
Caçada Semanal #251
Há caçadas assim: uma montanha-russa de experiências, com qualidades extremamente díspares. Esta semana foi assim, menos Sergio Leone e mais perda de tempo em ⅔ dos casos. Não tão mau como a Caçada que o meu compadre, amigo e co-editor fez há uns anos, mas ainda assim, mau.
Sigam-nos numa viagem estranha que começa bem e que termina pior, com 3 indies bem distintos. Spoiler alert: só vão gostar de um, de certeza.
Olija [PC, Xbox One, PS4, Switch]

A minha estatística pode estar enviesada, mas quase que vos posso assegurar que se perguntarem a uma série de game designers quais as suas maiores influências, uma boa parte deles vai referir Éric Chahi. Um nome quase desconhecido para o grande público, desconhecedor da grande influência que ele teve nos anos 1990 com Another World e Heart of Darkness.
Essa influência é certamente partilhada por Thomas Olsson, o one man show por trás de Olija. Um jogo que é uma tremenda homenagem a Another World e a jogos de aventura da época, onde controlamos um marinheiro náufrago chamado Lord Faraday, munido do seu arpão.

Olija é uma excelente aventura que não mistura apenas belíssimos momentos de combate e plataformas, mas também uma história interessante que vai acompanhando a evolução dos níveis e a introdução de novas armas secundárias.
Para além de Faraday, o arpão é mesmo o grande protagonista do jogo, trazendo consigo grandes mecânicas de combate e de plataformas.

A rapidez do combate remete-nos quase instantaneamente para Prince of Persia, permitindo que Olija, com a sua tremenda qualidade, não esteja num mínimo de inferioridade ao lado desses gigantes da História dos videojogos.
Teratopia [PC, Xbox One, PS4, Switch]

Num campo diametralmente oposto de influências de jogos dos anos 1990, e no resultado obtido, está Teratopia, um 3D action brawler desenvolvido pela Ravegan S.A e publicado pela Eastasiasoft Limited.

Uma óbvia homenagem a jogos dos 1990s como Spyro, mas que apresenta logo uma fórmula gasta nos primeiros minutos, com os personagens a não serem especialmente apelativos para serem memoráveis, ou para se elevarem acima de brinquedos que compramos para os miúdos e que eles eventualmente atiram para o lixo passado pouco tempo.
Teratopia tenta apelar-nos pelo humor, ou pela tentativa dele, e isso não o salva de um level design desinspirado, onde o combate pouco mais é que desferir ataques fracos e fortes e fugir dos ataques dos inimigos em ambiente tridimensional.

A adição dos minions que nos vão saindo dos ovos de inimigos foi subaproveitada, e nem a diferenciação de classes que eles nos apresentam servem para dar um sabor interessante a um jogo que esquecemos poucos minutos depois de o jogar.
IDID:IT (Inexplicable Deaths In Damipolis: Inner Thoughts) [PC, Xbox One, Mac, PS4]

IDID:IT (Inexplicable Deaths In Damipolis: Inner Thoughts), ou IDID:IT, daqui para a frente é um whodunnit, em que que o “quem” fez, está já identificado pela qualidade do “que” fez. E logo nos primeiros segundos percebemos que IDID:IT foi muito, muito mal feito.
Se conseguirem ultrapassar a péssima optimização de controlos (que vai ao ponto de terem de esfregar a cara no teclado e no vosso comando até perceberem o que raio é o “x” que serve para escolher a língua logo no ecrã inicial).

Este IDID:IT é uma aventura-gráfica noir na primeira pessoa, onde temos de investigar um jantar onde aparentemente todos os convidados estão mortos. Temos de combinar itens e pistas que vamos encontrando para resolver o crime e encontrar o verdadeiro culpado.
Bom aspecto gráfico, ainda que pareça ter sido uma decisão para mascarar as deficiências técnicas da equipa, mas que resulta bem neste estranho jogo.

Mas um jogo que está tão mal afinado que em alguns momentos de interacção, o texto que me foi devolvido foi, literalmente… placeholder. É preciso descrever melhor este jogo?
https://www.youtube.com/watch?v=OziTuxoaftA













