
Diablo 3 está a fazer 10 anos. Tinha uma relação de ódio-ódio com o jogo. 2012 foi mais ou menos a altura em que era mais activo e conhecido nos jogos de browser. Mal saiu Diablo 3 levou com ele algumas das pessoas mais geniais que conhecia. Simplesmente desapareceram do mapa. Entraram no jogo e nunca mais voltaram. Foi um rude golpe para a minha motivação. Foi aí que comecei a perder o entusiasmo com esses jogos e voltei gradualmente aos jogos tradicionais. Não foi a única razão pela qual tive Diablo 3 instalado no PC uns 3 ou 4 anos sem nunca lhe ter tocado, mas sempre soube que foi a mais importante. Peguei-lhe agora. Também foi agora que percebi.
Quando foi lançado Diablo 3 foi mais falado pela loja onde se podiam vender e comprar itens por dinheiro real que pelo jogo em si. Arrisco dizer que, embora bem recebido pela imprensa, os jogadores arrasaram o jogo. Nessa altura não percebia bem como se podia criticar tanto um jogo mas continuar a jogá-lo de forma ininterrupta. Que totó. O amor tem destas coisas. Quando se ama quer-se o melhor para o outro, nem que o outro seja aquele jogo no qual estamos viciados, e que nunca será perfeito para todos por muito que o queiramos.
Aparentemente os problemas foram corrigidos com a primeira expansão, Reaper of Souls, mas considerando que apenas saiu dois anos depois do lançamento do jogo para muitos já foi tarde, para outros, como eu, fez com que a experiência de jogo já fosse corrigida.

Por norma não entendo bem o conceito de andar sempre a repetir a mesma coisa, isso afasta-me um bocado dos CRPG/ARPG como Diablo, feitos para serem jogados em loop apenas para se conseguir loot de nível mais elevado, fico sempre a pensar onde vão buscar a substância para me manterem agarrado ao jogo dessa forma. Sei que há várias classes e personagens, mas porque hei-de querer saber todos os pontos de vista, quando os beats principais da história são os mesmos.
Diablo 3 contorna isso bastante bem porque tem uma história maleável o suficiente para me ter aberto a curiosidade para novas runs, ao mesmo tempo que não é tão grande como pensava, talvez a rondar as 30 horas, o que me fez querer voltar ao princípio mal acabei, mas pior que isso, fez-me querer comprar expansões para entrar nos loops dos itens… sou um vendido!
Na primeira hora de jogo já estava agarrado. Afinal há vida para lá do Game Pass, mesmo que agora me cheire que o jogo pode muito bem lá entrar, e precisei de ser relembrado disso. Sempre disse que os jogos são intemporais, e este envelheceu bem. 10 anos são muitos anos e entendo porque é que os fãs anseiam por mais, afinal a última expansão foi em 2017 e o loop é o mesmo… vezes sem conta. Não é por essa razão que novos jogadores não vão aparecendo. Sempre que jogava havia malta no chat a pedir grupos. Ainda há algum apelo no jogo. Ainda aparece malta nova.

Ultimamente o Rui Parreira e o Ricardo Correia falaram algumas vezes no jogo. Havia alguma discordância acerca do seu valor, e eu ainda me consigo colocar entre a posição de ambos, pelo menos assim parece, já que acho que há bastante vida para além da história, mas não me vejo a jogar isto de forma mais que casual.
Fiz a minha primeira playthrough com o Monge. Por norma sou sempre healer se houver essa opção, e foi essa a razão da escolha. O truque do jogo foi a forma como a história é aberta o suficiente para aparentar ser significativo ver todos os pontos de vista. A escrita desta personagem é bastante coerente e adorei as suas interacções com todos os outros. Também acho que há alguma dimensão nos nossos companheiros, e saber mais sobre eles teve significado para mim. Claro que não esperava nem quero que esperem uma trama densa, afinal a história é a mesma para múltiplos personagens, mas estes sacaninhas souberam bem como manter algum sal na manteiga.
Nesta altura do campeonato não deve haver muita gente que não saiba o que é o jogo, mas creio que se mantém actual em todas as dimensões. Mesmo a componente gráfica não atrapalha absolutamente nada.
Havendo um teste do tempo Diablo 3 passa-lo com distinção. Se não conhecem não tenham medo de experimentar, se já não jogam há uns anos deve dar para lá voltarem e ainda se divertirem um bom bocado. Fui um bocado urso em não o ter jogado antes.













