Caçada Semanal #270

Sou um militante dos indies. Não tenho um cartão de visita que o diga mas há quase uma década que me dedico a investigá-los e a divulgá-los. 

Muitos dos jogos que jogo semanalmente serão esquecidos, mas há outros que fazem algo diferente, que inovam e que são suficientemente originais para marcarem. Os dois jogos desta Caçada são alguns desses exemplos.

Labyrinth City: Pierre the Maze Detective [PC, iOS, Android, Mac, Linux]

O ano passado, em plena pandemia, decidimos comprar todos os livros de Where’s Wally? – do inglês Martin Handford – para o nosso filho mais velho. Aqueles livros ilustrados ricos visualmente (e em conteúdo) sem ter de proferir muitas palavras encheram a nossa infância, e nessa passagem de testemunho apresentámo-los a uma nova geração.

Nessa pesquisa encontrei aquele que deve ser o sucessor de Handford, Hiro Kamigaki e a sua série Pierre, the Maze Detective. Com alguma felicidade percebi que essa série de livros estava a ser adaptada para videojogo, e eis que alguns meses depois sai Labyrinth City: Pierre the Maze Detective, um jogo único que deveria ser jogado por todos os pais e filhos.

Cada nível de Labyrinth City: Pierre the Maze Detective é como um dos planos intrinsecamente ilustrados dos livros. Como uma grande diferença: os milhentos personagens e detalhes são animados, e muitos deles são interactivos.

O objectivo de cada nível é muito simples: levar Pierre do ponto inicial até ao ponto/personagem indicado, mas para isso temos de encontrar o caminho livre por este verdadeiro labirinto de figuras e detalhes que nos preenchem o ecrã.

Com uma narrativa subjacente que vai sendo descortinada em diálogos com personagens, e onde descobrimos os planos do maléfico Mr. X, pelo caminho vamos descobrindo alguns objectivos secundários e secretos.

Jogar Labyrinth City: Pierre the Maze Detective é deixar-nos perder por um brilhante livro animado.

Quinterra [PC]

Ontem falávamos de deck-builders originais, e em muitos aspectos tangenciais, quase que conseguiríamos colocar este Quinterra no conjunto. Lançado há dias em Early Access no Steam pelos Sidereal Studios, Quinterra é tactical strategy game roguelike, onde cada nova run representa uma expedição da nossa raça pelo homólogo planeta Quinterra.

A barra de vida do nosso grupo é representado pela nossa moral colectiva, que começa nos 50 e que vai sendo delapidada nos nossos avanços, mas é sobretudo no combate que esse desgaste vai ocorrendo.

Cada playthrough é proceduralmente gerada, conduzindo a que cada run tenha recursos iniciais distintos e nos coloque em locais diferentes do planeta. Já a exploração pode ser feita em 2 momentos: sejam eventos ou combates, que ocorrem num mapa hexagonal, cumprindo as “regras” e os ingredientes de tantos outros tactical strategy games.

Temos quatro raças diferentes para jogar, cada uma começa num local diferente de Quinterra. Cada combate em si mesmo tem objectivos de vitória distintos, seja conquistar espacialmente o mapa, seja eliminar todos os inimigos ou o boss.

Os nossos exércitos são representados numa espécie de “baralho” onde só podemos ter 10 elites, 2 minions e 2 estruturas, e onde gastamos recursos que recebemos a cada turno para os “invocar”. 

A profundidade mecânica das muitas unidades e estruturas obrigam a que conheçamos bem cada uma delas, visto que algumas táticas recorrentes de outros jogos de vencer pela superioridade numérica não se aplicam de forma alguma às exigências tácticas de Quinterra.

Vamos perder muitas vezes, mas isso é inerente à própria aura de roguelike. Fica a aprendizagem e as unidades e estruturas que vamos desbloqueando para futuras runs. Com o conteúdo e panóplia de “cartas” disponíveis e previstas, Quinterra tem tudo para ser um dos mais interessantes jogos do género quando chegar ao seu lançamento final.