Desenvolvido pela francesa Cyanide, um estúdio conhecido sobretudo pelas suas simulações desportivas, como a série Pro Cycling Manager e Le Tour de France. Mas a empresa tem também experiência em outros géneros, como a ação furtiva da série Styx e aventuras na terceira pessoa como o recente Call of Cthulhu.

E é um pouco da mistura destes dois títulos que a produtora se baseou para produzir Werewolf: The Apocalypse – Earthblood, uma aventura paranormal de ação baseada no universo Werewolf: The Apocalypse, como parte da série de RPG de mesa World of Darkness da White Wolf e partilha o mesmo universo de Vampire: The Masquerade

O estúdio francês entregou à equipa de Styx: Shards of Darkness esta produção, trazendo muitas das mecânicas do jogo para esta nova aventura de lobisomens. A recorrência da ação furtiva salta à vista, mas os combates foram criados de raiz, pois não são o propósito do anterior Styx

O jogador encarna o lobisomem Cahal, o membro de uma tribo de lobisomens irlandeses que acaba exilado depois de ter morto acidentalmente um membro do clã, por perder o controlo da sua fúria. A sua procura de rendição leva-o a combater a corporação Pentex, responsável pela devastação das florestas, poluição e outros desastres ambientais nas suas experiências. O grupo de lobisomens venera Gaia e são os defensores da natureza. 

Basicamente o jogo lembra o filme Avatar de James Cameron, mas troque-se os Na´vi pelos lobos, e a corporação Pentex pelos humanos invasores de Pandora, e nem faltam armaduras mechs

Infelizmente o estúdio procedeu a diversas alterações no design original do jogo, trocando uma experiência open world por uma aventura essencialmente linear. E os elementos RPG resumem-se a pontos que a personagem ganha em meia dúzia de habilidades. É assim um jogo de ação, com abordagens furtivas ou diretas, mediante a escolha do jogador. Só apenas em alguns segmentos somos obrigados a passar sem disparar alarmes, porque de resto podem simplesmente rasgar os inimigos na pele do lobo.

O jogo aposta em três formas. A humana permite-nos passar por alguns locais despercebidos. A personagem tem uma única arma, uma besta para ataques furtivos, que pessoalmente nunca usei em toda a aventura. Depois há a forma de lobo, muito rápida e mais silencioso, capaz de andar pelas condutas de ar sem ser detetado. E por fim, a forma de lobisomem, apenas nos combates, que toma a forma bípede ou quadrúpede, com maior variedade de golpes e diferente agilidade.  

Parece entusiasmante, certo? Errado.

Estamos perante um jogo tecnicamente ultrapassado a todos os níveis. Jogar uma versão PS5 e pensar que estamos perante um jogo de PlayStation 3. As animações e texturas das personagens são arcaicas e nos diálogos nem lip sync têm, além de serem mesmo feias. Os cenários são vazios e estáticos e o jogo não tem mais que meia dúzia de cenários para explorar, a maioria dentro das instalações da corporação. É possível alternar entre humano e lobo em tempo real, mas as animações são feitas em duas ou três frames

Os inimigos não têm inteligência artificial, limitando-se a andar de um lado para o outro e é muito fácil eliminar quatro ou cinco de seguida sem reagirem. E quando o alarme soa, somos transformados em lobisomem e ir para cima dos inimigos. Os soldados ainda disparam balas de prata que diminuem a nossa barra de energia, mas nada que seja utilizado de forma desafiante. 

Os combates apresentam dois golpes, um rápido e outro mais forte, combinados em alguns combos. Falta sensação de impacto na deteção de colisão, e os inimigos são despejados para cima como carne para canhão, fazendo spawn mesmo à nossa frente nas diferentes vagas. 

O jogo é assim repetitivo, com uma história cliché, em que as cut scenes são interrompidas abruptamente com os ecrãs de loading. O estúdio tenta explorar o sistema de diálogos em que temos de tentar manter a calma da personagem, para não se enervar e transformar-se, mas raramente funciona.

Há realmente muito pouca coisa que este Werewolf: The Apocalypse – Earthblood faça de bom. Os combates na pele do lobo resumem-se a esmagar botões, a ausência de IA estraga toda a experiência. O design dos níveis é rudimentar, a história deixa a desejar. 

É praticamente um desastre, longe do agradável Styx, que se assumia basicamente um jogo de puzzles baseados em stealth. Este título parece realmente de há duas gerações, não querendo ofender as excelentes propostas lançadas nessa altura.