Caçada Semanal #264

Temos um velho hábito de achar que os jogos ditos de carros têm todos que ser de corridas. O mercado AAA com os seus jogos de condução hiper-realistas veio implantar essa certeza na nossa mente, que os jogos de carros são quase reproduções miméticas da realidade.

Mas nestes 3 indies não, muito pelo contrário. Este 3 jogos mostram o quão diferente se podem construir um jogo em que os veículos de quatro rodas são reis.

Minit Fun Racer [PC]

Há uns anos ficámos deliciados e presos a Minit. Um jogo em que cada playthrough durava precisamente… 1 minuto. Os seus developers regressaram este ano com um jogo extremamente original, e ainda por cima um jogo que custa 2,99€ e cujos lucros vão para os Médecins Sans Frontières.

Ao contrário do seu antecessor, em Minit Fun Racer cada run tem 10 segundos até perdermos o jogo. É claro que chamar-lhe Tensecundit Fun Racer não teria o mesmo impacto, portanto coloquem as vossas críticas ao aparentemente enganador título de lado e aguardem.

Neste jogo de 1-bit conduzimos uma motorizada num ecrã de side-scrolling cheio de obstáculos. À medida que vamos ultrapassando esses obstáculos vamos recolhendo moedas – roguelike style – que nos permitem comprar upgrades permanentes.

O curioso deste jogo é que nem sempre chegar ao fim do nível é o objectivo principal. A uma certa altura vamos percebendo que dados os upgrades, que vamos sendo até impulsionados a chocar contra latas do lixo e outros obstáculos, na senda de recolher ainda mais moedas para comprar mais upgrades.

Divertido e original, é mais do que notório que Minit Fun Racer é um jogo construído sobre a repetição das runs. Só após termos grind suficiente de moedas e comprado todos os upgrades que nos permitam estender o tempo (e não só) é que vamos conseguir terminar os níveis, e, com tempo chegar ao fim do jogo.

Minit Fun Racer é um dos jogos mais originais a implementar elementos de roguelike, para além de ser um jogo altamente criativo, solidário, e que custa apenas 2,99€. Mais obrigatório que isto… não estou a ver.

The Bus [PC]

Tantas vezes falamos de jogos de condução e esquecemo-nos do gigante mercado que existe em termos de simuladores. Jogos cujo público é maioritariamente europeu (e cujos criadores também provêm do Velho Continente) e que retiram o glamour de simuladores de condução e trazem este acto para um elemento mais terra-a-terra.

Com algumas séries de peso no mercado, é curioso ver dois nomes grandes deste género a unirem, esforços para criarem uma nova franquia. Seja a Aerosoft com os seus On the Road e Tourist Bus Simulator, este último criado pelos TML Studios, que assinam o desenvolvimento de The Bus.

Ainda em Early Access, não é por acaso que o lançamento inicial de The Bus se centra na capital alemã: Berlim. Não fosse a Alemanha o país com maior consumo de simuladores, e quase ficaríamos surpreendidos pela atenção dada à cidade, com uma escala de 1:1.

A física de controlo e feedback de condução do autocarro é interessante, e mesmo eu que nunca conduzi um veículo pesado de transporte de passageiros (nem estou habilitado para isso) sinto que há uma grande verosimilhança. Talvez o facto de sentirmos o impacto dos pequenos relevos da estrada nos ajude a trazer esta ideia, para além da experiência dos TML Studios a desenvolverem simuladores de autocarros públicos ajude ao aprimorado da simulação.

Como se espera, não vamos andar a fazer corridas ou a ver a textura de carros desportivos como se estivessem mesmo à nossa frente. Mas com uma longa estrada de desenvolvimento pela frente, The Bus tem o potencial actual para ser um dos grandes simuladores do seu género no futuro próximo.

The MoneyMakers Rallye [PC]

Para fechar esta caçada temos um jogo de corridas, mas nada convencional. Um jogo onde estamos num rally por toda a Europa a tentar ser o mais rápido rico. Sim, leram bem. Em The MoneyMakers Rallye estamos a competir contra até outros 7 jogadores para sermos os mais ricos do rally.

Numa óbvia mistura entre Monopoly e um jogo de corridas, The MoneyMakers Rallye é na realidade um jogo de tabuleiro digital. Uma reinterpretação do velhinho Dr. Dragon’s Madcap Chase e que chega há semanas ao Steam.

Sendo um jogo onde a competição é tudo, é mais do que salutar que Remote Play Together venha incluído, para que possamos competir com amigos, especialmente nestes tempos de pandemia em que o couch co-op é menos convidativo.

Em cada etapa da corrida o jogo define uma cidade-alvo, e o primeiro jogador a atingi-la recebe o prémio pecuniário. Podemos adquirir propriedades (lembram-se de eu dizer que o jogo se assemelhava ao velhinho jogo sobre o capitalismo?), sendo que as “casas” onde podemos calhar têm 4 cores distintas. As azuis, dão-nos capital, e as vermelhas fazem-nos perder. As amarelas dão-nos cartas de evento e as roxas permitem-nos vender ou comprar essas cartas.

Depois de jogar algumas partidas – a maioria contra IA, o que não é de todo o ponto alto do jogo – senti que o jogo só não se chama Monopoly Rally porque a licença para usar o nome é demasiado cara para que este pequeno estúdio indie a possa pagar à Hasbro. 

Sendo um jogo de tabuleiro digital e sem ser sequer dos mais reconhecidos (ou adaptações dos grandes jogos que enchem o mercado físico) tenho algumas reticências em achar que os seus 15€ de preço sejam totalmente bem empregues.