Caçada Semanal #314

Costumo estar algo atento a jogos de simulação, já que entre jogos medianos e desinspirados lá vão surgindo algumas surpresas, por vezes de simulação de coisas e acções que nunca nos lembraríamos. Os 3 indies desta caçada são simuladores ainda em Early Access. Valerão a pena?

Instruments of Destruction [PC]

Temos tantos, mas tantos jogos à volta de construção que é uma valente surpresa encontrar algo que se foca no inverso: na pura destruição. A bem da verdade, mesmo Instruments of Destruction tem uma grande atenção à construção, mas, por força da ironia, o que construímos aqui não são edifícios, paisagens, ou cenários. Mas sim as formas de destruir tudo isto.

Com dois modos disponíveis, um em que vamos de ilha em ilha a cumprir missões e a desbloquear novos componentes para os nossos veículos, e um de sandbox onde construímos equipamento pesado e destruímos coisas a nosso bel-prazer.

Como dizia há pouco, a parte mais divertida e inspirada deste Instruments of Destruction é a de pegar nas peças que fomos desbloqueando e construir veículos que são verdadeiros – e não fosse o título mentir-nos – instrumentos de destruição. 

Visto que é um simulador de Física, a quantidade de componentes e o peso destes na montagem do veículo vão implicar na sua força destrutiva, inércia, mas também velocidade e aceleração. No modo “carreira” temos também de adicionar outra variável: o orçamento, e a capacidade de construir um veículo que seja eficaz a destruir o cenário que nos é atribuído, gastando o menos possível.

Com uma boa atenção ao detalhe nas sequências animadas e Física da destruição dos nossos objetivos, Instruments of Destruction, não sendo original no que se propõe (ainda o ano passado o André Marrucate escrevia sobre um jogo similar), foi uma agradável surpresa que nos desafiou durante horas, apesar de se notar que existe um caminho de desenvolvimento pela frente até sair do actual estado de Early Access.

 

Spaceflight Simulator [Switch, iOS, PC, Android]

Para o tempo que o Rui Parreira passa a falar de que escreve sobre a NASA e a ESA, vai-se a ver isto era jogo para ele e não para mim. Mas Spaceflight Simulator, recém-lançado em Early Accces no Steam pelo empreendimento solitário de Stefo Mai Morojna promete-nos um Kerbal Space Program depurado, sem a componente humorística.

Queria já, antecipadamente dizer que mesmo um jogo em alpha não deve ter botões no menu de modos que não estão disponíveis. Percebo a vontade do autor de demonstrar a quem investiu tão cedo no jogo do que se espera que venha a existir, mas há alguma frustração em ver botões de modos que não estão implementados.

Dito isto, a depuração de Spaceflight Simulator percebe-se logo no primeiro ecrã de jogo (lembrando que para além de PC, este jogo está disponível para mobile). Temos um fundo de desenho técnico que vai servir de mesa para a montagem do nosso foguetão.

À esquerda temos a lista de componentes, numa abordagem simples, directa e compreensível. Vamos adicionando as peças por ordem, com informações do jogo em termos de peso, eficácia e outras variáveis, recebendo informações do próprio jogo se o foguete tiver falta de uma parte importante, sem a qual não conseguirá ser propelido para o espaço.

Apesar de ser bastante simples (o momento da propulsão decorre num ecrã com um chão cinzento e um céu azul), é interessante perceber aos poucos a Física e a Engenharia necessárias para que os nossos foguetes percorrem as distâncias exigidas por cada missão, fora da órbita da Terra.

Spaceflight Simulator é uma versão depurada do que Kerbal Space Program já faz tão bem, e é aconselhado para quem gostou deste e quer apostar num título ainda e Early Access, apesar das suas óbvias limitações.

Highrise City [PC]

City builders. Sim, já todos sabem que são o meu calcanhar de Aquiles. Qualquer jogo que se assemelhe sequer a ter componentes de city building vai instantaneamente para o meu radar, e poucos têm conseguido destronar os grandes títulos do género que saíram na década passada.

Um desses casos em que bastou o nome para, cheio de pré-conceitos, adivinhar o tipo de jogo que se trata é Highrise City, um título indie que foi desenvolvido durante anos por apenas um criador, e só recentemente recebeu o suporte do estúdio alemão Deck13.

Os fundamentos de Highrise City são decalcados dos grandes nomes do género, permitindo-nos logo de início definir zonas na nossa cidade, umas dedicadas a habitação, comércio, entre outras. É na interligação destas zonas com as obrigatórias estradas (que serão, a médio prazo, uma dor de cabeça, graças aos engarrafamentos) que reside o desafio inicial de Highrise City.

Mas ao contrário de outros standards do género como City Skylines, em Highrise City adiciona-se uma componente económica, na qual necessitamos de madeira e restantes materiais para construir os edifícios, e de comida para alimentar a população. Se nos é permitido importar tudo isso, cedo a balança comercial começará a ficar desequilibrada e teremos problemas com o crescimento económico.

A criação de toda a cadeia de produção relembra muito uma das minhas séries favoritas: Anno. Aliás, Highrise City, apesar das muitas fragilidades e falta de polimento nesta fase de Early Access, relembra-me um Anno cruzado com SimCity, uma junção que à partida tem tudo para tornar este jogo um título do sucesso desta década. Aguardemos pelo lançamento final para perceber se este potencial se cumpre.