
Ainda hoje tenho um fraquinho por tower defenses, e ainda que o género esteja longe da popularidade que teve na viragem de 2010, ocasionalmente ainda vão surgindo surpresas. Uma delas é a nova iteração de Orcs Must Die!, a famosa série de acção e tower defense criada pelo estúdio Robot Entertainment há dez anos, em plena era dourada do género, e que soube, a par de Dungeon Defenders, repensar a forma como estes jogos de estratégia poderiam existir.
Orcs Must Die! 3 foi lançado originalmente lançado para Stadia em 2020 como exclusivo, mas, convenhamos, agora que o jogo saiu para Steam, PS e Xbox é que “conta”.
Para quem não conhece em que Orcs Must Die! diverge de muitos outros tower defense games, é que para além de distribuirmos e criamos armadilhas para desbastar as hordas de inimigos, temos também de controlar um personagem pelo meio do calor da batalha para os derrotar nós mesmos num sistema de third person shooter.

Como devem imaginar – ou comprovar, se já jogaram algum os títulos da série – Orcs Must Die! tem a cereja gosmenta no topo do bolo lambida por um orc na sua componente multiplayer, com o co–op a fazer sobressair toda a aura frenética que este jogo possui.
Visto que joguei todos os jogos da série, incluindo o já defunto Unchained de 2017, aquilo que sinto com este Orcs Must Die! 3 é que a Robot Entertainment decidiu manter a fórmula praticamente intocada desde a última iteração “oficial”, lançada em 2012.
O segredo de Orcs Must Die! continua a ser a nossa capacidade de, qual Gustavo Santos num Querido Mudei a Casa sangrento: decorar, planear e armadilhar as paredes, chão e tectos de cada nível com a panóplia de armadilhas que o jogo coloca à nossa disposição para mutilar as vagas de orcs e outras criaturas que querem, por alguma razão, correr para o nosso rift, como se ele fosse uma roulotte de cachorros e cerveja em dia de jogo de futebol.
Algo interessante que Orcs Must Die! 3 mantém e que é incomum na maioria dos tower defense games é a nossa possibilidade de construirmos armadilhas enquanto as vagas estão a decorrer. Uma tarefa raramente possível já que, enquanto os portões do nosso castelo são abalroados por hordas de orcs, a nossa missão é a tomar a defesa com as nossas próprias mãos, e andar a disparar contra tudo o que mexe.

A satisfação de conseguir headshots no meio da multidão que investe contra nós como compradores desenfreados de uma Black Friday na América é imensa, e o nosso maior perigo continuam a ser os esguios e minúsculos kobolds cuja agilidade e estatura lhes permitem escapar entre os intervalos da chuva e de uma valente serra armadilhada.
Apesar de, como disse, Orcs Must Die! 3 não mexer em nada na fórmula que tornou esta série um sucesso comercial e crítico, há muito conteúdo disponível. Sejam os muitos níveis do modo campanha inicial, ou a segunda campanha histórica que não existia na versão de Stadia mas que foi implementada nesta nova versão.
Sejam os novos mapas, inimigos e armadilhas implementadas no recém lançado DLC Cold as Eyes, há muita forma de “viver” Orcs Must Die! 3 para além das duas longas e desafiantes campanhas narrativas.
Talvez a mais importante seja o modo Scramble, que nos apresenta 5 desafios progressivamente mais difíceis e que coloca à prova a nossa mestria e capacidade de adaptação aos cenários e inimigos.

Pelo meio continua a vontade de passar cada nível com 5 estrelas, uma demonstração que o nosso desenho defensivo é perfeito e nenhuma criatura tocou na nossa base, fazendo de nós os maiores da aldeia, ou pelo menos do vilarejo onde fica situado o nosso castelo.
Orcs Must Die! 3 é a chegada da fórmula comprovada da série da Robot Entertainment à nova geração, com mais detalhes e mais definição. Mas no seu âmago é o mesmo jogo de tower defense que aprendemos a gargalhar e a amar, mantendo o mesmo patamar de qualidade com o qual já nos habituou na última década.













