Por estas alturas já quase toda a gente se apercebeu da crise que passamos, a chamada “crise dos chips”.

A crise que estamos a passar resultante da pandemia da COVID-19 abrange muitos sectores da Economia, um deles o da Tecnologia, que a curto prazo nãos nos afectou ainda mas irá a médio-longo prazo.

É por alturas do Natal que isto se nota mais pois estamos o ano inteiro preocupados com outros affairs e concentramos as nossas compras para este período.

Quem está fora do assunto já se apercebeu por exemplo que é muito difícil encontrar consolas de ultima geração seja PlayStation 5 ou Xbox Series X, sobretudo ao chamado preço recomendado.

Isto está a acontecer porque a pandemia causou uma enorme procura de produtos do género mas essa procura é superior ao que os fabricantes conseguem escoar para o mercado.

A agravar a situação que não está somente focada na capacidade de produção que foi retardada pela paragem no sector de fabricação, mas que tem resposta sobretudo nas paragens do sector dos transportes de mercadorias e tudo o que está envolvido na expedição das mesmas. Mas há outros factores indirectos que tornam esta crise mais agravada e que afecta o consumidor final.

Em primeira linha temos os chamados scalpers, indivíduos ou grupos deles que se dedicam a apanhar tudo o que são bens escassos, para serem revendidos a preços mais altos porque a procura é tão elevada que torna-se uma oportunidade de lucro fácil.

E os métodos de obter estes bens pelos scalpers evoluiu e está bem avançado pois já se viraram para ferramentas tecnológicas avançadas, com o uso de bots para apanhar estes bens como placas gráficas ou consolas. Um simples algoritmo/script  consegue ser muito mais rápido a efetuar uma compra que o reflexo mais rápido dum simples humano, e assim passam não só por cima de muitas restrições e obstáculos burocráticos num site como é impossível apanhar algo pela forma normal. O recente artigo do The Verge explica isto melhor e de forma mais aprofundada.

Já falei da pandemia, dos scalpers e da cadeia de distribuição, falta falar dos infames miners de criptomoedas. Explicar o que são as criptomoedas e o que é um miner daria para outro artigo, resumindo segundo a primeira linha da wikipedia “Uma criptomoeda ou cibermoeda é um meio de troca, podendo ser centralizado ou descentralizado que se utiliza da tecnologia de blockchain e da criptografia para assegurar a validade das transações e a criação de novas unidades da moeda.”

Os miners são aqueles que estão a minar este novo “bem digital” e para isso necessitam de hardware especializado. Uma destas criptomoedas que mais afecta para a situação da escassez de placas gráficas é o Ethereum pois é mais fácil, acessível e lucrativo usar hardware como Placas Gráficas. Então como é que o mining de criptomedas afecta a acessibilidade de hardware para gaming?

Em primeira linha quem fabrica os chips está a passar por uma grande pressão para finalizar contratos, a indústria do gaming é ainda mais pequena e menos importante por exemplo que a indústria automóvel: os automóveis hoje usam centenas de chips, já não são exclusivamente mecânicos e tem muita electrónica, desde o GPS, ao computador de bordo que controla o desempenho e as necessidades do motor, sensores de proximidade, iluminação, etc.

Desta forma os fabricantes de chips dão prioridade à industria automóvel e a outras industrias prioritárias como até a eletrotécnica de equipamento hospitalar e industrial. Resumindo: a baixa prioridade está nas consolas e hardware especifico para Gaming.

Voltando aos miners, compostos sobretudo por grandes empresas especializadas neste sector, que têm capacidade para comprar hardware em grandes quantidades e diretamente aos fabricantes ou distribuidores.

As placas gráficas são essenciais para um PC-gamer correr os jogos mais recentes e exigentes, mas como são boas a processar gráficos complexos esse poder de processamento é também igualmente útil para desencriptar (ou minerar) criptomoedas. Uma Placa Gráfica que antes tinha apenas um uso especifico para gaming ou para design, composição de imagem e vídeo profissional e rendering 3D, agora são usadas literalmente para imprimir dinheiro virtual!

Se pensam que então o PC-gaming deixa de ser apelativo, pensem que o mercado das consolas também será e está a ser afectado pois por exemplo a AMD que fabrica tanto para a Sony como para a Microsoft, vai produzir menos chips para consolas e mais hardware para miners.

Tudo isto que falei em conjunto forma uma tempestade perfeita que vai afectar a indústria de videojogos por um bom tempo, enquanto for lucrativo minerar criptomoedas com hadware que deveria estar nas mãos de consumidores de videojogos. A crise irá continuar sobretudo nos preços mais altos, algo que pode melhorar levemente quando a cadeia de distribuição começar a escoar melhor as mercadorias que ficaram pendentes durante os lockdowns da pandemia.

Agora que está mais ou menos entendida a fonte do problema então o que se pode fazer?

A melhor dica que posso dar é usar a paciência a nosso favor, sobretudo controlar o impulso de comprar.

Se tivermos paciência, aproveitarmos o que já possuirmos e não comprarmos os preços elevados sobretudo não comprar a scalpers. O mercado também irá perceber que o consumidor não quer pagar e não vai pagar os preços inflacionados. Eventualmente o mercado ajustar-se-á à medida que esta crise geral se dissipa, e se os preços não voltarem ao regular pelo menos serão bem mais abaixo do que vemos hoje como se vê como consolas ao dobro ou até ao triplo do preço vendidas por scalpers em mercados paralelos, ou até placas gráficas que o preço normal seria de 400€ mas que estão a pedir o triplo do valor.

