Certos jogos marcam períodos da nossa vida, não só por terem sido grandes obras primas como, e sobretudo, por serem os jogos que precisávamos de jogar durante esse tempo.

Guild of Dungeoneering foi um desses jogos para mim há uns anos e agora tenho a hipótese perfeita para lhe fazer um agradecimento por escrito.

Voltando a 2015 quando ouvi falar deste jogo pela primeira vez, era eu um mero jovem acabado de ingressar no mercado de trabalho e um dos desafios que me tinha sido proposto foi trabalhar em Madrid durante uns meses.

Lá fui eu com o meu fiel portátil pessoal que de potência tinha o mesmo que uma batata de 15 polegadas, o que me obrigou a ser extremamente minucioso com o jogo que  poderia instalar para ter um bom passatempo nos meus tempos livres que não tivesse a “framerate” de uma apresentação de Powerpoint.

Tem sempre um gosto especial ver a Guild a crescer com cada aventura bem sucedida!

Guild of Dungeoneering foi o vencedor dessa análise e foi a melhor escolha que podia ter feito. Tem o equilíbrio perfeito entre conteúdo bastante vasto para grandes sessões de jogo (“A.K.A” fins de semana chuvosos com uma caneca de chá quente) como também a jogabilidade por aventuras curtas de 10 minutos que permite fazer uma ou duas aventuras por dia de semana para relaxar de noite depois de jantar( que se pode traduzir naquele síndrome de só mais uma aventura até serem 5 da manhã  mas isso já tem que ver com gestão pessoal, que da minha parte falhou bastantes vezes e consequentemente deu me umas manhãs dolorosas)

E porque é que estou a falar de um jogo com 7 anos? Pois parece que lançaram esta nova edição do jogo com algumas melhorias e algum conteúdo novo que me fez voltar a 2015 e reviver esses meses interessantes pelas boas memórias deste jogo.

Agora o jogo em si. Guild of Dungeoneering encarrega-nos da gestão de uma guild de aventureiros que começa como suposto neste tipo de jogos com um só membro muito fraco e sem equipamento nenhum  que temos de ajudar a crescer explorando dungeons e recolhendo tesouros para melhorar as infraestruturas de forma a atrair mais aventureiros.

As dungeons começam vazias ou incompletas  e cabe-nos a nós construir turno a turno o layout completo  da mesma de forma a guiar o nosso dungeoneer ao tesouro ou aos inimigos. Quando digo guiar, é porque o nosso controle do personagem é só assim, por incentivos. Se quero que o aventureiro vá para um certo corredor em vez de outro que está cheio de inimigos, é melhor pôr um tesouro no corredor que ele vai para lá primeiro(uhh “shiny”!!!).

“Vou em direção ao minotauro ou ao tesouro?”

Caso o desgraçado vá de encontro a um inimigo, começa uma fase de combate em que se disputa com base em baralhos de cartas que cada um dos intervenientes tem à sua disposição .

Jogam-se cartas que podem ter ataque físico, ataque mágico, defesa física ou defesa mágica ou qualquer combinação das anteriores de forma a ganhar este jogo de pedra, papel ou tesoura e esgotar a vida do adversário sem que ele esgote a nossa primeiro.

Depois de derrotar um inimigo, podemos escolher uma peça de equipamento entre 3 ou mais aleatórios que nos vai dar cartas para o baralho de combate da personagem de forma a darmos mais habilidades mais poderosas para os combates futuros.

Rápido e eficaz creio ser a melhor forma de descrever esta mecânica de combate.

Se perdermos o combate, esse personagem morre e voltamos para a guild onde temos mais recrutas para levarmos a mesma dungeon para ver se tem um destino mais favorável que o anterior. Este é o loop básico do jogo, variado e muito viciante para quem gosta de desafios que exigem preparação e  um certo grau de estratégia na abordagem a cada nível das dungeons.

A componente visual também é bastante atrativa, com um estilo simples 2D com aparência de que foi desenhado num caderno de um adolescente aborrecido numa aula de de geografia. Dá quase vontade  de começar a desenhar bonecos extra e fazer expansões próprias para acrescentar o que me for passando pela cabeça.

No que toca ao som, o grande ponto positivo a meu ver é o narrador que vai fazendo comentários ao longo do jogo e fá-lo ao som de uma melodia medieval digna de um bardo sempre em rima (eu acho piada mas para aqueles que se irritam facilmente talvez seja melhor desligar o som do narrador antes de o ouvir a fazer pouco dos falhanços repetidos em rima durante os loading screens).

É um jogo que vale muito a pena porque apesar de ter passado entre os pingos da chuva, foi um jogo que sempre se destacou a meu ver por ter um conceito diferente do normal da altura que era o roguelike puro e conseguiu executar esse sonho sem falhas de forma a criar esta mini obra prima que agora é reeditada com mais conteúdo para até os mais veteranos de Guild of Dungeoneering podem explorar com deslumbre.