Para quem aprecia música, há certos momentos em que a nossa cabeça precisa de algo mais calmo. Para mim, a comparação directa no que toca a videojogos é lançar Cities: Skylines, para apreciar durante horas uma cidade a evoluir sem grandes pressas e sem grandes dificuldades que me obriguem a focar demasiado quase ao ponto de rebentar uma veia na testa! Por outro lado, às vezes a cabeça pede aquelas músicas como Through Fire and Flames, dos DragonForce, em que é preciso ter um ataque epiléptico para dançar minimamente no ritmo, e gritar o refrão até ficar sem voz para expelir todos os demónios que acumulámos ao longo do dia. Transpondo novamente a comparação para o universo dos videojogos, tenho-me debruçado, para esses momentos acelerados, em Warhammer: Vermintide 2

Para quem o jogo é novidade, Vermintide 2 é o produto de uma noite de romance intenso entre Diablo e Left for Dead, em que a criança herdou apenas os bons genes de ambos os pais. A ideia do jogo é simples: há 5 heróis à disposição para escolher, cada um com 3 especializações diferentes que se podem ir desbloqueando, e o objectivo é ir de um ponto A a um ponto B, derrotando pelo caminho criaturas – que vão aparecendo às centenas – com um arsenal de armas que permitem ao jogador escolher entre curto alcance, espingardas ou até staves que disparam fogo como um lança-chamas!

Fico todo feliz quando vejo uma horde a vir na minha direção.

Onde o jogo brilha é no caos e na forma como o jogador lida com esse caos;  pode-se escolher entre espadas ou machados para curto alcance, focando em armor penetration e fazer danos a todos os que aparecerem à frente, ou martelos para, em vez de fazer muito dano, mandar os inimigos ao chão e ir controlando a multidão enquanto os aliados vão fazendo limpeza (sim, volta e meia de tanto abanar um machado já parece que estamos com uma vassoura a limpar ratos mortos…).

E falando em aliados, chego ao aspecto cooperativo deste jogo: sem cooperação Vermintide 2 é extremamente duro nas dificuldades mais altas. Aliás, é impossível sem cooperação! Os inimigos são tantos, os itens de curar são tão escassos e os bosses têm mecânicas tão complicadas de executar sozinho que torna fundamental a cooperação entre membros da equipa. O jogo até antecipa a nossa dificuldade e coloca Bots a jogar connosco, mesmo que queiras ir sozinho, o que por si só já são os developers a dizer “não vais sozinho que não deixo!” (como uma mãe preocupada que manda o filho ir com os amigos para a escola, mesmo que o caminho seja só 100 metros e a tua mãe te veja pela varanda da sala o percurso todo!)  

Um novo mapa que nos permite explorar as pilgrimages a nossa vontade.

Agora que estão contextualizados, passemos ao que me trouxe aqui hoje: saiu recentemente uma expansão gratuita para Vermintide 2 chamado Chaos Wastes, que traz mecânicas novas ao jogo, tornando-o mais próximo de um roguelike experience. Chaos Wastes permite aos jogadores entrarem num lobby novo onde podem juntar-se ao que o jogo intitula de pilgrimages, onde os jogadores têm de fazer uma série de níveis aleatórios com modifiers também sorteados até concluírem o último nível e receber as recompensas pelo esforço.

Embora as recompensas sejam as mesmas que num nível normal de Vermintide 2 (armas novas e mais poderosas são sempre bem-vindas claro!), este DLC veio trazer uma lufada de ar fresco ao game loop repetitivo de “grindar”, sempre com as mesmas missões e com os mesmos objetivos; com a ajuda dos modifiers, as habilidades que se podem ir ganhando e os desafios que vão surgindo de nível para nível (também aleatoriamente), cria-se uma infinidade de combinações possíveis de níveis para manter o nosso apetite de matar e estripar bem frescos (soei demasiado sociopata?)! Para juntar à festa, e como tem vindo a ser uma constante em jogos recentes, o Twitch mode também está presente, permitindo aos criadores de conteúdos das plataformas de streaming interagir com a audiência em tempo real, através de decisões tomadas pelos subscritores que impactam a jogabilidade diretamente.

Para um jogo com quase dois anos e bastantes DLCs, foi uma excelente iniciativa da FatShark lançar o DLC gratuito com tanto conteúdo que permite aos seus fãs aproveitarem mais umas boas horas a chacinar monstros, aliviando o stress que tanto temos acumulado no passado recente. E quem não é feliz a chacinar? Demasiado psicopata sem dúvida…