
Wife Quest foi uma surpresa, não vale a pena andar aqui a engonhar e a dourar a pilula. Desconhecia por completo o jogo e só o pedi porque não tinha mais nada nas mãos. Então vamos lá ao obrigatório texto. Quando reparei que o jogo era para maiores de 16 e o trailer que o querido líder deixou no grupo do Whatsapp vinha pejado de voluptuosos seios pensei logo que ia ser daqueles jogos cuja história se focava nesses volumosos assuntos. Erro. Estereótipo.
Wife Quest não tem nada disso, ou melhor, não tem nada disso na forma que eu imaginava quando imagino esse tipo de imaginação imaginada. Wife Quest é totalmente em pixel art de 32 bits e tudo aquilo a que associamos a sexualidade exagerada está completamente infantilizado ou é simplesmente usado em piadas que, para ser totalmente honesto, embora sejam muito do reino dos Malucos do Riso, são bastante boas e, na sua maioria, resultam.

Na sua essência Wife Quest é um jogo de plataformas em que foram introduzindo alguns elementos de metroidvania. Muitas vezes esta vontade de nos fazer andar para trás e para a frente acaba por fazer mais mal que bem a alguns jogos, mas aqui esses elementos são tão subtis que não interferem muito com o jogo em si, tanto que até os considero facultativos.
Jogamos como Mia que não sei se é algum tipo de guerreira, mesmo sendo óbvio que é dura como pedra e sabe manejar a espada. O nosso objectivo é salvar Fernando, o seu marido, raptado por um grupo de mulheres que querem… partilhar a sua amizade.
O jogo começa bastante simples, tipo um jogo de plataformas para totós. Bramimos a espada para eliminar alguns inimigos fracotes, damos uns saltitos e pouco mais. Gradualmente vão sendo introduzidos novos inimigos que nos dificultam a vida e o primeiro boss é um abre olhos. Algo transversal a todo o jogo é mesmo esse escalar enorme de dificuldade para cada boss. Para ajudar ao escalar da dificuldade também ganhamos novas capacidades, como o uso de um escudo ou a possibilidade de planar. Avançar sem estas melhorias é impossível, mas o jogo é linear e iremos sempre consegui-las.

O que já é facultativo é o uso da loja para melhorar as nossas habilidades. Podemos melhorar praticamente todas as nossas habilidades e poder. Para um nabo como eu isso é imprescindível, mas neste campo pode representar o tal desafio para aquele jogador que gosta de apimentar o seu playthrough. Quando fiquei um bocadito preso num dos boss pensei que podia fazer um bocado de grind para melhorar um stat que considerava importante para o derrotar, mas embora teoricamente possível não é algo fácil de fazer. Há um sistema de moeda no jogo. Cada inimigo que derrotamos dá-nos algumas moedas, e explorando encontramos baús com imensas moedas. A grande maioria da moeda que encontramos é nesses baús, que depois de encontrados não dão para reencontrar. Gosto bastante disso. Há que dizer que há moeda mais que suficiente para comprar melhorias mais que suficientes para avançar e não há cá essa história das microtransacções para comprar moeda, bem, pelo menos até a Polyphony Digital encontrar este jogo, nesse caso não prometo que não apareçam.
O gameplay em si não é nada de especial. Há uma componente de puzzles muito simplista em que, resumidamente, temos de entrar em áreas diferentes para abrir novas áreas, mas mesmo isto é feito de forma muito linear. Há uma componente de plataformas mas, aparte algumas folhas a cair, também não é por aí o desafio. Há um componente de combate que, fora os boss, também não incute grande sentimento de genialidade. Ou usamos o escudo para a malta que nos atira coisas, ou batemos em quem não atira. O muito generoso sistema de saves também nos dá toda a liberdade do mundo para atacar os níveis sem grande receio de perder, já que a maioria das vezes a perda real se limita a alguns segundos ou um minutito de progresso. Mesmo que numa secção um pouco mais complicada, em nenhum momento sentimos que estamos numa secção intransponível do jogo.

Com isto estou a chegar ao fim do texto. Wife Quest não tem nada de memorável. Arrisco dizer que daqui a um ano já nem me devo lembrar do nome do jogo, mas agora digo que custa 7€ e, de forma algo inacreditável, se quiserem jogar na Switch não tem taxa Nintendo, está ao mesmo preço na loja deles. Uma raridade. Um conjunto sólido, embora sem ser impressionante, de mecânicas, diálogos moderadamente engraçados, progressão constante e arte consistente fazem deste jogo uma pechincha para quem gosta do género.