Se estão mesmo desesperados por um hardware em especifico sobretudo uma consola tem uma pouco de mais sorte, apesar de tudo ainda há algum controlo nos distribuidores e de tempos a tempos as lojas mais confiáveis e populares vão vendendo consolas ao preço normal num regime de pré-reserva. Aí, além da paciência joga também a necessidade de terem que se esforçar mais em estar atentos ao que aparece, procurar alternativas como por exemplo pré-reservas ou as promoções esporádicas que vão aparecendo.

Porém, há uma ditado muito velho que diz que “há males que vêm por bem”. Todos nós temos um grande backlog de títulos por terminar, são raros os que acabaram tudo o possuem, a maioria de nós acumula jogos que comprou sobretudo em promoções em compras por impulso, também temos muito bom jogo que não terminámos.

A título de exemplo, alguns estudos concluíram por exemplo que 53.3% concluíram o Final Fantasy VII Remake e apenas 28.6% completou o Red Dead Redemption II isto na PlayStation 4.

The Last of Us 2 has one of the highest completion rates of any PS4 game

No PC não é diferente, por exemplo no meu caso numa coleção 625 jogos no total no Steam tenho aproximadamente terminei aproximadamente 20%. Só por si é uma oportunidade que podemos usar para diminuir este débito que temos de jogos acumulados que não pegamos.

Outra dica não menos importante mesmo que já não tenham muitos jogos para terminar e estejam desejosos de pegar em algo novo, seja acabar com os jogos acumulados. É uma dica muito velhinha que muitos de nós se esqueceu: não é necessário jogar com tudo no máximo, raros são os jogos que vamos ver grandes mudança de visual mudando de muito alto para alto ou até para médio. Vão ver uma diferença de qualidade maior mudando de baixo para médio do que de médio para alto.

Esqueçam o modo mais alto chamado em muitos casos de Ultra, em 99,99999% dos casos é efeito placebo.

Indo direto ao assunto porque o artigo já vai longo. Muitos de nós já possuímos hardware capaz de aguentar os próximos anos, mais um ou dois anos não custa nada, e muitos dos casos provavelmente até mais uns 3 ou 5 anos! Isto se escolherem jogar como eu em definições médias ou em média-alta.

Vou pegar num jogo que acho que é o melhor exemplo porque até ver é o jogo que tem o melhor menu de definições num jogo, que nos permite mexer em dezenas de combinações a nosso gosto.

Como na imagem em cima mostra, uma das opções que costuma fazer grande diferença é o método de Anti-alising, existem diferentes métodos, uns mais precisos que outros, quanto mais precisos mais recursos consomem, este efeito reduz o “serrilhamento dos objectos” fazendo-os mais lisos sobretudo nas bordas e é o efeito mais fácil de identificar. O Método mais leve é o FXAA.

De observar que o TAA é mais pesado mas a qualidade da imagem será melhor, o importante é ter um balanço desta opção com outras. Como por exemplo a qualidade das texturas, no geral os jogos atuais já tem uma qualidade de texturas media decente na sua maioria dos casos pouca diferença fará de médio para alto, sobretudo se jogarem mais afastados do ecrã.

Estas diferenças podem ser suficientes para passarem por exemplo de 30 fps para 40 ou 60 que é um valor mais respeitável para uma experiência de jogo mais fluída e agradável.

Mas há mais opções aqui onde podemos mexer, mesmo que não saibam o que são no caso de outros jogos que não têm a descrição dos efeitos, podem e devem afinar a vosso gosto a tentativa e erro.

Na imagem acima mudei a qualidade das sombras de alto para médio e a diferença da qualidade visual não mudou muito mas poupei alguma memória da placa gráfica pois é importante não ultrapassar o máximo disponível que na generalidade dos casos causará instabilidade e quebras nos frames do jogo. Um jogo como o Resident Evil 2 é um jogo onde estamos em constante pressão muitas das vezes não olhamos a pormenores e o motor de jogo está bem optimizado, mesmo em settings mais baixas mantém a fidelidade gráfica.

Concluindo: se estamos em condições de jogar algo em settings mais baixas com uma experiência aceitável ou acima do aceitável muito provavelmente vamos estar entretidos a acabar os jogos com o mesmo nível de satisfação se o estivéssemos a fazer com hardware mais recente e top-notch.

Para quem não possui um PC a situação é um bocado diferente mas não tão má, derivado à situação a geração passada irá durar mais uns aninhos pois continuarão a sair jogos para Xbox One e PlayStation 4 e quando chegar a altura para adquirirem uma PlayStation 5 ou Xbox Series X já estará mais acessível e estarão também mais folgados para começar a jogar os jogos mais recentes porque aproveitaram o tempo para limpar o vosso backlog.

A situação poderia ser mais complicada há uns 15 ou 20 anos atrás, mas hoje temos tanta oferta e tanta alternativa que se pararmos para pensar um bocadinho, estaremos entretidos por anos a gastar muito pouco, seja em promoções de jogos como as famosas promoções do Steam, seja com o Xbox Game Pass ou até com serviços de streaming de jogos como o Geforce Now ou o PlayStation Now!