Caçada Semanal #256

Antes de andar à procura de de moedas de 50$ nos bolsos ou na minha carteira azul com velcro (já não a uso há duas décadas, mas lembro-me bem dela) para alimentar as máquinas de arcadas dos cafés dos Olivais e da Encarnação, já os meus dedos estavam habituados a shoot’em ups.

Um género curioso que nós apelidamos lá em casa de “jogos de naves” e do qual tínhamos uma série de exemplos nativos na nossa Famiclone, e que foi tornando este tipo de jogos uns must-goes para a minha família.

Um género que parecia ter morrido até os estúdios indies (especialmente os asiáticos) lutarem diariamente para o manter vivo. Como é o caso destes dois jogos do qual falamos hoje.

Natsuki Chronicles [PS4, PC, Xbox One]

Só na idade adulta é que soube que o nicho dos schmups acabou por ter uma descendência, destinada a hardcore players que queriam desafiar-se perante o impossível. Os bullet hells começaram a florescer no mercado nipónico, com alguns dos jogos de maior sucesso a transitarem para o Ocidente. E outros tantos, dada a fraca necessidade da língua no género, a chegarem mesmo sem localização.

Natsuki Chronicles é um schmup onde o modo de história brilha em todo o esplendor do que o género pode trazer. Um sistema de experiência que nos vai permitindo desbloquear novas e melhores armas e equipamentos para a nossa nave e que vai tornando a difícil tarefa de nos esgueirarmos pelas saraivadas de balas que preenchem o ecrã.

Com grandes customizações em termos de build, seja no tipo de armas que equipamos nas slots principais e secundárias, para além de escudos e reflectores pensados nos muitos inimigos com o qual nos vamos cruzar.

As boss fights não poderiam faltar, e no final de cada capítulo somos presenteados com um desafio duro de roer, com lutas cheias de elementos clássicos do género para ultrapassar.

Natsuki Chronicles é um shoot’em up obrigatório para todos os fãs do género, que vão reconhecer em cada minuto de jogo essa mesma paixão da parte de quem o desenvolveu.

Habroxia 2 [Switch, PS4, PC, PS Vita, Xbox One]

Habroxia 2 é muito mais ambíguo na sua apresentação, em relação a Natsuki Chronicles. Se tem muitos elementos de uma nouvelle vague de schmups, com upgrades que são desbloqueados definitivamente, tem, por outro lado, uma roupagem muito old school.

Um retro shoot’em up de 16 bits, que nos vai trocando as voltas à vida com níveis que abordam as duas vertentes clássicas do género. De níveis em que nos deslocamos na horizontal, da esquerda para a direita, a tantos outros, verticais, onde a nossa nave se desloca de baixo para cima.

Apesar dos excelentes momentos clássicos inspirados em tantos bons exemplos de jogos de arcade que o antecederam, Habroxia 2 tem o problema de se tornar repetitivo. Para todos os que não gostam do género este é um “pecado” que todos os schmups incumprem, mas é algo que não é bem verdade em muitos deles.

Mas em Habroxia 2 os padrões acabam por tornar-se um pouco monótonos e repetitivos, tornando o desafio mais simplificado do que gostaríamos que fosse.

Vale-lhe um New Game Plus, e os modos de Boss Rush para prolongarem a sua curta vida e o seu desafio. Este é um daqueles casos de um bom jogo que não inova praticamente em nada, mas o que faz, faz bastante bem.