A nova aventura de Kirby ganha uma nova perspetiva tridimensional, quebrando com as suas tradições de plataformas de ecrã lateral em 2D. Essa nova perspetiva não é apenas estética, como permitiu à Hal Laboratories expandir as suas mecânicas práticas, como a possibilidade do famoso glutão cor de rosa absorver objetos pouco tradicionais, introduzindo novidades bem refrescantes. 

Kirby é uma das séries mais antigas da Nintendo. Um herói que os fãs acompanham em inúmeras aventuras em todas as plataformas da empresa. E ao longo da série, embora não mexendo nos seus alicerces básicos, o estúdio foi sempre introduzindo alguns temas que acabam por se tornar as mecânicas essenciais. Kirby’s Epic Yarn é para mim o exemplo de design perfeito num jogo de plataformas, ao construir toda a aventura em torno de materiais de corte e costura, incluindo linhas, remendos, fechos éclaires e diversos outros elementos de tecido utilizados na construção dos cenários e nas suas mecânicas. 

Em Kirby and the Forgotten Land, o protagonista e os seus amigos foram sugados do seu planeta Popstar para um mundo misterioso. Kirby acorda numa praia e tem que salvar os seus amigos Waddle Dee. O cenário é um pouco devastador, as cidades estão em ruínas e existem criaturas para enfrentar. O protagonista conta com um novo companheiro chamado Elfilin, que também foi capturado e ambos têm de percorrer os diversos cenários para encontrar forma de voltar a casa. 

Apesar dos cenários serem tridimensionais, o jogo mantém uma estrutura linear, baseado em níveis temáticos. O jogo oferece caminhos bifurcados, em alguns pontos e inúmeras áreas secretas para encontrar. Por isso, para além de chegarem ao final do nível, o jogo traça uma lista com objetivos específicos, além de salvar os seus amigos enjaulados. Estes passam por destruir objetos específicos, comer determinados itens, encontrar áreas secretas e outras que são dadas no final do nível. Isto significa que podem ter de completar várias vezes o mesmo cenário para obter a estrela especial de 100% completo. E isso é o que torna o jogo interessante, ao oferecer diferentes camadas de dificuldade, uma vez que terminar o nível acaba por ser o mais fácil. 

Existem algumas novidades na aventura. As habilidades especiais de Kirby, obtidas por engolir determinados inimigos são bem conhecidos dos fãs: as bombas, o fogo, o gelo, o boomerangue e outras são bastante familiares. No entanto, ao longo da aventura vão encontrar papiros secretos que permitem melhorar a respetiva habilidade para uma versão mais poderosa. Basicamente é uma duplicação dessas habilidades, por exemplo, as bombas podem ser disparadas ficando ligadas entre si, criando uma espécie de campo minado para os inimigos. Todas as habilidades ficam mais poderosas no geral e transformam um pouco a abordagem aos puzzles e ação. 

Por outro lado, o jogo introduz as transformações especiais, as mouthful, que podem passar por engolir de um cone de sinalização que permite à personagem furar o chão; engolir uma viatura que permite mesmo circular a alta velocidade pelo cenário, incluindo pistas de contrarrelógio; uma máquina de venda automática que dispara latas; uma escada, asa delta e muitos outros. Basicamente cada mundo tem pelo menos uma nova mecânica baseada nestas habilidades especiais que tornam a aventura mais divertida e refrescante. 

No final de cada mundo temático há um boss para enfrentar. E embora não sejam muito desafiantes, mais uma vez os objetivos secundários secretos adicionam mais camadas de desafio. Paralelamente aos níveis da aventura, o jogo oferece diferentes desafios especiais em torno das habilidades de Kirby. É uma espécie de tutorial transformado em puzzles que devem ser completados dentro do tempo limite. E a recompensa são uns cristais utilizados como matéria-prima para evoluírem as habilidades básicas do protagonista. 

Há uma aldeia, onde são reunidos os amigos salvos por Kirby, que dão acesso a diferentes edifícios, lojas e personagens para falar. Durante os níveis vão encontrar cápsulas com figuras colecionáveis, mas estas podem ser compradas nas máquinas de gacha na aldeia. 

O estúdio acabou por fazer um bom trabalho na passagem das mecânicas da série num espaço 3D. E é possível jogar a aventura na companhia de um segundo jogador na mesma consola, o que torna ainda mais divertido o jogo. 

Graficamente o jogo mantém todo o seu charme, colorido e com animações de cartoon sempre divertidas. E tudo acompanhado por melodias bem ritmadas e envolventes. A nova aventura de Kirby promete desta forma agradar aos mais jovens, mas igualmente os graúdos, sobretudo fãs de há muito tempo deste universo. Pessoalmente nunca fui fã de Kirby, excetuando o fantástico Epic Yarn, mas esta aventura consegue agarrar-nos por muito tempo, desafiando a repetir os níveis para os completar a 100%. E para aqueles que temiam a passagem do 2D para o 3D, este é mais um exemplo de como deve ser feito, evoluindo a série, sem estragar os seus alicerces básicos. E este é talvez, um dos melhores títulos da série.