Daniel Harding_Swedish Radio_photo credit-arne-hyckenberg

Caçada Semanal #296

Em dia em que lançamos a análise a um excelente runner/rhythm game no universo de League of Legends, aproveitamos para falar de 3 indies que utilizam a música de forma criativa como parte das suas mecânicas.

Hextech Mayhem: sempre a correr, sempre a explodir

The Signal State [PC, Mac]

Para mim, uma das grandes recompensas de escrever sobre jogos e de ter a sorte de receber tantos jogos indie desconhecidos é o de encontrar verdadeiras peças de pura genialidade, como The Signal State.

Neste jogo o mundo como o conhecemos terminou, e a Humanidade está a reaprender a reutilizar a tecnologia que temos (neste caso, tivemos). Mas vamos fazê-lo de uma forma muito peculiar: com um sintetizador modular.

Este jogo mexe com a minha paixão por sintetizadores, pela grande revolução que causaram na música, ainda que o meu conhecimento sobre o seu funcionamento seja muito, muito reduzido. Mas é, para nossa surpresa, um puzzler temático, com uma grande componente lógica e de alguma forma musical.

Mais um jogo a seguir o mindset das produções da Zacktronics, títulos que parecem difíceis de descortinar sem mergulharmos neles. O objectivo de Signal State é encontrar o comprimento de onda necessário, seja uma alteração ou idêntico ao sinal que recebemos como origem. Para isso temos de conectar inputs e cabos, mexer e rodar botões.

Não é mesmo um jogo para todos, mas obriga-nos a uma grande capacidade de abstracção. Como muito poucos o conseguem fazer.

OCO [PC, Android, iOS, Mac]

Super Hexagon do mítico Terry Cavanagh foi um dos primeiros jogos que comprei em digital na minha vida, e um daqueles que expandiu a minha visão sobre os videojogos.

Graças a ele fiquei com uma grande curiosidade com jogos minimalistas. Por essa razão, a minha vontade para conhecer OCO, um rhythm game e platformer minimalista foi quase instantaneamente aumentada.

Em OCO somos um pixel branco e só controlamos o nosso salto. Temos de seguir as dicas musicais para sabermos quando saltar, em níveis circulares concêntricos onde disposição das plataformas é a grande dificuldade mecânica.

As plataformas de cores diferentes alteram o nosso comportamento, seja velocidade ou altura/distância de salto. O desafio bónus de cada nível é o de apanharmos todos os pontos (moedas?) espalhados em locais estratégicos pela estrutura.

Os níveis são enganadoramente complexos, dentro da sua simplicidade e é impossível não recomendar um jogo minimalista mas tão coeso como OCO, onde o seu óptimo preço de 2,99€ em promoção torna-o obrigatório para a qualidade e desafio que representa.

Klang 2 [Xbox Series, PS4, PS5, PC, Switch, Xbox One]

Faço já o preâmbulo que das 3 propostas desta caçada musical, Klang 2 é notoriamente o mais fraco, tanto em termos de solidez como de criatividade.

Aqui somos um guerreiro amnésico numa rave que, pelo aspecto, diria que foi organizada nas traseiras de um prédio do Tron. E sim, leram “guerreiro amnésico numa rave” na mesma frase. Esqueçam e sigam caminho.

Klang 2 apresenta-se como um rhythm game misturado com jogo de acção, em vista de perfil. O jogo pede-nos que acertemos em notas com os nossos ataques, numa repetição de 3 elementos cujos padrões vão sendo alterados mediante a dificuldade dos níveis e das boss fights.

Temos de apontar o nosso ataque aos círculos que surgem ritmicamente no ecrã e efectuar a acção que eles requerem, seja arrastar ou pressionar esse mesmo círculo. Algo que, se a nossa memória videolúdica não nos falha, já Osu! Tatakae! Ouendan fazia, e muito melhor.

Nos meus momentos de jogo em Klang 2 utilizei o rato, e imagino desde já o que é jogar este jogo numa consola.

Este action rhythm game tem uma direcção de arte muito pouco coesa que quer representar demasiadas coisas ao mesmo tempo, e nenhuma delas cola às outras. Resultando num jogo que já vimos feito repetidas vezes, mas num patamar de qualidade bastante superior a este.