Em 12 anos, Final Fantasy XIV teve direito a um reboot prematuro e quatro expansões, sendo atualmente um dos MMO mais bem-sucedidos da atualidade. As mais recentes expansões elevaram a qualidade do jogo e puxaram a sua narrativa a um padrão de qualidade reconhecido por todos os fãs. Há mesmo quem considere que todo este arco narrativo, que se encerra em Endwalker e muitos dizem ser o melhor de toda a série Final Fantasy. Não serei a pessoa ideal para fazer este julgamento, pois não joguei a maioria dos títulos da série, mas posso afirmar, estando perto de acabar a narrativa de Endwalker que se trata de uma grande viagem.

Antes de prosseguir esta análise tenho de deixar um disclaimer. Esta é direcionada sobretudo para quem nunca tenha jogado Final Fantasy XIV, e não para os fãs conhecedores. Analisar um MMO ou neste caso uma expansão, requer uma disponibilidade para experimentar as novas classes, que ainda não o fiz ou o conteúdo endgame como a nova raid, que ainda não consegui chegar. Esta é uma análise de alguém que aterrou há pouco tempo neste mundo e sente que tem conteúdo para muitos meses ou anos pela frente.

Para analisar esta última expansão, mergulhei neste universo online em agosto, do zero. E diga-se de passagem que se trata de uma viagem incrível que Naoki Yoshida e a sua equipa nos propõem, sempre de forma crescente. Há drama, comédia, desespero. O torcer pelas personagens que evoluem a cada expansão, dos simples desconhecidos que nos são apresentados em Reborn, à amizade profunda conquistada em Endwalker. Tem sido uma viagem incrível nestes últimos cinco meses e sinto que tenho muito pela frente.

O melhor de Final Fantasy XIV é que o termo MMO pode ser enganar. É um MMO na sua essência, mas é possível desfrutar esta experiência da forma como se desejar. O jogo é uma autêntica cebola com diferentes camadas, que os jogadores podem investir apenas na história, no grind para equipar a personagem e investir nas habituais dungeons e raids. Há profissões, mercado para vender itens e toda a componente social habitual de um MMO, ou podem ignorar tudo isto e seguir as quests narrativas sucessivas e explorar o que este mundo oferece.

Mas esta análise não é sobre Final Fantasy XIV. É sobre a mais recente expansão Endwalker. Talvez por ter uma ideia fresca de todas as aventuras que as anteriores três expansões e o jogo base nos oferece, talvez não considere Endwalker a minha expansão preferida. No que diz respeito à introdução de novas personagens carismáticas. Mas é tecnicamente a expansão melhor, mostrando como a Square Enix tem mantido o jogo atualizado com o passar dos anos. Mas esta é a expansão que pretende rematar todo o arco narrativo desde Reborn, começando a traçar, em futuras expansões, aquilo que será o futuro deste universo.

Endwalker representa o amadurecimento deste MMO, introduzindo dungeons belíssimas e pelo menos um dos melhores bosses que encontrei durante a aventura. Mas note-se, não sou a pessoa para fazer comparações porque honestamente ainda me faltam fazer várias raids, incluindo a nova Pandemonioum, e isso só me deixa antever a excitação que ainda tenho para continuar a jogar. Considero este tipo de conteúdo um bónus de luxo a consumir depois de concluir o arco narrativo. Neste momento falta-me uma dezena de quests.

A nova aventura oferece-nos alguns novos locais incríveis de explorar, incluindo Sharlayan, uma nação ilídiaca, onde vivem as mentes brilhantes de Eorzia, terra-natal dos gémeos que nos acompanham desde sempre. Vamos explorar as terras invernais de Garlemald, onde se concentra o império opressor. Ou descobrir o papel da Lua neste universo. E cada bioma tem a sua própria atmosfera, fauna e flora para explorar.

A expansão introduz claro uma nova banda-sonora que caracterizam os ambientes, novos temas de batalha, com um tom mais pesado, a representar o tema central Final Days, o evento que tem sido construído ao longo dos anos.

Um dos aspetos que se nota nesta aventura, em relação às expansões anteriores, é que existem mais quests onde somos acompanhados por determinadas personagens, com pontos no caminho para diálogos opcionais que expande um pouco a narrativa do local. Ao longo das expansões o jogo oferece instâncias a solo, com encontros com bosses e outros desafios, que se mantém neste Endwalker. Elevam o desafio, quebrando por vezes a rotina dos longos diálogos que as quests oferecem.

Durante a minha jornada, optei pelo Black Mage como job e como secundário um Warrior, que funciona como tank. Por isso não tive oportunidade de testar ainda as duas novas classes: o Reaper e o Sage. O Reaper é uma classe focada em DPS, equipado com uma foice como arma principal. O Sage é uma classe de healing e de proteção do grupo. São classes que irei explorar depois de ter o Warrior no máximo.

Como referi, há muito que ainda ficou por explorar nesta altura de Endwalker, mas também das expansões anteriores. E é a quantidade de conteúdo, desenhado para se jogar uma hora ou várias horas numa sessão que justificam a mensalidade deste MMO. A qualidade técnica que Endwalker introduz, as novas dungeons e conteúdos, abrem portas a um mundo que vai continuar a expandir-se.

Durante os próximos dois anos, até à nova expansão, tal como até aqui, os jogadores vão ser brindados com novas missões narrativas, dungeons e raids. E a preocupação do estúdio em ouvir os fãs e afinar o jogo é um dos aspetos mais elogiados. E isso torna-o um dos melhores MMOs da atualidade. Sem dúvida. E muito ficou ainda por explorar e por dizer.