
Cerca de 40% das minhas conversas num jogo online começam da mesma forma, com alguém a associar o meu nickname com a cidade de Melgaço. Na realidade não tem nada a ver. “Melgacius” é uma variante de “melga”, o nickname que usava em todo o lado desde 2002, mas que a partir de certa altura foi usurpado por um romeno, obrigando-me a adaptá-lo em alguns locais. Tenho um amigo que, quando bêbedo, me chamava frequentemente de “Melgacius”, ou melhor, “Melgáááááciiiuus”. Ficou esse. Neste momento já só a malta dos jogos de browser ainda conhece o primeiro, sendo o segundo aquele que uso em quase todo o lado.
Ontem mais uma conversa começou da mesma forma. Resolvi jogar uma partidinha de Overwatch antes de ir dormir e alguém escreve no chat a conversa do costume. Curiosamente a minha esposa é de Monção que fica bem perto, e acabo sempre por dar alguma conversa. Usualmente fica por aí. Desta vez o rapaz achou que era coincidência a mais, adicionou-me como amigo no jogo e percebi imediatamente que ele estava a jogar em grupo com dois amigos. Estudavam em Coimbra, a minha terra Natal, e iam fazer directa para apanhar a camionete para Braga. O resultado final foi ter ficado a jogar desde que larguei o stream do Rui, talvez ainda antes da 1.30h até às 6h. Foi parvamente divertido. Todos meio a dormir, a fazer esterco às pazadas, jogando sem ligar a nada, só mesmo a curtir o jogo no nosso canto. É esta experiência que praticamente desconheço, já que não sou grande fã de jogos multi-jogador, mesmo o Overwatch jogo praticamente sozinho, apenas para descontrair.

Overwatch ]e o meu jogo de conforto
Já tinha pensado nisto mais vezes sem nunca ligar muito, mas em momentos como este eu consigo perceber perfeitamente o dilema em que durante muito tempo se deve ter encontrado a Xbox, e do qual ainda tenta sair.
Usando como exemplo Days Gone, um jogo simplesmente para jogar sozinho, eu acabei a história e não voltei lá. Até joguei mais que o habitual, mas a certo ponto já nem estava realmente a apreciar o que estava a fazer. Em contraponto jogos como Grounded ou Sea of Thieves, jogos que joguei mal saíram, numa altura em que eram um esqueleto daquilo que se tornaram, mas a maneira como foram criados compeliu-me a voltar. Voltei imensas vezes. A maneira simples como encontrava gente para jogar era suficiente para me manter no jogo. Numa altura em que Sea of Thieves não tinha grande coisa para fazer deve-me ter tirado umas 40h de jogo, mas obriguei-me a parar porque tinha mais jogos para jogar e esse tempo era precioso para mim. Grounded levou-me, num ápice, 30h de vida. Este tive mesmo de desinstalar, porque dele gostei a sério e não queria que me acontecesse como no elefante da sala, Rust, com mais de 1200h.
Claro que esta comparação não parece justa, mas se pegar em Gears 5, para além da campanha ainda passei muito tempo nos modos multi-jogador, e muita gente gosta mais dessa vertente que de jogar sozinho. Não faço a menor ideia quantas horas passei em Forza Horizon 4, que embora não fosse exactamente feito da mesma forma, ainda joguei contra amigos.

Para um jogo tão monotemático, Rust deu-me muitas histórias para contar.
Tirando a franquia Ori, praticamente desconsidero os jogos da Xbox quando quero pensar em jogos que marcam o jogador, numa história tocante, numa aventura que relembramos no futuro. Mas será que isto é mesmo assim? Será mesmo melhor para uma marca lançar dois blockbusters por ano? Será que o mesmo jogador que exige à Xbox uma cópia dos jogos da Sony, não vai depois afogar as suas mágoas num State of Decay 2 mais os amigos, a divertir-se enquanto mata uns zombies? Quando eu penso a sério nas histórias que costumo contar no mundo dos videojogos, a grande maioria delas são em jogos multi-jogador, são a contar algo que aconteceu enquanto jogava em grupo, não conto a angústia que sofri ao perceber o que Ori ia fazer para salvar Ku, e é completamente compreensível alguém fazer o possível e impossível para salvar o Ku…
Agora a Xbox parece ter dinheiro para tudo e mais umas botas e, nesse caso, não há qualquer necessidade de fazer uma opção, pode claramente ter o melhor de dois mundos, no entanto, para mim o falhanço retumbante da Xbox One não se deveu a este princípio subjacente na criação de jogos, deveu-se a uma miríade de erros grosseiros noutros capítulos já que imagino que cada um dos AAA criados pela Xbox nessa geração, muito provavelmente lhe terá retido muito mais o jogador que a grande maioria dos jogos da Sony.
Acho que vai ser difícil alguma vez a Xbox se aproximar da Sony em muitos aspectos, mas na verdade também penso que muitas vezes fui injusto ao comparar ambos os portefólios e a sua importância real para todos os jogadores. Não para a imprensa, não para minoria vocal. Para aqueles que realmente têm de optar e não recebem jogos à borla como eu.
Isto é um desabafo sem qualquer significado ou bases credíveis, tirei isto dum qualquer recôndito da minha cabeça. Serve para o que serve. Para nada.

Ori and the Will of the Whisps terá sido o jogo que mais me marcou nos últimos anos.













