
Adoro jogos de corridas. Adoro a forma como me fazem sentir livre a fazer algo que a maioria de vezes está associado a regras rígidas de simulação, não obstante consigo praticamente sempre abstrair-me de tudo o que se passa à minha volta ao jogar. Também tenho de admitir que a minha Némesis sempre foi o motocross. A minha primeira tentativa já foi tarde. Motocross Madness, que abandonei. Forcei no segundo. Abandonei. MTX, abandonei. MXGP, abandonei. Parece claro o padrão. Então aqui me encontro com Monster Energy Supercross – The Official Videogame 5 (doravante MES 5). Abantive-me! Forcei, mas até lhe apanhei o jeito.
O nosso querido líder faz o que pode com a fruta que tem, mas tenho de aprender a ser mais conciso com as minhas palavras. Quando eu pensei que tinha escrito de forma carinhosa que iria enterrar qualquer tentativa de jogar um jogo que envolvesse motas numa pista de terra batida pejada de saltaricos, ele leu que eu estava super entusiasmado pela oportunidade de voar pelos ares nas asas da emoção motorizada. Talvez tenha de rever as minhas figuras de estilo…

Para me assustar ainda mais, o jogo ainda não saiu, pelo que nem tenho a opção de fazer batota e perceber se o jogo é bom, mau ou assim-assim, o que me deu mais algum trabalho, até porque desconhecia completamente esta franquia, o que me obrigou a ir ver vídeos da entrada anterior e tentar comparar, mesmo considerando a fabulosa qualidade da imagem comprimida do Youtube. Também a ajudar à festa, este jogo parece popular entre uma minoria fiel de fãs da série que, muito provavelmente, encaram a vertente competitiva do jogo de forma séria e se mantêm ao longo do ano a competir entre si e a produzir conteúdos regularmente.
Em Portugal isso não parece tão visível, já que não é propriamente um desporto popular. Também não podia ser tudo a carregar, certo?

A primeira coisa que me saltou à vista foi a opção de remote play together que, digam o que disserem, é para mim uma clara mais valia para qualquer jogo que permita multijogador e MES 5 até permite que se jogue em ecrã dividido! Aliás, todos os modos para apenas um jogador estão presentes: Futures Academy: uma espécie de tutorial para nos ensinar as coisas mais básicas; Career: A esperada carreira, onde começamos com motas 125 e acabamos na 450cc; Single Event: onde escolhemos apenas uma corrida; Track Editor: sim, podemos criar pistas. Testei antes do jogo sair e só havia uma. Imagine-se, uma farm de experiência. Ainda o jogo não saiu e já há mafiosos; Championship: apenas um campeonato; Time Attack: para batermos tempos e Free Roaming: para andarmos livremente na área de treino ou em qualquer pista.
Mesmo considerando todos estes modos, para o jogador casual como eu, o conteúdo esgota-se rapidamente, mesmo considerando as múltiplas opções de customização possíveis, “todas as mesmas roupas e motas onde só mudam as cores e pouco mais” que temos para comprar.

O que me parece que dará longevidade ao jogo é o multijogador e, muito provavelmente, a edição e partilha de pistas, infelizmente modos que não consegui testar porque o jogo está ainda vazio, porém, seguindo exemplos de anos anteriores, acredito que esta franquia anual tenha a mesma capacidade de retenção de utilizadores que o habitual.
Ora, não sei comparar as sensações de condução de um ano para o outro, mas graficamente o jogo até parece… pior… sim, é estranho, mas o detalhe fino parece muito melhor na entrada anterior que em MES 5, e não sei explicar essa opção. Isso é mais notório no detalhe do terreno e na roda traseira (e seu movimento) das motas, logo por azar, as coisas que mais se veem durante o jogo.
Jogando o raio do jogo tenho que admitir que a minha experiência inicial não foi animadora, cingindo-se ao tradicional saltar para fora da pista de forma consecutiva, seguindo-se a inabilidade de realizar qualquer tipo de manobra sem acabar estatelado contra as barreiras de protecção e acabando pela falta de percepção de velocidade de forma a encadear as sucessivas lombas sem perder 17 minutos por lomba.

Admiravelmente progredi bastante, e de forma bastante rápida. Conduzir com ambos os thumbsticks, de forma a equilibrar o peso do corpo no lado direito e a direcção da mota no esquerdo, revelou-se muito mais fácil do que eu esperava e o meu cérebro adaptou-se rápido a ter dedos que, de tempos a tempos, tinham de se mover em direcções diferentes. Sai da pista começou lentamente a tornar-se um evento mais esporádico, o que me levou a ter confiança para tentar habilidades.
De forma genérica só fui capaz de fazer 3 delas, mas fi-las com muito orgulho. Quase me sentia o Jeremy McGrath (fui ver ao Google, mas ninguém precisa de o saber) do very easy! Maaaaas depois aumentei a dificuldade. Não se pode ter tudo. Fico orgulhosamente com o meu lugar gravado no Hall of Shame. Pelo menos conhecem-me.
Ainda tenho muita dificuldade com a velocidade certa para cada ocasião, mas quando saía bem duma curva e já conhecia a pista comecei a notar que já estava melhor nesse campo, embora esse requeira bastante mais trabalho, nem que pela memorização de pista e porque qualquer desvio ou mudança mínima no ângulo da mota nos atira para a valeta.
Sou sincero. MES 5 não me parece nada de especial. Tecnicamente parece competente. Como simulador está interessante, mas parece curto. A sério que me esforcei para encontrar algo que me sugira que tem horas e horas de conteúdos para oferecer a noobs como eu, mas não encontro. MES 5 parece novamente um jogo para os fãs deste desporto. Vale a pena comprá-lo? Considerando o conteúdo, e antecipando a migração da comunidade para esta nova entrada, a resposta parece simples. O multijogador vai estar aqui, então de que serve o anterior?













