Estava realmente renitente em aceitar Super Animal Royale. O jogo estava na lista, ninguém pegou e era o seguinte para PC. Battle Royale… por favor. Não quero voltar a ser decepcionado como com Rapture Rejects, provavelmente o meu jogo mais antecipado de 2018, mas que no final o que de melhor tinha eram os trailers. Ora, Super Animal Royale aparentava ser uma cópia do segundo, mas a realidade aponta para estarem com um mundo inteiro de diferença.

Admito que pedi o jogo, instalei e estive uns dias que não toquei nele, até que me apercebi que esteve dois anos em acesso antecipado e não morreu. Pensei que fosse truque. Provavelmente havia morrido e agora tinha sido lançado na esperança de sacarem mais uns euros aos jogadores na fase de lançamento. Fui aos gráficos do Steam e apareciam consistentemente mais de 7000 jogadores. Uau! Fiquei surpreendido. Joguei e tive uma surpresa. Caramba que o jogo é mesmo divertido!

Super Animal Royale é um Battle Royale que se joga visto de cima. Funciona como um jogo em 2D com personagens e cenários em 3D. Considerando o género não inventa nada aliás, o que estes dois anos de acesso antecipado me indicam é que na altura se apanhou mesmo o que estava na moda e se tentou criar um jogo fluido, rápido e onde as mecânicas não servissem de entrave à entrada de novos jogadores. Este último ponto é muito importante, já que a intuitividade (se esta palavra não existe, deixo já aqui a o meu pedido de registo da patente criativa) é contrabalançada pela ausência de explicação acerca de todo e qualquer item que apanhamos. Para ser sincero tive de me socorrer da Wiki do jogo para saber o que muitos deles faziam, já que não é algo propriamente intuitivo em todos os casos. Claro que isso pouco importa já que tudo o resto se apanha em 3 ou 4 jogos apenas.

Outra coisa que me surpreendeu foi o facto do números de jogadores não bater certo com o do Steam, até ter ido procurar e ter notado que o jogo tem cross play e cross progression, bastando para manter a progressão criar uma conta e fazer login com esta em cada uma das plataformas onde o jogo corre.

Esta simplicidade não significa que o jogo não beneficie quem tem mais talento. A cada momento podemos ter duas armas de fogo, uma granada e uma arma de combate corpo a corpo. Para além da corrida normal podemos andar silenciosamente e rolar. Cada arma tem um uso óptimo, embora muitas vezes nos tenhamos de desenrascar com o que temos, especialmente nas fases iniciais de cada partida onde as acções se tornam caóticas, muitas vezes com os jogadores a procurar o confronto rápido. Usualmente quem tenta isto é o pessoal mais batido, com mais calo, seguros que têm vantagem nestes momentos quando o pessoal ainda não conseguiu reunir as armas com as quais se sente mais confortável. Podemo-nos socorrer de diversos tipos de armas, mas notei que procuro sempre a mesma, aquela com que me sinto mais confortável e aquela com que, de longe, tenho o maior número de confrontos ganhos.

Com tempo tenho conseguido aprender alguns truques, e até já ganhei algumas partidas, algo inédito dado o meu grau de competência geral. Até me comecei a auto-intitular o rei do bambu, dada a quantidade parva de confrontos que ganho nessa área onde há mais ângulos mortos e mais zonas para combater a média ou curta distância.

Mesmo as granadas não são todas iguais. Há as convencionais, umas que criam uma nuvem de fumo tóxico, outra que nos faz escorregar, deixando-nos momentaneamente paralisados. Esta diversidade permite-nos criar estilos mais pessoais de jogo, deixando-nos escolher os loadouts que mais nos beneficiam.

Até nos modos há os habituais modos de Battle Royale, solo, duos, equipas e agora há um modo alusivo ao Dia das Bruxas em que o pessoal se divide em duas equipas, uma de animais, outra de zombies, sendo que os zombies vão tentando infectar todos os animais até que o tempo se esgote. Este último é um modo temporário.

Como é de esperar em qualquer jogo gratuito a monetização tem de ser feita de alguma forma. Super Animal Royale tem duas moedas, a corrente que ganhamos ao jogar e a premium que tem de ser comprada ou ganha em pequenas quantidades durante a progressão no battle pass. Tudo o que se pode comprar são coisas cosméticas, não há nenhuma vantagem a tirar do que se pode comprar. Nesse ponto, fantástico, contudo há aqui alguns problemas. Eu estava convencido que o ritmo a que ganhávamos moeda de jogo era perfeitamente justo até perceber que uma das regalias da versão Super que o nosso querido líder me entregou era precisamente duplica-lo. Neste caso já não me parece tão interessante, mas não podemos esquecer que o jogo é gratuito e que nada do que compramos confere alguma vantagem. No fundo é um truque popularizado pela Ubisoft, que gosta de criar o problema para depois vender a solução.

Outro problema é que mesmo que compremos o battle pass, todo o dinheiro premium que este permite ganhar não chega para comprar o seguinte, logo nesse aspecto a fidelização do cliente, ou somente o tempo que se joga, não chega para o renovar. Eu entendo isto, mas antecipo que a médio prazo contribua para a perda de jogadores, pois estes certamente não sentirão a urgência de jogar de forma consistente por ausência de recompensa significativa.

Nem só de moeda o jogo é feito, a cada partida apanhas ADN que quando chega a determinada quantidade pode ser usado para criar diferentes animais. Conforme o nosso nível for subindo, também vai mudando o tipo de ADN que vamos encontrando.

Desde que comecei a jogar que tenho voltado de forma casual ao jogo, progredindo um ou dois níveis do battle pass por dia. Isto faz-se facilmente e de forma divertida. Finalmente vejo potencial num jogo para substituir o Overwatch como o meu jogo de conforto. Super Animal Royale não inventa a roda, mas toca em muitos pontos de adição, é divertido e bastante casual. Sendo um jogo gratuito só me resta dizer “Ide jogar, é grátes!”