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Por que razão e que volta e meia sentimos aquela necessidade de ir buscar a NES à caixa poeirenta (quem diz NES diz qualquer outra consola com mais de uma geração)? 

Pois a meu ver tem que ver com uma necessidade intrínseca de revivermos memórias ou momentos da nossa história pessoal passando pelo mesmo jogo que passamos naquela altura. Eu pego no Metal Gear Solid da PS1 para reviver as tardes de verão no Algarve quando não queria dormir a sesta e esgueirava-me até a sala para ver o meu pai jogar este jogo que me parecia incrível (e enquanto Kojima fanboy assumido insisto que ninguém pode negar que ainda o é).

Pego também no Warcraft 1 para sentir aquela pressão e adrenalina que sentia em miúdo de ter de sobreviver contra ataques insistentes de uma civilização de humanos que queria devastar a minha pobre cidade de orcs que tinham 3 farms e uns poucos peasants.

Uhhh, secrets!

No meio desta experiência aparece uma outra categoria de jogos desenvolvidos nos dias que correm cujo propósito, a meu ver, é igualmente transportar-nos para esses tempos mas com a vantagem de estarmos a explorar um jogo que ainda não conhecemos como a palma das nossas mãos. 

Aqui é onde entra KUR. Um FPS à moda PSX1 que muito sinceramente me transporta para um tempo em que andava colado ao TimeSplitters (eu sei, é da PS2 mas pronto eu também nunca fui muito bom com jogos de associações).

KUR passa se num cenário muito “DOOMesco” em que o princípio base do jogo é: matar extraterrestres e procurar armas para os conseguir matar melhor. E eu não podia estar mais satisfeito com essa simplicidade já que neste mundo atual em que tudo tem trinta mil objetivos e mais outros tantos objetivos opcionais, ter algo que não ocupe muito o cérebro e simplesmente satisfaça o nosso Hulk interior com mecânicas muito bem polidas acaba por ser o melhor para limpar o palato.

Digam lá que não imaginam aqui aquela cara do Wolfenstein quando estava quase a morrer!

 No que toca a parte gráfica está tão bem executado ao estilo poligonal tão característico PS1 que até aqueles artefactos e bugs gráficos que eram comuns na altura estão representados. Artefactos esses que em vez de me frustrarem trazem me um sorriso (eu sei que tenho problemas mas pensem comigo) porque cada vez que encontro mais um, mais mais um nível desço na  imersão de que estou no meu quarto de infância com dez anos a divertir-me enquanto a minha irmã pequena está ao meu lado a chatear-me a cabeça para a deixar jogar.

Da mesma maneira falo dos efeitos sonoros e música. Tudo contribui para essa imersão e se vocês são como eu não vejo melhor maneira de passar umas horas no mundo encantado das nossas memórias de juventude com KUR.

Atenção, não se esqueçam de voltar para a realidade porque também já por aí muito bom jogo com resoluções acima de 640×480.