Sandes de Kaiju e Outras Piadas Más (com bons indies à mistura) – Parte I

Fui fazer uma pesquisa aqui no Rubber para ver quantas vezes comecei um artigo a lembrar que nos lê que gosto muito de tokusatsu. E são muitas vezes. Aqui fica mais uma: gosto muito de tokusatsu, o que inclui o subgénero kaiju, onde monstros gigantes (do qual o Godzilla é o mais famoso) atacam cidades ou outros monstros igualmente colossais.

Nos jogos de tabuleiro temos um famoso título vindo desse nome maior do game design que é o Richard Garfield, intitulado King of Tokyo (e/ou King of New York). 

Numa era em que os side scrolling beat ‘em ups estão a ter um fôlego redobrado com excelentes novos títulos e sequelas de clássicos a chegarem ao mercado, com uma grande receptividade, é interessante ver o estúdio canadiano 13AM Games e a WayForward a trazerem-nos uma adaptação kaiju ao género.

Nesta divertida reinterpretação dos side-scrolling beat ‘em ups com monstros gigantes a utilizarem arranha-céus como vulneráveis pilhas de embalagens num supermercado, cabe-nos a missão de derrotar as forças alienígenas invasoras que conquistaram a Terra. As forças de defesa do nosso planeta passaram décadas a estudar o inimigo, e ao bom estilo de Evangelion e de tantas outras séries que exploram a ameaça de inimigos titânicos, capacitaram-nos com os nossos próprios pesos-pesados para encetar o contra-ataque contra os Nephilim (qualquer comparação com os afamados Anjos de Hideaki Anno pode ou não ser mera coincidência).

O cel-shading de Dawn of Monsters traz toda a experiência e talento da WayForward para cima da mesa, com todo o jogo a assemelhar-se, até na paleta de cores e no alto-contraste, com uma série animada contemporânea.

Curiosamente, e para além de todos os elementos tradicionais dos side scrollers, Dawn of Monsters quase que nos faz mudar a perspectiva de jogo quando estamos nas boss fights. Entre conhecermos os padrões de ataque dos bosses e as suas capacidades, é como se a nossa postura – no crescendo épico da tensão entre derrotar os minions e o grande “chefe” – em que a postura passa quase para um fighting game com monstros gigantes (se Primal Rage vos vem à memória, não estranhem).

Como fã do género, sinto que Dawn of Monsters não só é respeitoso com o material no quase se inspira, como consegue servir como criativa homenagem ao género kaiju. Mais do que obrigatório para fãs de beat ‘em ups e de tokusatsu.