O título não deixa sombra para dúvidas, não é? Kansei: The Second Turn HD não facilita com as piadas, até porque a dado momento, uma das personagens decide nomear o protagonista, que inicialmente não tem nome, por Kangai. O problema é, quando se chega aí, logo nos primeiros dez minutos, já se está um pouco farto do jogo.

Primeiro, não é imediatamente claro o que o jogo é. A ideia de história de detetives anda no ar, os diálogos iniciais, pouco claros, difusos, propagam mais uma ideia de mistério do que de detetives. Mas é de detetives, é, um grupo de jovens com poderes sobrenaturais – Kansei – e cada um joga com a ferramenta com que nasceu para manobrar a situação a seu favor.

Ó amigo, não sabes que falar com braços cruzados dá zero entusiasmo?

Depois de um cold opening, introduz-se as personagens e percebe-se que estão a ir para fora da cidade para falar com um ricaço da tech – Mr. Auten – sobre um outro homicídio. A viagem é lenta. O propósito é apresentar dinâmicas entre personagens, mas o texto não tem grande ritmo e é muito fácil perder a atenção para o que está a acontecer. A velocidade a que o texto é lido pelas personagens piora a situação, é uma cadência perto da morte. Cansa muito rapidamente.

Passa-se uns bons vinte minutos sem se fazer grande coisa. Personagens e mais personagens são introduzidas, até que Mr. Auten se passa da cabeça quando sente Kangai por perto. Pouco depois, o protagonista sente – Kansei – que há algo de errado a acontecer. Mr. Auten foi assassinado na sua casa. Este é o crime que se terá de investigar com as restantes personagens, entre recolha de pistas, investigação nas diferentes divisões da casa e uma exploração superficial sobre a vida de um tipo do qual ninguém parece gostar por aí além. Ou pior, não ter muito a dizer.

Somos sim. Onde é que são os comes e bebes?

Felizmente, tudo se desenvolve de forma rápida e é um jogo que se acaba rapidamente. Fica aquela inevitável sensação de que foram duas horas irrecuperáveis. Um diálogo melhor escrito e uma introdução mais dinâmica tornariam o jogo mais apelativo, vinte minutos para se entrar na acção propriamente dita já é muito; num jogo com diálogos lentos e com falhas de ritmo, parece uma eternidade. Quando se chega ao sumo da coisa, é difícil levantar a moral e o trabalho de detetive torna-se numa rotina chata, sensaborona.