oito, o objetivo é pontuar de diferentes formas. E a maioria é bastante divertida.
No modo Carnado os jogadores têm de encontrar carros, abalroar os adversários para acumular pontos e ir depositá-los no centro para contabilizarem antes que este seja destruído. Os restantes têm variações, em diferentes mapas da arena, numa jogabilidade bastante simples, acessível e divertida.

Se os jogos antigos bastava ganhar velocidade e chocar, o analógico direito permite ativar um pequeno turbo para a frente ou para chocar para o lado. É estupidamente eficaz e divertido esta mecânica, cujos “ataques” são geridos por cooldown. Esta é uma ideia que gostaria de ver implementada num futuro Burnout. Por outro lado, ao longo da partida as personagens vão enchendo duas barras de energia especiais: uma para o seu veículo único, que não está disponível no início da partida e o outro para a personagem.
Quando utilizam o veículo especial podem ativar uma arma exclusiva, que pode ser vital para vencerem: uma lâmina na frente para derreter adversários ou uma catana, mas também um escudo, ímanes para atrair adversários, lança granadas, invisibilidade e outras habilidades que devem ser jogadas estrategicamente.
Um dos aspetos mais curiosos do jogo, desde o seu anúncio, é a possibilidade de saltar a qualquer momento do veículo, evitando explodir ou para recolher um melhor, que vão surgindo em plataformas flutuantes. Esta mecânica dá um maior dinamismo à partida e estratégia, para além da diversão. É que pode-se atropelar adversários, mas estes também podem carregar uma barra de energia que os tornam mais rápidos e podem saltar para cima dos carros, tentando sacar roubar os mesmos, através de quick time events, enquanto o adversário sacode com o analógico.

E é tudo sobre as partidas. Não existem armas, nem são necessárias, tudo se resume à velocidade, salientando os controlos muito afinados, dado o pedigree do estúdio. E mais uma vez, os gatilhos adaptativos funcionam muito bem, seja a acelerar os veículos ou a sensação do impacto nas batidas.
Destruction Allstars é um jogo paradoxal. O conceito é atrativo, repleto de saudosismo dos velhinhos Destruction Derby e é bastante divertido, sobretudo com amigos. Mas o que dizer passado algumas horas de jogo? A experiência começa a ficar um pouco repetitiva. Falta-lhe conteúdo, e o estúdio vai ter de meter a carne no assador nas próximas semanas, caso contrário corre o risco de não manter uma base de jogadores significativa depois do jogo sair do Plus. Mais desbloqueáveis, modos de jogo e arenas são algumas das coisas que necessitam ser introduzidas. E por causa disso, é com alguma reserva que aconselho este título depois do período gratuito do serviço Plus.













