Caçada Semanal #265

Garantiram que pudéssemos estar em segurança durante a pandemia, conseguiram entregar-nos o que necessitávamos sob o lema dos Correios, e fizesse chuva ou Sol enfrentaram um ambiente hostil para nos trazer aquele carregador USB que estávamos a precisar e que encomendámos na Amazon. Nunca lhes agradeceremos o suficiente pelo muito que fazem, pelas longas horas de trabalho e pela remuneração que infelizmente nem sempre acompanha a sua dedicação.

Esta caçada é uma ode de 3 jogos indie a todos os estafetas e equipas de mudança que nos ajudaram antes e durante a pandemia.

Moving Out: Movers in Paradise [PC, PS4, Switch, Xbox One]

Um dos jogos que nos acompanhou na fase mais crítica da pandemia e que até teve honras de chegar às minhas menções honrosas de 2020 foi Moving Out. O bizarro e hilariante jogo co-op completamente exagerado que nos transformava na menos credível empresa de mudanças da História ao preço de uma boa gargalhada.

Movers in Paradise é o novo DLC deste divertido jogo da Team17 que nos faz mudar de ares da pequena mas simpática cidade onde distribuímos os nossos [des]serviços de mudanças, e abraçamos a tarefa de fazermos mudanças para cenários veraneantes.

É claro que num jogo deste género não poderíamos esperar que tudo se resumisse a corredores de estâncias balneares com tudo organizado e acessível. Muito pelo contrário. Preparemo-nos para as adições mecânicas de montanhas, ilhas tropicais, geysers, para além de animais selvagens que vão interferir com o nosso trabalho. 

Se os níveis do jogo original eram mais centrados em ecrãs com pouca largura, os níveis de Movers in Paradise são muito mais longos, sinuosos, e representam eles mesmos puzzles dentro de puzzles. Um pouco à semelhança de alguns poucos níveis da cidade que nos obrigavam a resolver primeiro a forma de atravessar determinado cenário, e só depois mover os objectos até à carrinha.

Movers in Paradise é criativamente muito mais solto que o jogo base e isso vê-se nas ideias tresloucadas que cada novo nível nos apresenta. Com um level design mais ambicioso que eleva o desafio de Moving Out para outros destinos. Por 7,49€ este é o complemento perfeito para um dos mais divertidos jogos cooperativos de Física dos últimos anos.

Totally Reliable Delivery Service [PC, PS4, Switch, Xbox One, iOS, Android]

Para a quantidade de encomendas que recebo, tenho a agradecer o facto de que os estafetas das diversas empresas que lá vão levar objectos à porta não sejam sequer próximos daquilo que nós somos em Totally Reliable Delivery Service. Quer dizer, exceptuando quem quer que seja que anda a distribuir a operadora Hermes em Portugal, que alegou que tentou entregar-me uma encomenda duas vezes, devolveu-a ao remetente, sem eu nunca ter tido contacto com ninguém. E sim, já fiz reclamação.

Em Totally Reliable Delivery Service, o novo jogo cooperativo baseado em bizarria e Física da tinyBuild, mais um que amavelmente podemos partilhar através de Remote Play Together (ou não fosse a componente cooperativa o seu grande louvor) coloca-nos no papel de uma empresa de estafetas. Mas uma daquelas que está ao nível da empresa FARTS de mudanças de Moving Out: com mais riso e menos profissionalismo.

Ensombrado com alguns problemas de bugs e de controlos que a pequena equipa do estúdio We’re Five Games tem estado a tentar a resolver, o conceito de Totally Reliable Delivery Service é aquele que imaginam: cooperar para levar encomendas até ao destino da forma mais rápida (e parva) possível. 

Tarefa que vai incluir diversos tipos de veículos, como carros, lanchas, mas também a possibilidade de nos crescerem asas de morcego. Porquê? Porque não?

Aguardo com ansiedade que os pequenos problemas de customização e controlo vão sendo resolvidos para que Totally Reliable Delivery Service atinja o potencial que nos mostrou a todos nos seus eventos de beta de sucesso que deixaram tanta gente com grandes expectativas em torno deste indie.

Pile Up! Box by Box [PC]

Se falámos de equipas de mudanças e de estafetas, faria todo o sentido que dedicássemos alguma atenção às caixas propriamente ditas. Esses preciosos objectos que tantas vezes guardam objectos, lembranças e prendas ansiadas e que são rasgadas com a energia proporcional à expectativa que temos de ver o seu conteúdo.

Este jogo familiar não é inovador de forma alguma. Aliás, quem o começar a jogar e não sentir que Pile Up! Box by Box é na realidade uma interpretação colorida e tridimensional do magnífico BoxBoy, ou não consegue o jogo da Nintendo ou perdeu qualquer sensibilidade videolúdica.

Somos uma simpática caixa que consegue fazer aquilo que as caixas mundanas não conseguem: correr, saltar e explorar um mundo colorido feito de papel e cartão. Há um carinho muito grande em todos os pormenores que compõem este mundo que pode ser desbravado de fio a pavio em cerca de 3 horas. 

Um daqueles exemplos em que gostamos tanto da originalidade e da capacidade de iterar sobre ideias simples que queremos mais, e mais conteúdo.

À semelhança com os outros jogos desta caçada, também Pile Up! Box by Box tem a possibilidade de cooperativo local ou com Remote Play Together para resolvermos os seus muitos puzzles.

A criatividade e inteligência dos puzzles é tão interessante e tão bem estudada que até hoje – e depois de ter terminado o jogo – acho curioso como é que foi possível partir de uma premissa simples e ir adicionando complementos – como novas habilidades à nossa caixa de papelão – e manter o jogo sempre “fresco”.

Talvez um dos segredos seja aquilo que muitos jogos, filmes, séries e livros não sabem fazer: saber terminar em nota alta. E Pile Up! Box by Box, num dos mais divertidos e originais puzzle games cooperativos deste ano.