
A Nintendo continua a recuperar o seu catálogo de exclusivos da Wii U, tal como New Super Smash Bros ou Super Mario Kart. Pérolas que poderiam ficar perdidas no tempo que têm agora oportunidade de chegar a um público bem mais vasto, ao contrário da consola anterior que vendeu muito pouco.
E Super Mario 3D World poderia ser apenas mais um remaster de grande qualidade, como a Nintendo nos tem habituado, mas a fabricante nipônica adicionou um extra mile, uma aventura adicional ao jogo original chamado Bowser’s Fury. Mas já lá vamos.
Para quem conhece este título lançado em 2013, trata-se da sequela de Super Mario 3D Land da 3DS, que adicionou a possibilidade de quatro jogadores jogarem em cooperativo. Mas tal como New Super Mario Bros., as sessões a quatro são sempre caóticas. Isto porque o design de alguns níveis não parecem feitos para quatro jogadores, pois estes não são vastos o suficiente, e a competição para ver quem apanha mais pontos automaticamente gera speed runs, falta de coordenação, e muitas vidas perdidas facilmente, em vez da cooperação pretendida. Os jogos de Mario são tudo sobre explorar cada recanto para encontrar as estrelas e segredos.

Por outro lado, a câmara única gera confusão, puxando e empurrando quem fica para trás, tornando-se confuso e caótico. A nova versão não resolve nada deste caos multiplayer, mas projeta-o agora para um campo online para os mesmos quatro amigos, para além do co-op local. Uma decisão muito inteligente de apostar no online, nesta altura em que o confinamento obriga os jogadores a estarem isolados. E esta cartada pode valer muitas vendas à Nintendo, pois o online é certamente o maior feature desta versão remasterizada. Obviamente que a componente cooperativa pode ser muito agradável, sobretudo com apenas dois jogadores, se houver comunicação.
Nas sessões que experimentei, quando jogado a dois, e com comunicação, há verdadeiramente um espírito cooperativo, combinar o que fazer e por onde ir para obter todos os segredos, as estrelas e o carimbo. A quatro, o caos é uma certeza e sem comunicação, é para fazer speed run e voltar mais tarde, com mais calma. De notar que apenas o anfitrião da sessão de jogo grava o progresso da aventura.
Obviamente que os níveis continuam a ser excelentes, sobretudo numa experiência a solo, adicionando novas mecânicas em cada mundo e nível, alguns inspirados em jogos como Paper Mario A Thousand Year Door da GameCube ou o Captain Toad, mas também Mario Kart. Há puzzles, desafios e muitos obstáculos para superar, procurando derrotar o boss no final de cada castelo.

O jogo recebeu um tratamento gráfico remasterizado, salientando a variedade de cenários bonitos e coloridos, mas mantendo-se fiel ao original. Outra novidade é a introdução do famoso modo câmara, que permite colocar o jogo em pausa e capturar uma foto, usando filtros e efeitos especiais. Os carimbos recolhidos ao longo dos níveis podem ser usados como autocolantes para a fotografia. No entanto, este modo só funciona quando jogado a solo.
Um problema para a perspetiva de câmara fixa e isométrica do jogo, é que apenas se pode rodar ligeiramente o cenário e muitas vezes caímos no abismo por maus cálculos de onde colocar os pés. Nada de muito preocupante, mas é mais grave na confusão do co-op.
Nesta versão remasterizada do jogo, a introdução do modo fotografia e co-op online já seriam motivos para os fãs adquirirem este título, pois continua com uma jogabilidade bastante atual, e muitos fãs passaram ao lado do original, que apresentou como novidade o fato de gato. A Nintendo acrescentou uma aventura original chamada Bowser’s Fury.

Esta aventura não tem nada a ver com o jogo principal, remetendo-nos para uma perspetiva na terceira pessoa, semelhante a Mario Odyssey. Trata-se de uma aventura num mapa aberto com diversas ilhas para explorar com o objetivo de recolher medalhões de gatos. Isto porque Bowser transformou-se numa gigantesca criatura, semelhante a um godzilla que emerge do mar esporadicamente.
Bowser Jr junta-se a Mário para salvar o pai da sua fúria, podendo ser assumido por um segundo jogador. Caso contrário a inteligência artificial controla-o, sendo possível definir uma postura mais ofensiva nos ataques aos inimigos ou mais passiva. Este recolhe itens, destrói blocos e podemos apontar interações.
Quando Bowser surge, o cenário transforma-se, tornando-se negro, repleto de ataques de meteoros e raios de fogo do gigante. Mario terá de escapar até ele se ir embora, ou então, garantir que apanha os medalhões suficientes para desbloquear o super-guizo, que transforma Mario num gato de dimensões gigantes.

O cenário muda para uma arena de combate entre os dois, e as ilhas tornam-se minúsculas aos seus pés. Sempre que derrotado, a água vai reclamando as zonas afetadas de lava, abrindo novas áreas para explorar.
Este modo permite-nos andar para a frente e para trás livremente, resolver pequenos puzzles e desafios para recolher o máximo de medalhões. Para viajar entre as ilhas podemos montar na dinossaura Plessie, havendo desafios próprios. Alguns dos puzzles, tais como destruir certos blocos apenas podem ser feitos com a presença e ataques de Bowser, aumentando um pouco mais o desafio.
Embora seja notório a reciclagem de elementos e cenários de Super Mario 3D World, a liberdade de exploração é muito bem-vinda e divertida. Neste caso a câmara está totalmente desbloqueada, ainda que no combate contra Bowser seja algo lenta a rodar. Nota-se no entanto uma quebra acentuada de frame rate nestes embates, perdendo alguma fluidez.
Bowser’s Fury poderia ser perfeitamente um DLC pago de Mario Odyssey, e certamente seria elogiado. Sendo gratuito, é um fantástico chamariz para um jogo remasterizado que por si já é muito bom. A solo ou com amigos online, é imprescindível ter este Super Mario 3D World na coleção.













