Um jogador da minha categoria e classe percebe de forma bastante clara e rápida quando um jogo de puzzles é bom. No meu caso, quanto mais rapidamente fico preso, melhor é o jogo. Aguentei pouco mais de duas horas. O jogo é óptimo!

Bonefire Peaks é um jogo de puzzles à moda antiga. Não inventa subterfúgios para criar ilusões ou eufemismos para a nossa falta de destreza e inteligência. Há cada vez mais um mercado para isso noutros géneros, mas no mundo dos puzzles parecia que o caminho estava a ser percorrido da maneira oposta. Cada vez mais eu apanhava jogos que inventavam mil e uma coisas para nos distrair do puzzle em si. Por vezes passamos tanto tempo noutras atividades que até ficamos a pensar qual será mesmo a peça central de todo o jogo.

O jogo é bonito desde o primeiro ecrã. Um estilo artístico voxel, mas usado numa forma muito mais detalhada que em Minecraft assenta muito bem. Associado a isso uma escolha musical adequada, com efeitos sonoros bem metidos que tentam acalmar toda a nossa frustração ao jogar.

Usamos caixas para levar uma caixa para a fogueira.

Eu creio que há uma história, embora eu não tenha avançado o suficiente para perceber se era boa. O jogo diz-nos que decidimos avançar, mas para isso temos que queimar memórias que nos prendem onde estamos e, efectivamente, é isso mesmo que fazemos durante todo o tempo, apenas temos que levar uma caixa com memórias desde o local onde esta se encontra até uma fogueira. Simples.

O que me apetece dizer a quem está a escrever este texto é “simples é quem te fez as orelhas!”. O jogo é tudo menos simples. Tirando os primeiros níveis em que nos são explicadas as mecânicas o jogo complica a uma velocidade vertiginosa.

Começamos apenas por ter de pegar numa caixa e queimá-la, depois temos de subir uns degraus e não conseguimos, temos de dar a volta, em seguida acrescentam mais caixas, caixas de tamanhos diferentes, caixas que se desfazem, caixas para empurrar caixas, correntes de água que podemos usar…

Porém a questão é que temos que andar a bater com a cabeça milhentas vezes cada vez que uma nova mecânica é introduzida até que consigamos perceber como lidar com ela. É realmente um jogo para quem tem tempo e, como é de esperar, para quem tem um bom raciocínio espacial.

Cada vez que resolvemos um puzzle voltamos ao mundo real.

Embora eu não tenha gostado dos controlos que nos colocavam a andar com as setas, usando WASD para controlar a câmara, estes são aceitáveis e funcionais. Acabei por nem me lembrar de testar o comando da PlayStation, mas o jogo não reconheceu o comando da Xbox. Por um lado, o jogo parece feito para comando, por outro não há para Xbox… vou dar o benefício da dúvida e considerar que a falha foi minha, pois isto pede mesmo outro tipo de controlos.

Cada vez que descobrimos a solução para um dos puzzles voltamos ao nosso mundo e temos um caixote que podemos usar para criar escadas que nos permitam aceder a novos mundos. Duma forma geral não precisamos de resolver todos os puzzles para avançar, apenas os suficientes para encangalharmos um caminho para novo mundo. Ainda bem que assim é, ou certamente teria ficado empanado uns puzzles antes.

Bonefire Peaks é um jogo de puzzles que não cai no facilitismo. Vais, jogas, bates com a cabeça, continuas, páras, repetes. O jogo é isto. Não tem rodriguinhos. Rodriguinhos foi o que andei a fazer neste texto porque esta conclusão está patente nas primeiras frases. Na minha opinião está muito bem feito e tem tudo para agradar aos fãs do género.