Sabemos que quem segue o Rubber Chicken está à espera de opiniões isentas, mesmo que extemporâneas, sem a pressão da espuma dos dias e da necessidade do clique no momento preciso em que o embargo se levanta. Fazemos o esforço para publicar os nossos artigos no momento em que nos sentimos confortáveis em expressar uma opinião, isenta, válida e contextualizada, seja no dia do levantamento do embargo, ou 2 meses depois do lançamento do jogo.

Ao longo destes dez anos temos mantido uma relação profissional com todos os representantes locais e internacionais da diversas marcas e editoras de jogos, dos gigantes das consolas aos pequenos indies de desenvolvimento em modo solitário. Receber um código de análise é uma ferramenta de trabalho, e estes dez anos de parceria institucional com todos os parceiros é assente na certeza que não existe uma obrigação destes em terem obrigatoriamente de nos disponibilizar todo os videojogos, periféricos e hardware que têm à disposição. Estes materiais, como disse, são ferramentas de trabalho, e cabe a cada empresa decidir, dentro dos limitados (ou mesmo ilimitados) acessos que possam ter, quais os meios que, dentro da sua avaliação (seja ela de que parâmetros forem), deverão receber essas ferramentas, seja em acesso antecipado ou após o lançamento.

É público que após as drásticas alterações que a Nintendo teve de adoptar globalmente após o leak causado pelo site português FNintendo, que fomos escolhidos para uma lista limitada de meios que estariam credenciados para receber material de análise em acesso antecipado, mas que, dado o contrato que considerámos ter alguns artigos draconianos, respeitosamente recusámos. Em nada essa decisão afectou a relação institucional entre o Rubber Chicken e a Nintendo Portugal.

Se recuarmos até 22 Novembro de 2013, fomos o único meio – tanto quanto tive ideia, mas corrijam-me se estiver errado – que decidiu comprar em Espanha duas Xbox One para cobrir os lançamentos do primeiro ano da consola (que acabaria por ser lançada em Portugal apenas em Setembro de 2014). Fizemo-lo por escolha editorial e por termos essa possibilidade e nunca para servir de qualquer pressão à empresa que tutelava a plataforma no nosso País. No ano passado, aquando da distribuição das unidades de Xbox Series (X ou S) acabámos por não receber nenhuma (e acabámos por comprar 2), e isso não alterou em nada a nossa relação institucional, nem sequer alimentou algum rancor ou sentimento de entitlement da nossa parte. Nem a Microsoft Portugal nem qualquer outra marca ou distribuidor nos deve o que quer que seja. Uma salutar relação profissional e institucional não se baseia numa simples lista de merceeiro de “ter e haver”, mas sim de confiança e respeito mútuo. Não nos cabe questionar as escolhas dos parceiros no uso que dão aos objectos de análise que têm, assim como não lhes cabe argumentar sobre as nossas opiniões editoriais.

Ao longo dos anos temos tido acesso antecipado a alguns títulos das diversas marcas, e a outras não. Em nada esse facto altera a nossa postura ou alimenta algum tipo de animosidade para com os distribuidores quando não temos acesso a algum título antes, ou depois do seu lançamento. Essa é uma decisão interna das estruturas. Somos parceiros, em que cada um faz a sua parte. Inúmeras vezes comprámos os jogos que analisámos. Ao contrário do que tenho lido, uma análise escrita a partir de um jogo comprado não é, nem deveria ser diferente de um jogo para o qual recebemos uma cópia. Porque a isso se chama profissionalismo, brio e ética. Afirmar o contrário é sobretudo uma prova de azedume de alguém que se sente à parte e, na realidade, gostaria de poder estar no círculo de meios e indivíduos cujas opiniões são consideradas válidas e meritórias pelas marcas para fazerem receberem videojogos, periféricos, hardware ou merchandise para cobertura.

 

Mas voltemos ao que nos traz aqui, a pergunta: porque não vamos ter review de My Friend Peppa Pig? Aquele que é, se formos daqueles que olham apenas para o Metacritic, como um dos maiores títulos do ano, esmagando de longe putativos blockbusters de 2021, como CoD e Far Cry. A resposta é simples: eventualmente, vamos ter review. O nosso fundador, o Miguel Tomar Nogueira, está com muita vontade de analisar o jogo e de escrever sobre aquela que pode ser uma das grandes pérolas escondidas de um ano tépido. Não sabemos se vamos obter uma cópia de análise ou se o vamos comprar, mas na realidade, isso é indiferente, porque de qualquer uma das forma o conteúdo terá a mesma isenção de todos os restantes 5725 artigos de opinião que já publicámos.

A equipa do Rubber Chicken agradece desde já a vossa compreensão por esta situação. E, citando essa grande figura que é a Porquinha Peppa: “No mundo há dois tipos de balões: os que vão para cima e os que vão para baixo“.