Caça ao Indie #305

Seja a gerir um reino com os pés bem assentes na terra ou com a cabeça literalmente nas nuvens, estes dois indies de hoje demonstram vertentes diferentes dos jogos de estratégia.

Noble Fates [PC]

Utilizarem palavras como “kingdom” e “builder” seguidas uma à outra tem o mesmo efeito de sentir o cheiro a iscas a serem feitas: começo a salivar. É pavloviano. Por isso quando recebi um contacto promocional a anunciar a chegada a Early Access de Noble Fates, sabia que o queria experimentar de imediato.

Das centenas (ou milhares?) de jogo em Early Access que joguei, já percebi que existem muitos patamares de desenvolvimento, e Noble Fates, por muito complexo sistema mecânica que tenha (e tem), ainda está num período muito pouco polido e necessita de muita afinação.

Nada disto invalida a percepção do que poderá aqui vir a resultar, num título que é assumidamente inspirado por Rimworld, e onde essa influência se percebe ao longo de cada playthrough.

Podemos alternar entre uma vista aérea habitual para construção e gestão ou uma perspectiva na terceira pessoa para seguirmos o nosso personagem. Falando em algo interessante a circundar os personagens deste jogo: todas as suas personalidades são aleatoriamente geradas, obrigando-nos a conhecer cada uma das pessoas que vai compondo o nosso reino, sabendo quais as suas opiniões e ânsias.

Há algo que Noble Fates representa bem no aspecto governativo: é impossível que todas as pessoas gostem de nós. E fá-lo, mecanicamente, ao criar não só essa geração aleatória de personalidades, mas também com valores individualizados de ambição e prestígio, levando a que alguns dos nossos concidadãos sonhem com o nosso lugar, e o ponham à prova.

Com todo o sistema de gestão complexificada, é salutar ver que os autores de Noble Fates introduzirem mecanismos de automatização, para não ostracizar jogadores mais casuais do género, mantendo sempre a possibilidade de fazermos micro-gestão de todo o nosso reino.

Apesar de estar ainda em Early Access, este sucedâneo de Rimworld tem um grande potencial, e pode, para já, aplacar a fome de todos os fãs deste, e que não encontram algo novo para jogo.

Sky Fleet [PC]

Perderia a conta a jogos indie que partem de boas premissas, mas cuja execução ou desenvolvimento revela ou incapacidade para ir mais longe, ou falta de capacidade de ver essa mesma premissa num espectro alargado. Sky Fleet enquadra-se numa destas duas situações.

Neste RTS com elementos de tower defense, controlamos um zeppelin ao largo das ilhas flutuantes de Aerth, tentando proteger o nosso reino dos saqueadores Binocs que vêm roubar os nossos minerais e demais recursos.

Para isso temos de ir construindo um sistema de defesa flutuante e interligado por cabos à base, e que sirva não só para canalizar recursos dos nódulos de minerais, mas também como canhões automatizados que ataquem os inimigos que se aproximem do nosso espaço.

É claro que um dos principais elementos de defesa de Aerth somos nós e o nosso zeppelin, um elemento de twin stick shooter que é, simultaneamente, o grande calcanhar de Aquiles do jogo. Não consigo explicar o que se passa com os controlos do nosso zeppelin, mas é um verdadeiro pesadelo deslocá-lo não só na direcção, mas também à velocidade que desejamos. Com o jogo lançado, tenho aguardado por patches que tardam em chegar e que corrijam este problema que torna muitas vezes Sky Fleet verdadeiramente injogável.

Com uma campanha curta de apenas 8 missões e que servem sobretudo como treino para o “prato principal” de Sky Fleet: a sua componente online de PVP. O grande problema? Colocar todos os ovos para a longevidade de um título indie na sua componente competitiva online é, como imaginam, um passo arriscado que raramente compensa. E este é um desses casos.