A Hora do Meh #34

Eu sei que é primeiromundista estar aqui a usar uma sandes de pão ou água da torneira – duas preciosidades que nós, habituados à fartura de ter quase todos os alimentos à distância da mão, muitas vezes menosprezamos – como elementos de meh. Mas na realidade poucos prazeres da vida se assemelham a comer um pão acabadinho de fazer, ou uma fatia de broa de milho, ou matar a sede com um belo copo de água da torneira. 

Mas também já todos fomos à cozinha e percebemos que tudo o que tínhamos era um saco com carcaças com alguns dias, já um bocado duras, e possivelmente sem nada para lá colocar dentro. Mata a fome, satisfaz, mas dá pouco prazer gastronómico.

Os 3 jogos que trazemos conseguem estar abaixo disso. São três exemplos de jogos perfeitamente meh que escaparam por um triz de serem jogos que nos satisfizessem.

Trashed [PC]

Não costuma ser bom augúrio um jogo chamar-se Trashed. O pensamento quase instantâneo de ele poder ser lixo vem-nos à cabeça, mas não quero ir tão longe com este jogo indie em Early Access (e que até saiu deste modo por erro em Fevereiro).

Conceptualmente é um boa ideia: Trashed mostra-nos uma mistura entre jogo de acção e aventura e o que apelidam de Waste Management game. Coisa que é difícil de percebermos, tal é o número incrível de bugs que encontramos. Trashed, está numa fase muito, muito inicial do seu desenvolvimento e para mim não devia sequer estar em alpha público.

Os ramos das Forças Armadas: Força Aérea, Marinha, Exército e Cantoneiro Espacial.

Em Trashed temos de gerir o lixo que uma nave vai deitando no planeta onde habitamos (e onde aparentamos sermos os únicos seres vivos). Volta e meia essa chuva de lixo traz consigo monstros que temos de destruir em sequência de tiro na terceira pessoa. É também com a nossa arma que destruímos os pedaços maiores de lixo, desfazendo-os em pequenos destroços para serem reciclados.

A fase de reciclagem ocorre em pequenas máquinas que vamos construindo na superfície do planeta, e para onde conduzimos os destroços.

Em termos de jogos de lixo, está apenas uns furos abaixo do grande City Cleaner.

Com tantas falhas e indecisões necessita de mais para valorizar o seu conceito… diferente.

Cat Colony Crisis [PC, Android]

Visto que estamos há quase 14 meses a gerir a pandemia aquilo que menos estava à espera era de me calhar na rifa um jogo que é, segundo os autores, um Among Us mas com gatos.

Cat Colony Crisis coloca-nos a tarefa de gerir um nave espacial onde um misterioso patógeno anda a afectar os gatos que por lá andam. Pensava que, dada à pandemia, ia gostar mais deste jogo do que imaginava… mas enganei-me.

Ui, máscara, que atentado aos direitos…

Sei bem que Cat Colony Crisis foi feito como forma de criar alguma pedagogia em torno da proliferação da doença que nos assola a todos, mas há algo que me parece ter falhado. Mecanicamente acho-o muito superficial, e temos pouquíssimas acções para conseguirmos agir perante os nossos gatos doentes. 

Vamos tendo pequenos indícios de que gatos estão doentes e temos de decidir quem colocar em quarentena, fazer testes, isolar, obrigar a máscaras e tudo isso que infelizmente conhecemos do mundo real.

Cat Colony Crisis é um jogo irrealista. Faltam chalupas.

Mas o loop esgota-se, especialmente sendo um jogo single player. Um jogo com “traidores” (neste caso “infectados”) onde somos uma entidade sem corpo a tentar identificar gatos doentes no meio de uma nave parece um conceito engraçado, actual, mas esgota-se mais rapidamente do que o tempo que leva a fazer um teste com zaragatoa.

Ezaron Defense [PC]

Lembram-se quando haviam tower defenses como se fossem cogumelos? O Pepperidge Farm lembra-se. E eu também. 

Ezaron Defense é um tower defense clássico e banal, visualmente tão meh que temos a certeza que já nos cruzámos com centenas de cópias iguais pela Play Store. Um jogo com um ambiente de fantasia tão esquecível quanto muitos dos livros lançados ao quilo na época do lançamento dos filmes de LOTR do Peter Jackson.

A memória deste jogo vai desaparecer em 3… 2… 1…

Pouco adiciona ao género e a nossa vontade de terminar os 20 níveis que o compõem é pouca ou nenhuma. E o que adiciona é um elemento entre jogos onde gerimos uma cidade e fazemos upgrades que se reflectem depois em cada missão. Um minijogo de city builder desnecessário que ninguém pediu.

O tuaíneuane da mediocridade.

Ezaron Defense pega em duas coisas diferentes e feitas de forma mediana, um city builder superficial e um tower defense simplório e mistura tudo numa das experiências mais esquecíveis que podemos ter. E acreditem que no auge da minha febre de tower defenses joguei muitos, muitos jogos do género e a maioria não valiam a nossa perda de tempo… como este.