Caçada Semanal #282

Se ao lerem este título não ficaram de imediato com a música da introdução dos desenhos animados de The Bots Master de Jean Chalopin (que passou em Portugal na SIC), então provavelmente esta obra de um dos grandes mestres (trocadilho propositado) da animação da nossa infância e adolescência. Uma série onde os robots se tornaram tão ubíquos, que o dono da maior empresa que os produz – espante-se – decide que quer dominar o mundo. Cabe a um ex-engenheiro da corporação, o protagonista Ziv Zulander, criar uma brigada de robots resistentes para combater o vilão.

Os 2 indies desta semana poderiam ser obra de ZZ, mas são dois bons exemplos de pequenos jogos com robots como protagonistas. E que não tenham obrigatoriamente de lutar contra uma corporação maléfica.

MONOBOT [Switch, PC, Xbox One, PS4]

O sucesso comercial e crítico de LIMBO abriu uma porta quase inesgotável de novos jogos que lhe tentaram seguir as pisadas. A maioria nunca chegou a desenvolver argumentos interessantes para que os conseguíssemos ver como algo mais.

MONOBOT entre nessa categoria de puzzle platformer bidimensional como os milhentos que foram surgindo após o sucesso do famoso jogo da Playdead. 

Dele retiram-lhe o quase monocromatismo de inspiração, e limitam a paleta a uma gama de cinzas e castanhos, que muitas vezes cria confusão visual entre cenário e nível e que complica a sua travessia (ironicamente Limbo e Inside resolviam isto de melhor forma em monocromatismo).

Os puzzles são progressivamente mais difíceis e acompanham o desbloqueio de novas habilidades para o nosso pequeno robot. Nenhum puzzle é inovador, e já vimos cada um deles em muitos outros jogos, o que, ainda assim, não retira a qualidade a esta colagem que MONOBOT faz.

Ao longo dos níveis existem inimigos mas não os temos de derrotar: eles são puzzles em si mesmo e temos de descobrir formas de os contornar.

MONOBOT não é o mais original dos puzzle platformers, e para a quantidade de jogos similares que já joguei admito que sinto alguma saturação com estes fac-símiles dos jogos da PlayDead. 

Super Magbot [Switch, PC] 

Perdoem-me a inércia de não me querer mexer para pesquisar quantos indie platformers em que não conseguimos saltar é que me chegaram às mãos nos últimos dois anos. Mas sei que foram muitos. Portanto aquilo que começou como uma espécie de paradoxo passou a ser um inteligente exercício de game design para criadores indie um pouco por todo o mundo.

Lançado pela Team17, Super Magbot leva-nos para o sistema Magnetia, onde os planos maquiavélicos do vilão Magsteroid ameaçam a segurança de todos os seus habitantes. Sem mais trocadilhos possíveis de se fazer com magnetismo, ficamos com a certeza que apesar desta ligeira explicação narrativa, que ela é apenas um contexto àquilo que acabam por ser dezenas de níveis desafiantes e criativos.

Como já perceberam, o protagonista não consegue saltar. Mas se locomover tem de utilizar a sua habilidade em mudar os pólos magnéticos do seu corpo e permitir que os efeitos de atracção e repulsão tratem do resto.

Mecanicamente isto é materializado por uma série de blocos coloridos, azuis e vermelhos, com os quais interagimos ao carregarmos nos botões laterais do nosso comando, que nos mudam a polaridade.

Esta mudança é em tempo real, e o domínio da inércia causada pela repulsão e atracção são grande parte do segredo do jogo, à medida que a dificuldade crescente dos níveis nos vai obrigando a masterizar por completo a projecção do nosso robot. Movimento esse que pode ser controlado através do analógico direito.

Não fossem apenas os níveis ficarem cada vez mais difíceis mas também mais criativos, e a equipa da Astral Pixel ainda nos presenteia com inventivas boss fights no final de cada mundo, que demonstram as muitas utilizações possíveis a partir de uma mecânica única e aparentemente simples.

Mantendo o habitual patamar de qualidade da Team17, Super Magbot é um criativo e desafiante puzzle platformer que brilha ainda mais com a excelente pixel art que o acompanha.