Ao Aquiles bastava que lhe fizessem mira ao calcanhar para o tramar, a mim, neste momento em que me debato com o pico das minhas alergias, basta que me acenem com um ramo cheio de flores ou uma mão-cheia daquele algodão que cai das árvores e eu até choro. Literalmente.

Se não quiserem ser tão drásticos, deem-me um tycoon. Nos últimos anos tenho jogado de tudo, sendo que aquele que mais me deixou ligado este ano até é um relativamente desapontante tycoon sobre cannabis e carteis de droga. Desta vez fui aliciado, qual marinheiro pelo cântico de uma sereia, por mais um tycoon que me pede para plantar. Mas desta vez folhas de chá.

(de nada, agora também ficam com isto na cabeça como eu tenho)

Two Leaves and a bud – Tea Garden Simulator, recém lançado em Early Access é mais do que um jogo de gestão: é um verdadeiro simulador de produção de chá.

Sou um grande apreciador de chá, mas o meu conhecimento sobre os seus métodos de produção são perto de zero. Entrar num tycoon indie de algo tão específico como este conduziu-me, logo ao final do tutorial, a perceber mais sobre a produção.

Não basta fazermos crescer as folhas de chá, há todo um processo de tratamento que vai ramificar nos muitos tipos de chá que bebemos.

Será que existe alguém que nos acompanhe e que saiba que os diversos tipos de chá, seja o preto, verde, branco, oolong, entre outros, são feitos a partir da mesma planta? O tempo e momento de processamento das folhas é que diverge, garantindo os diferentes sabores e características dos diversos tipos de chá. Um momento the more you know trazido por um pequeno indie em alpha.

Mecanicamente este Two Leaves and a bud é um quase exagero de micro-gestão. Não existem automatismos nenhuns: temos de ser nós a construir todos as plantações e meios de processamento, assim como somos nós, quem tem de colher as plantas e tratá-las nas diversas máquinas. A gestão dá lugar a meros cliques, e se queríamos exercitar o cérebro, rapidamente percebemos que vamos exercitar apenas o indicador a carregar no botão do rato.

Estas máquinas têm funções diferentes e algumas configurações simples que temos de apurar em sequência. Tempo de processamento e temperatura são os mais frequentes, e a ordem como processamos as folhas de chá nas diversas máquinas vão contribuir para tipos diferentes de chás como resultado final.

Felizmente que não temos que passar a ser especialistas de chá para saber temperaturas e tempos de processamento. O jogo inclui um manual de processamento por tipo de chá que nos vai seguir de guia para produzir os chás pedidos pelos clientes.

O loop mecânico vai rondar muito em torno da ideia de respondermos aos pedidos de chás diferentes pelo nosso empregador. Temos de responder aos pedidos não só com o tipo de chá, mas na gama de qualidade (medida em estrelas) que a encomenda requer. A dificuldade vai começar nesta necessidade de criar plantações e produções cada vez com uma qualidade mais elevada, num sistema que vai introduzir especialistas/avaliadores, e outros dispositivos que vão processar as enzimas das nossas folhas e melhorar a qualidade geral do nosso chá.

Mas é isto. Apenas isto, por enquanto. Sem quaisquer automatismos: temos de ir pegando nas folhas de chá, desde a plantação, e através de todas as máquinas, até estarem prontas para venda. E fazê-mo-lo nós mesmos. Depois de configurarmos uma série de máquinas em linha para produzir os diferentes tipos de chá (para que não tenhamos de estar sempre a reconfigurar) temos apenas de esperar os tempos definidos e andar a “passear” as folhas de máquina em máquina.

Two Leaves and a bud esforçou-se tanto para ser o mais fiel e realista possível – e ainda ser extremamente pedagógico pelo meio – que se foi esquecendo de ser um jogo, especialmente um cujo loop mecânico não se esgote nos primeiros minutos. Um tycoon sem grande desafio não é um tycoon. É apenas um idle game onde vamos clicando para ver números a subir.