Estou de volta, talvez ad-hoc ou talvez a um ritmo muito mais lento que o meu anterior mas pelo menos vou tentar agraciar as páginas electrónicas do Rubber Chicken com a minha presença ocasional. Não vou, pelo menos para já entrar por campos de videojogos tendo em conta que de Janeiro até Julho joguei 4 jogos por mais de 1h e tentei jogar mais um mas nem consegui acabar o tutorial. Sim Dark Alliance, estou a olhar para ti. Portanto, se não vou escrever sobre videojogos, vou escrever sobre o quê? Simples, Board Games. Começando pela mais recente aquisição para a minha ainda leve coleção: Cartographers do belo ano de 2019 antes da porcaria em que o nosso mundo se tornou…

Mas vamos ao que interessa que é o jogo propriamente dito. A Thunderworks Games já tem um certo historial de jogos de base narrativa como Roll Player em que se criam heróis. Cartographers de Jordy Adan tem uma perspectiva mais geográfica. Em vez de criar um personagem que irá viver aventuras, somos cartógrafos que seguem um edito real para registar a expansão e os limites do reino. O jogo é relativamente acessível a jogadores pouco habituados a estas andanças e pode ser desfrutado por um jogador a solo ou até 100 jogadores (este limite é devido ao número de páginas incluídas na caixa mas podemos sempre imprimir mais, portanto o céu é o limite). Dentro da caixa vem um bloco de 100 folhas quadriculadas de 2 lados, 4 lápis e várias cartas de jogo.

Em teoria é bem simples, mas isso é o que se pode dizer sobre quase tudo. Quando metemos as mãos na massa o caso não é sempre assim. Resumidamente: os jogadores têm um ano para mapear o território. Há uma série de cartas que de modo aleatório irão estipular as pontuações e os jogadores irão retirar cartas que mostram o que devem desenhar em cada estação. Mas vamos por partes: a primeira coisa a fazer é colocar aleatoriamente os éditos reais da Rainha Gimnax colocando quatro cartas, cada uma retirada de um grupo específico para cada um dos éditos. Estas cartas vão ser as bases das nossas pontuações em cada estação. Após isso baralham-se as cartas de terreno com uma carta de emboscada e começamos a Primavera.

 

Retiramos uma carta de terreno e cada jogador tem que a desenhar legalmente no seu mapa com cores e ou símbolos para cada um. As cartas podem ser de terreno único ou duplo. Nesse caso cada jogador escolhe o terreno que prefere para a sua estratégia, podendo sempre virar a orientação do desenho na base mas nunca mudando a forma. Pensem no Tetris. É isso. Podemos rodar a carta em qualquer orientação mas não podemos mudar a forma. Quando todos os jogadores desenharem a sua parte, retira-se outra carta e repete-se o processo. Se durante uma estação aparecer uma carta de emboscada os jogadores passam a sua folha a um adversário, este desenha a forma de emboscada na folha e devolve de modo a tentar que o adversário tenha pontos negativos. Existe uma formúla para o fazer em modo solo também.

Cada carta de terreno tem um número no canto superior que é quanto tempo demora a explorar esse território na estação. Quando o somatório de cartas de terreno é superior ao valor da estação, por exemplo a Primavera tem uma duração de 8 mas o Inverno dura 6, somam-se os pontos. Aqui entram em campo duas coisas, a estratégia aliada aos éditos reais já que cada estação vai buscar as pontuações a dois de cada vez, No Verão utiliza-se B e C, enquanto no Outono C e D. Aqui entram em campo duas coisas, a estratégia aliada aos comandos reais (já que cada estação vai buscar as pontuações a dois de cada vez, no Verão utiliza-se B e C, enquanto no Outono C e D) e as emboscadas que dão pontos negativos. A componente de calcúlo avançado é bastante importante aqui porque ao saber que podemos fazer bastantes pontos no édito D (contabilizado no Outono e Inverno), podemos preparar e “sacrificar” pontos durante um turno de pontuação do Verão por exemplo.

 

Pouco a pouco nest espécie de Tetris em papel os jogadores vão enchendo a sua folha e ao fim de cada estação as pontuações são somadas. Parece fácil, mas com o avanço do ano sobra cada vez menos espaço no papel que combinado com as necessidades das ordens reais e que a cada estação acrescenta-se uma carta de emboscada ao baralho a liderança do jogo pode virar a cada turno ou estação. Existem outras pequenas nuances de pontuação que são mais interessantes apenas para quem irá jogar mas no geral Cartographers – A Roll Player Tale é um bom jogo para uma sessão calma com amigos ou no meu caso particular para jogar a solo. Após umas sessões de teste está confirmado que será um dos jogos que me irá acompanhar nas minhas futuras férias de verão. Para quem não estiver interessado numa versão física do jogo, também está disponível para mobile Android e IOS, mas não posso dar uma opinião sobre esse porque não testei mas aprovo vivamente a versão física.