Caçada Semanal #302

É possível que para os jogadores mais jovens, que entraram nesta paixão dos videojogos com o 3D a dominar o mercado, que por vezes os títulos em pixel art de alguma forma soem a algo ultrapassado. Mas os criadores independentes têm-nos provado, semana após semana, que aquilo que conseguem fazer algo novo e interessante nos dias de hoje com uma técnica – dita – antiga. Os dois jogos de hoje são um exemplo disso.

6Souls [PC]

Desde que Super Meat Boy reavivou a chama dos platformers old school onde a precisão é rainha e o desafio é rei, que muitos indie developers têm seguido esta abordagem como um chamamento criativo.

6Souls é mais um título a fazê-lo, um jogo que em quase tudo é igual a dezenas de tantos jogos que vão saindo de forma discreta todos os meses, sobretudo no Steam. Com a diferença de que, apesar de dificilmente conseguir evidenciar-se numa montra digital tão saturada como a do Steam, este 6Souls fazer tudo aquilo que dezenas de tantos jogos têm feito… mas bem. O que considerando a saturação actual do mercado com shovelware, já é um grande ponto de mérito a este jogo da Ratalaika Games.

Em 6Souls temos de atravessar um castelo para salvar 6 almas, sendo que ao fazê-lo ganhamos novos poderes de movimento. Há uma esfera de metroidvania neste jogo, subtil, ligeira, ainda que a introdução de cada novo poder não seja numa perspectiva de imagem global do jogo, mas apenas como uma limpeza de palato de nível para nível.

Atravessamos os 80 níveis de 6Souls com esta perspectiva: quando nos é introduzido um novo poder a sua utilização na resolução dos pseudo-puzzles de level design é utilizado até à exaustão. O que poderia ser uma progressiva mescla e complexificação do level e game design através da utilização dos novos poderes, torna-se apenas um exercício de compactação do jogo em blocos de níveis, onde um poder/habilidade é utilizado à exaustão.

Talvez no meio de um jogo perfeitamente aceitável mas não surpreendente, a monotonia e a repetição de 6Souls seja o seu verdadeiro pecado. E percebemo-lo muito rapidamente.

Revita [PC]

Roguelikes. Há quem esteja farto dos muitos títulos que têm saído, há quem esteja sempre à espera do próximo grande título do género a quem dedicar horas infindáveis de jogo. Como devem saber, enquadro-me no segundo grupo.

Revita é um roguelike twin stick shooter bidimensional, um action platformer em pixel art que soube aprender com os melhores jogos da História dos videojogos em termos de fluidez de controlos e de movimento.

Na nossa aventura pela busca da nossa própria memória perdida (não fosse cada dungeon run começar na Memoria Station de uma linha de comboio), embarcamos num comboio que nos deixa no piso térreo de cada novo “nível”. O desafio é derrotar todos os inimigos que encontramos em cada piso, sobreviver, apanhar o elevador para o próximo andar, e repetir isto até encontrarmos a nossa morte. Que vamos encontrar, obviamente. Não fosse isto um roguelike.

Quando morremos vamos para uma Torre de Relógio onde podemos adquirir artefactos que servem de upgrade ao nosso personagem, nas expectável tentativa de levá-lo a ser mais forte, mais rápido, mais resistente e mais eficaz no desafio de sobreviver à escalada andar após andar das torres que constituem as dungeons.

Revita é um interessante roguelike bidimensional feito por BenStar, o pseudónimo do solo developer Benjamin Kriefer, e publicado pela editora Dear Villagers. E é sem sombra de dúvida uma boa abertura deste ano no que diz respeito a roguelikes que nos agarrem, sem querer largar.