
Depois de uma sessão prolongada de Overwatch onde a nossa equipa ficou mais salgada do que o Donald Trump assim que perdeu as eleições Norte-Americanas (diria até que alguns de nós ficaram no mesmo tom de pele de tanto esforço para sobreviver nas últimas rounds) dei por mim a revisitar o Human: Fall Flat, um sandbox puzzle game.
Era dia de trabalho no dia seguinte e tinha ainda uma hora para descomprimir do stress do Overwatch; foi um literal ragequit, abrir a biblioteca Steam e fazer scroll. À primeira pareceu-me um candidato improvável, apesar de ter uma natureza puramente casual – o que era mais que bem-vindo tendo em conta a situação psicológica em que nos encontrávamos. Perguntei no Discord se alguém se queria juntar, torceram todos o nariz mas lá veio um amigo atrás. Avancemos 5 minutos depois e já só se ouviam gargalhadas e o pessoal que ficou “para trás” no Discord a afogar as mágoas do Overwatch, a meio que ciumentos, finalmente se juntaram.

O trabalho de equipa é encorajado, mas a maioria das vezes também atrapalha!
Já mencionei que só tinha uma hora para jogar? Acabaram por ser 5 horas! Eram três da manhã já, uma sessão que começou com 2 moços na palermice, e acabou com 7 de nós e talvez 10 vezes mais palermice, a criar as coisas mais aleatórias, rindo sem parar. E é exatamente nisto que o jogo brilha: permitir ao jogador criar espontaneamente, imaginar, produzir, pensar e divertir-se ao controlar um personagem muito “ragdolly” mas sempre com um cuidado em aprender como o manipular, conseguindo fazer as coisas mais incríveis (ou incrivelmente estúpidas, dá para os dois lados)!
Para dar um exemplo, deparámo-nos com um obstáculo que não nos permitia continuar o jogo, um buraco a separar-nos da próxima secção do mapa. Como resolver isto? As hipóteses são infinitas quando se tem um personagem idêntico para todos os jogadores mas cada cérebro por detrás funciona de maneira diferente. Um disparou-se de uma catapulta para o outro lado. Outro ganhou balanço e saltou o máximo que conseguia e ao bom estilo Ethan Hunt (Tom Cruise em Mission Impossible) ficou pendurado na borda do buraco mas lá conseguiu balançar o corpo para escalar o buraco (como disse, Mission Impossible porque na vida real há nódoas negras – pelo menos!). Quatro de nós criaram um cordão humano e tentaram fazer uma ponte com os seus corpos passando uns por cima dos outros. Ainda um outro encheu o buraco de tralha que foi acumulando ao longo do caminho, tendo obviamente o maior estilo a sobrepor o buraco, de pé a caminhar sobre o mesmo como se nada fosse – tipo Jesus Cristo sobre a água meets aquele familiar semi-snob que todos temos que nos olha sempre de cima. E tudo isto feito meramente com um controlo para andar, saltar e agarrar, usando as mãos direita e esquerda independentemente.

Se a coisa chega a este ponto, as gargalhadas são garantidas!
A esta panóplia de complexidades de execução junta-se uma variante de níveis com desafios únicos, desde condução de veículos, manutenção de circuitos elétricos, destruição completa de secções do mapa com carruagens, explosivos ou wrecking balls (a favorita da Miley Cyrus). Cria-se assim uma combinação fenomenal para passarmos horas a rir enquanto tentamos resolver os desafios da melhor maneira, que nem sempre é a mais fácil, nem a mais simples, nem talvez a melhor.
E se Human: Fall Flat não é o melhor combo entre conseguir fazer-nos puxar pela cabeça (sem de facto sentirmos essa exigência mental como talvez a Beth Harmon em cada jogo de xadrez parecia que o cérebro lhe ia rebentar pelos olhos) e simultaneamente deixar-nos tão bem dispostos, a rir e felizes, então não sei que jogo poderá tomar esse lugar! Posso ter dormido pouco e ter estado cansado no trabalho mas lá bem disposto estava!














Comments (1)
MUITO BOM E LEGAU