Caçada Semanal #285

Ainda hoje existem especulações do porquê do quarto álbum a solo de Morrissey – o emblemático e polémico vocalista da defunta banda The Smiths – se intitular Vauxhall and I. Será uma referência à marca de automóveis irmã da Opel (e que, aliás, a substitui no RU, quem nunca quis conduzir um Vauxhall Corsa que atire a primeira pedra), ou ao bairro londrino famoso pelas sua vida nocturna, e os seus bares gay? Para além do óbvio trocadilho com o título do filme de 1987 Withnail and I.

Permitam-me então um trocadilho, falando de jogos cuja direcção artística é baseada em voxels, como é o caso destes dois jogos indie de hoje. 

7 Years from Now [Switch, Android, iOS, PC]

Só há poucos anos tive ideia do que é slice of life enquanto género literário e não só, muito habitual no Japão. Nos dias de hoje encontrar um videojogo que represente isso é bastante comum, especialmente em jogos nipónicos, onde criadores independentes desenvolvem jogos dentro de abordagens próximos dos media que consomem.

Em 7 Years From Now, um jogo que foi lançado originalmente em 2017 em mobile com bastante sucesso, vivemos “a fatia de vida” de alguém, numa história que começa como quotidiana mas que rapidamente evolui para algo mais complexo.

Nesta fatia da vida de Haruto, um jovem que tenta encontrar o fio da sua vida e reconstruir a sua memória após um evento há 7 anos que lhe causou amnésia. 

Em cerca de quarenta capítulos curtos temos de conversar e interagir com muitos personagens para ir encontrando as pontas soltas dos mistérios que rodearam o seu passado e o seu presente.

Com uma excelente direcção artística com voxels, 7 Years from Now é uma inteligente forma de nos contar uma história cativante, longe dos clichés que alguns mangas slice of life nos habituaram.

 

Paint the Town Red [PS4, PS5, PC, Linux, macOS, Xbox One, Xbox Series]

Onde 7 Years from Now é história pura com pouca interacção, Paint the Town Red é o inverso: um jogo de combate na primeira pessoa sem qualquer enquadramento narrativo. Mas com sangue, muito, muito sangue pixelizado.

Paint the Town Red é estupidamente visceral e violento. Um beat ‘em up na primeira pessoa onde, no modo de história, nos dão poucas indicações: temos de matar toda a gente s sobreviver.

Depois de muitas tentativas no nível inicial, o da prisão, tenho que vos dizer que esta é uma missão quase impossível. Cada ataque dos inimigos tira-nos demasiada vida (de uma barra tão curta) e os nosso ataques têm pouco alcance para os manter a todos longe. 

Visto que este é um jogo na primeira pessoa, não é de espantar que eventualmente entre as dezenas de inimigos que nos vão querer matar nos irão atacar por trás. O que soa injusto, mas é apenas mais um regra do jogo.

O combate tem um bom feedback de impacto, mesmo com a simplicidade dos voxels. Mas continua a ser um jogo muito difícil em que temos, ao longo das seis localizações diferentes, muita gente que quer pintar o chão com o nosso sangue. E derrotá-los a todos é uma façanha de digestão impossível.

Para além deste modo existe também Beneath: um rogue-lite dungeon crawler com a mesma abordagem mas com muito, muito grind.

Paint the Town Red tem boas ideias e boas execuções, mas o seu modo de história é cruelmente injusto e difícil.