Depois de alguns anos de desenvolvimento deste simulador policial pelas mãos da portuguesa BigMoon Entertainment (hoje Saber Porto), podemos encontrar no Steam com bastantes más reviews o jogo desenvolvido e lançado pela empresa gaiense, sob o nome Police Simulator: Patrol Duty. Do que podemos supor que foi uma separação pouco amigável (o jogo originalmente estava a ser desenvolvido em parceria com a Astragon) vemos finalmente chegar ao Steam em Early Access no perfil oficial da editora alemã este Police Simulator: Patrol Officers. Confusões à parte com nomes e versões, aqui ficam as nossas primeiras impressões a este título.

Há muito que desejo um GTA mas do lado “certo” da Lei. Há quem diga que isso já existe e se chama LA Noire, mas não é bem essa versão cinematográfica a que me refiro. O que queria ver era um sandbox open world onde vestiríamos o papel e a farda de um polícia comum. Onde, ao contrário de GTA, percorreríamos as ruas da cidade virtual em que o jogo se passa a fazer cumprir a Lei. Passando multas de estacionamento e indo até acções de confronto armado com organizações criminosas.

Police Simulator: Patrol Officers fica a meio caminho disso. Para compreendermos bem as diversas formas do nosso dever enquanto agente da autoridade, temos diversos tipos de turnos para cumprir. O primeiro, o de polícia de giro, obriga-nos a prestar atenção a estacionamentos e matrículas. Somos avaliados pela nossa eficácia e cumprimento da Lei, e qualquer multa passada de forma indevida representa uma nota negativa na nossa avaliação diária, o que pode, em extremo, significar a nossa expulsão e despedimento das forças policiais. 

O jogo não seria um sandbox se eu não tentasse fazer as coisas mais disparatadas. Uma delas – e já adivinharam decerto porque iriam fazer o mesmo se começassem a jogar um simulador policial – é o de apontar uma arma de forma aleatória a um transeunte. A resposta do NPC é o de levantar os braços imediatamente, e nós somos automaticamente repreendidos pelo uso abusivo da força. 

As reprimendas, são, aliás, um dos pontos mais comuns e habituais das primeiras horas de jogo. Por diversas vezes passei multas de estacionamento de forma indevida, por julgar que as viaturas estavam estacionadas em zonas sem parquímetro, e portanto, de forma indevida. Depois lembrei-me que aquele mundo em que Police Simulator: Patrol Officers não é Lisboa nem nós estamos a encarnar um fiscal da EMEL. E que existe estacionamento não pago. Subtraí os meus pontos de desempenho e segui caminho.

Mas nas nossas rondas a pé não são apenas as multas de estacionamento que nos ocupam o tempo. Por vezes recebemos indicações de que perto de nós alguém atravessou fora da passadeira (os anglófonos têm o delicioso termo para isto, jaywalking) ou deitarem o lixo para o chão, e cabe-nos interpelar os meliantes (perdoem-me o jargão policial), pedir-lhes a identificação e decidir como agir. Podemos multar o cidadão em questão ou deixá-lo seguir apenas com uma reprimenda oral. Uma estranha sensação de poder que na maioria das vezes, possivelmente como na vida real, tem resposta de forma quase aleatória. Não sei explicar porque é que a alguns NPCs passei multas e a outros deixei seguir apenas com um aviso, mas a realidade é que o fiz. Algum psicólogo ou agente da autoridade que me esteja a ler que me elucide o porquê desta aparente aleatoriedade de resposta.

Há muitos factores que nos podem levar a multar alguém, e uma delas é por validade expirada de documento de identificação. Algo que podemos fazer também às viaturas, já que no mundo de Police Simulator: Patrol Officers as matrículas têm data de renovação. Uma tecnicalidade estranha comparando com a realidade legal portuguesa.

Quando terminamos o nosso turno, temos de ir à esquadra fazer sign out do nosso computador, o que vai determinar a mudança de dia e a indicação da nossa escala: seja uma ronda a pé ou a carro.

Apesar de estar ainda em Early Access, Police Simulator: Patrol Officers parece-me muito mais coeso do que muitos dos simuladores policiais que já existiram até hoje. É claro que do ponto de vista de direcção artística vemos a típica representação bland de uma cidade e dos seus habitantes que é comum na maioria dos simuladores feitos na Europa, mas há qualquer coisa de apelativo na sua abordagem tão quotidiana que faz de Police Simulator: Patrol Officers o verdadeiro simulador de vida de um polícia comum