No momento em que o menu inicial se mostrou, simples, singelo e sem três ecrãs a advertir que tenho de aceitar a venda da minha alma para ter o privilégio de jogar o jogo, formou-se um sorriso na minha cara. Há qualquer coisa que me atrai neste tipo de jogos, de opções simples e sem complicações, gráficos pixel-art catitas e uma banda sonora que me lembra o Duke Nukem do DOS (sim, é mesmo assim que se escreve). 

Infestor é candidato a ser o apótema do Keep it Simple. É um jogo que vai direto ao assunto e cujo tutorial dura tanto como um KitKat na minha mesa. Não é necessário pressionar R1 e X para lançar um ataque especial, nem ler sete páginas de lore para descobrir a razão pela qual o nosso personagem é um slime verde. Tudo o que é preciso fazer é resolver o puzzle e saltitar até à saída, sem que o nosso bicharoco marque encontro com o seu criador.

A história é genérica, não sendo nenhum Metroid ou Alien. Somos um extraterrestre viscoso a passear pela terra, evitando ser descoberto pelos humanos. Antes que estes pensem que somos gelatina Royal, temos de os “infestar” (isto não soa muito bem), num misto horrendo de Super Mario Odissey e as brain slugs do Futurama. Tal como aqueles parasitas que vemos no National Geographic e que nos fazem contorcer na cadeira, tomamos o controlo dos deliciosos humanos. Esta é a mecânica fundamental do jogo, pois ao possuirmos o Fernando, adquirimos a habilidade de saltar mais alto, por exemplo. Outros humanos fazem outras coisas, como empurrar caixas e assim.

“Veste fato macaco e começa trabalhar”

E numa decisão claramente inspirada pelo italiano rechonchudo, quando os humanos se tornam inúteis e temos de nos livrar deles, podemos usá-los à la Yoshi para dar um impulso ao nosso salto, enquanto o humano se desfaz num grotesco chuveiro de ketchup. Dominar esta habilidade é fundamental, pois o jogo revolve à volta de usarmos humanos pelas suas habilidades e também de nos livrarmos deles no local específico, usando o boost do salto para alcançar o próximo segmento. Falhando este salto, o nosso slime verde fica impedido de conseguir progredir. 

Existe uma variedade razoável de humanos para controlar, desde um que dispara balas, outro que abre portas, um com jetpack e outro que salta e corre mais rápido. Para além destes, existem bots que nos tentam matar e que não podem ser controlados. O desafio aumenta quando os níveis começam a ter armadilhas como espetos e assim. Até hoje não percebo porque existem espetos nas fábricas. Querem um processo em tribunal? Pois é assim que arranjam um processo em tribunal.

“apanha-os por trás”

A dificuldade do jogo é progressiva e gerada através do level design, aumentando gradualmente e tornando a experiência desafiante. Infelizmente, o jogo passa-se praticamente sempre no mesmo cenário e a música é repetitiva. Compreendo que seja um jogo pequeno e baratinho, mas beneficiaria de uma maior variedade.

Infestor é um jogo simples, de pick up and play e de gastar uns euros na Store. O que faz, faz bem e não complica. Podia fazer melhor em alguns departamentos, mas faz o suficiente para me fazer perder uma hora bem passada do meu fim-de-semana.

“ação também não falta”