Às eventuais duas ou três pessoas que me seguem desde a Hyped não é estranho o facto de apenas recentemente ter descoberto a maioria das franquias Nintendo. O ano passado descobri e adorei Pikmin. The Wild at Heart parece escrever uma carta de amor a várias franquias da Nintendo, sobretudo Pikmin, mas ao contrário de vários jogos que acabam por se perder pelo caminho e descambarem numa miséria franciscana, este saiu excelente!

Em The Wild at Heart começamos por jogar como Wake, que mais tarde se reúne com a sua amiga Kirby (perceberam? Wake Kirby?!), ambos fugidos de casa onde são negligenciados pelos pais. O plano cuidadosa e metodicamente elaborado por duas crianças é alterado após uma curiosa criatura desviar Wake para os Deep Woods. Rapidamente nos é dado um lamiré de história, são-nos explicadas as mecânicas e percebemos que agora estamos a lutar para preservar a integridade dos bosques. A história é bastante profunda e toca em pontos muito sensíveis, no entanto toda esta robustez está camuflada por um estilo de jogo muito jovial, no fundo exactamente o contrário do que aconteceu com Days Gone, aqui parece que os produtores até querem que a história fique em plano de fundo, mas está lá. Está sempre lá. Podemos nem sempre pensar nela, mas duma forma ou de outra quando desligamos o jogo há algo que ficou cá dentro e nos deixa a pensar.

A primeira mecânica chave deste jogo envolve os Spritelings, pequenos seres que podemos atirar para que executem algumas acções por nós. Se conhecerem o jogo, é algo decalcado da mecânica usada em Pikmin. Numa fase inicial pensei que o jogo fosse apenas tentar copiá-lo, mas usando lindíssimos gráficos tipo pintura à mão, porém o jogo é muito mais que isso. The Wild at Heart vai buscar inspiração a muitas franquias de Nintendo e junta tudo tornando o jogo, de certa forma, único. Posso dar outro exemplo, Wake tem um aspirador similar ao do Luigi em Luigi’s Mansion que usa para efectuar diversas acções, o jogo tem um mecanismo de crafting em que se juntam três itens para criar outro como em Zelda Breath of the Wild, entre outros.

Na fase inicial jogamos essencialmente como um Metroidvania, andamos para trás e para a frente a encontrar recursos ou desbloquear habilidades que nos permitem por sua vez aceder a novas áreas. O que reparei é que é possível ficarmos empancados se escolhermos as habilidades erradas, por isso temos de ter cuidado com os upgrades que fazemos.

Lentamente vamos descobrindo Spritelings que nos permitem aceder a novos locais já que interagem com diferentes elementos realizando acções diferentes, contudo o que transforma mesmo o jogo é o momento em que nos juntamos à nossa amiga Kirby e o jogo abre uma nova faceta, a de puzzle, passando a jogar-se como um jogo cooperativo em que controlamos ambos os personagens.

Se Wake tem um aspirador que serve essencialmente para sugar materiais dispersos no cenário ou chamar os Spritelings, Kirby tem uma lamparina mágica que realiza mais ou menos a mesma coisa, mas interagindo com matéria mágica em vez de matéria física. Esta mecânica de aspirar disfarça muitos dos problemas que temos com a navegação dos bonecos, já que nem sempre é fácil perceber a sua posição exacta no cenário, e aspirando em toda a volta raramente temos a necessidade expressa de ter essa certeza.

Raramente os puzzles são muito complicados de resolver. Podemos ficar alguns momentos a coçar a cabeça, mas somente para de seguida percebermos o que nos está a escapar. A luta em si também vai ficando mais difícil consoante vamos abrindo novas áreas, levando a que muitas vezes deixemos morrer alguns Spritelings que depois temos de voltar a semear (o termo é chocar, como nos ovos). O processo de obter as sementes é muito simples e intuitivo e nunca temos falta de nenhum deles.

É muito simples obter também todos os materiais que necessitamos. Não há propriamente um grind no jogo, as coisas vão aparecendo e praticamente sem esforço obtemos tudo o que precisamos, já os materiais específicos para cada missão por vezes estão escondidos atrás de muitos puzzles.

De noite temos de fugir para a segurança do nosso acampamento

Outra das mecânicas do jogo é que temos de fugir da noite. De noite um espírito persegue-nos e não temos maneira de o destruir. Não é difícil fugir dele, basta não ficarmos encurralados e não devemos ter problema. A única maneira de escapar é voltarmos ao acampamento e dormirmos durante a noite. Temos problemas é no tempo relativamente curto que um dia demora. Por vezes estamos quase a descobrir algo novo e temos de correr de volta para o acampamento. Fica chato.

Assim temos em The Wild at Heart um jogo que copia muita coisa e consegue ser original. É impressionante mas é assim mesmo. São jogos como este que me fazem adorar isto que faço como hobby. Nunca tinha ouvido falar nele. Instalei porque tenho o Game Pass e o trailer pareceu interessante. É bastante bom. É lindo de morrer! Não conheço outro jogo da Moonlight Kids e sendo o primeiro foi um começo excelente. Não fiquem com dúvidas por causa do preço, é um jogo de mão cheia!