
Caçada Semanal #257
Devia ter cerca de 11 anos quando fui pela primeira vez a uma loja Aki, ali no então-Intermarché de Telheiras. Para o meu avô aquela loja era uma espécie de Eldorado dos seus hobbies: enquanto antes tínhamos de fazer peddy papers por Lisboa por diversas lojas à procura de todos os materiais necessários, a partir daquele momento ele podia fazer tudo no mesmo espaço.
Apesar de ter tido sempre zero de aptidões para bricolage – facto que se estende até hoje – pensei que coleccionar e ler os folhetos de “Faça Você Mesmo” com diversas temáticas que se encontravam pela loja me iriam tornar mais interessado no assunto. Spoiler alert: não fizeram.
Os dois indies de hoje centram-se em trabalhos manuais, de formas distintas. E são a única forma de eu ter um mínimo de eficácia em bricolage. Acreditem.
Craftlands Workshoppe [PC]

É claro que vou apenas chamar Craftlands Workshoppe a um jogo cujo nome completo é Craftlands Workshoppe – Third Person Resource Management and Trading RPG.
Quando comecei a jogar a este jogo em Early Access fiquei com a impressão que já o tinha jogado. E não é para menos. O seu criador foi um dos criadores de Shoppe Keep, com um drama qualquer que fez a equipa bifurcar-se, e enquanto ele progrediu para este jogo, o restante desenvolveu a sequela que parece ter caído infinitamente no limbo do Early Access.
Fiquei surpreendido com o facto de existir espaço para este subgénero de resource management game, com vários jogos a seguirem as pisadas do sucesso de Recettear e de Battle Shop de Omasse.

Mas no caso de Craftlands Workshoppe, em oposição a Shoppe Keep, abraçamos a terceira pessoa e a simplicidade das acções que temos de fazer, desenvolvidas por barras e timer, sem quaisquer mini-jogos associados.
O objectivo final: masterizar as três “artes”: metalurgia, cozinha e alquimia, onde o foco do jogo é dado a actividades simples e à gestão, relegando tudo o resto para 2º plano. Recolher recursos, construir itens, armas e armaduras e vender pelo lucro optimizado. Este é o segredo de Craftlands Workshoppe.

Resta-nos esperar se este será um bom precursor deste subgénero ou se, como o seu “irmão”, ficará eternamente em alpha sem sabermos que caminho terá.
Breathedge [PS4, Switch, Xbox One, PC]

Sou só eu a achar que já existem survival games nos ambientes todos? É que entre ambientes de vikings, filmes do Tim Burton ou um Lost de trazer por casa faltava um ao estilo de Gravity de Alfonso Cuarón.
Em Breathedge estamos a levar as cinzas do nosso avô para um funeral galáctico quando a nave em que viajamos tem um acidente e a tripulação morre toda menos nós. É claro que a nossa missão passa a ser tornarmo-nos uma espécie de Reis da Sucata espaciais na primeira pessoa e tentar sobreviver o máximo de tempo possível, terminando os capítulos narrativos que o jogo possui.

Com oxigénio limitado quando saímos para o vácuo espacial, temos de voltar para a nave após cada pequena incursão pelos destroços onde recolhemos os habituais materiais de construção e demais recursos.
A movimentação assemelha-se a nadar, por isso a proximidade que tanta gente faz com Subnautica é quase imediata. O loop é o rotineiro: encontrar materiais e fazer craft de objectos que auxiliem a nossa sobrevivência, assim como novos instrumentos que nos permitam recolher novos recursos mais poderosos, e assim sucessivamente. Um loop algo repetitivo, que nem o enredo e o humor ajudam a disfarçar.

Mas a minha grande surpresa com Breathedge resumiu-se mesmo ao quão sólida é a direcção e execução artística deste título. Dentro de tantos clichés do género, sem dúvida o elemento mais memorável.













