Caçada Semanal #299

Se anteontem falámos de um conjunto de jogos que repensarem com originalidade os management games, em especial os city builders, hoje é altura de trazer três visões diferentes do que é possível fazer com jogos de estratégia.

Youtubers Life 2 [PC, PS4, Xbox One, Switch]

Quando o jogo original foi lançado eu tive a quase certeza de que este seria um sucesso imediato. Não que lhe antevisse alguma qualidade transcendente, mas pelo simples facto de que ele surgia com um timing brilhante no apogeu da fama dos youtubers. E era mais do que óbvio que eventualmente todos os youtubers, do mais pequeno ao maior (em termos de público), iriam querer jogá-lo e eventualmente dar-lhe visibilidade.

As grandes diferenças entre o primeiro Youtubers Life e este, é que a sequela incorpora elementos contemporâneos que ainda eram menos evidentes ou existentes quando o primeiro jogo saiu.

Para além de todos os elementos que demonstram que na realidade, como qualquer profissão, os criadores de conteúdo – especialmente aqueles que ainda não têm capacidade financeira para ter uma equipa – acabam por ser um exército de uma pessoa só que tem de fazer tudo. Filmar, editar, pensar no conteúdo, promover, aparecer.

O objectivo de Youtubers Life 2, esta sequela de um content creator tycoon de sucesso, é, como se esperaria, obter o maior número possível de seguidores. Para isso as trends e o equivalente ao Instagram são verdadeiramente fulcrais, com este a obrigar-nos a viajar pela cidade à espera da oportunidade perfeita para uma selfie.

Mas é possível que com o seu ambiente cartoonizado este diferente management game que é Youtubers Life 2 esconda de alguma maneira, o seu maior segredo e o seu maior selling point: o de demonstrar na perfeição as dificuldades e a necessidade de entrega a qualquer projecto, neste caso um canal de YouTube. Mesmo que o falhanço esteja a poucos passos à nossa frente.

Despot’s Game: Dystopian Army Builder [PC, Mac, Linux]

É curioso falar de um jogo tão interessante – e na realidade tão viciante – quanto Despot’s Game: Dystopian Army Builder, momentos após ter enviado a um grupo de amigos aqui do Rubber aquele célebre .gif do Rodrigo Santoro como Xerxes a dizer “I am a Generous God”. É que em Despot’s Game: Dystopian Army Builder somos tudo menos deuses benevolentes, mas somos, na realidade, uns déspotas que se divertem com um reality show sangrento, sem qualquer consideração pela vida humana. Ou lá qual for a espécie das pequenas figuras rosa que servem de concorrentes neste programa brutal.

Despot’s Game: Dystopian Army Builder é um auto army battler misturado com dungeon crawler. Não controlamos directamente os personagens, mas compramos equipamento (que lhes muda a “classe) e posicionamo-los no terreno, criando frontline e backline.

Assim que cada combate começa o nosso controlo cai porta fora. Tanto as nossas figuras rosa como os inimigos (e bosses) atacam automaticamente, e é aí que vemos o resultado da nossa estratégia e planeamento da composição do nosso exército.

Em cada nível temos de tentar encontrar a saída o quanto antes, já que, para além dos nossos soldados morrerem em combate (podemos ir comprando outros ao longo das salas das dungeons), mas cada vez que mudamos de sala o nosso exército consome a comida que temos disponível. Se a comida falhar, os nossos soldados começam a morrer.

Ainda em Early Access e com elementos de roguelike – que já não apanham ninguém desprevenido – este novo jogo do estúdio Konfa Games dentro do seu universo Despot é divertido e desafiante, e uma agradável surpresa que nos mantém ligados para mais uma run. E mais uma run. E mais uma run após essas todas.

 

ConnecTank [PS4, PC, Switch, Xbox One]

É sempre divertido ver jogos a pegarem em boas ideias e a introduzirem elementos de cooperativo. Isto tem sido especialmente importante para mim desde que o couch co-op ganhou outro destaque em minha casa com os meus filhos a gostarem de jogar jogos cooperativos.

ConnecTank é um destes jogos que segue a senda de grandes sucessos como Overcooked e Move Out mas com uma temática completamente distinta: somos operadores de um mecha gigante e temos não só de construir um sistema de alimentação de munição, como providenciar essa mesma munição.

O nosso ecrã é preenchido pelo interior do mecha, onde resolvemos uma espécie de puzzle game para construir as correias transportadoras da munição, e a alavanca que define se disparamos na altura média, em cima ou em baixo.

No centro do ecrã temos receitas das munições, e se introduzirmos essa sequência de elementos na correia vamos produzir um projéctil poderoso. Os projécteis movem-se lentamente no exterior mas seguem uma lógica de pedra, papel e tesoura, e é essa a lógica que temos de seguir para destruir os mísseis inimigos sem que estes consigam destruir os nossos. Se qualquer um dos mísseis atingir a fuselagem do mecha, damos, ou recebemos dano.

ConnecTank é uma mistura divertida e original de elementos, e agora que o tentei explicar em texto é que percebo que não só lhe retirei muita da piada que sentimos ao jogá-lo, como muito provavelmente não consegui fazer jus ao cruzamento interessante de mecânicas que contém. Mas é sem dúvida um dos mais originais co-op action games que já joguei, com o ponto positivo de ainda nos disparar com elementos de puzzle e strategy games como cereja no topo de um bolo em forma de mecha.