Vou apostar que clicaram por estar Dragon Ball no título. A perplexidade é a mesma quando pensamos há quantos anos Dragon Ball Xenoverse 2 vende que nem pãezinhos quentes.

Ah, e como eu adoro pão quente.

Lançado em 2016, Xenoverse 2 vai no seu sexto ano de vida. De acordo com a Bandai Namco, a aventura no multiverso dos Super Guerreiros ultrapassou os oito milhões de cópias vendidas em todo o mundo e plataformas. Continuava a ter alguma dificuldade em entender isto, mesmo após ter jogado quando saiu – lançado apenas um ano depois do primeiro Xenoverse, expandiu bastante a jogabilidade, longevidade e diversão do seu antecessor, até ao ponto de se estabelecer de pedra e cal no dia a dia dos fãs da série de Toriyama.

O que eu achava que ia acontecer a partir de 2018, quando Dragon Ball FighterZ recebeu críticas avassaladoramente positivas e gozou de grande popularidade até ao nível de esport, era que Xenoverse 2 iria desvanecer gradualmente.

Não aconteceu.

Xenoverse 2 era o único que mantinha o combate em 3D e os conceitos RPG e MMORPG, portanto os seus públicos não se canibalizaram. O que eu achava que iria depois acontecer a partir de 2020, quando Dragon Ball Z: Kakarot até foi bem recebido, era que Xenoverse 2 iria desvanecer gradualmente.

Não aconteceu.

Aqui já não sei bem explicar. O que sei é que Xenoverse 2 ainda apanhou o ciclo de vida de Dragon Ball Super na TV, pelo que houve DLC regular até 2018 quando a série terminou. Não condicionado aos acontecimentos de Dragon Ball Z ou GT, Xenoverse 2 seguiu a sua timeline alternativa até aos inícios de Super e o DLC foi avançando o resto. Houve packs lançados em 2017, 2018, 2019 e…2021. E desde Maio do ano passado sim, Xenoverse 2 tem estado parado. Acho que isso tem mais a ver com a falta de novos episódios do que com o jogo estar finalmente a falecer – se já depois do fim/hiato do anime em 2018 houve conteúdo após o filme Dragon Ball Super: Broly, podem crer que Dragon Ball Super: Super Hero vai motivar mais um pack depois deste Verão – e ninguém vai criar conteúdo para o jogo apenas com base no manga de Super, cuja timeline é alternativa à do anime.

Uma coisa tenho em comum com os personagens de Dragon Ball: o amor pela comida.

AH, POIS É, O PÃO QUENTE

Como o jogo tem seis anos achei que o contexto fazia falta. A verdade é que também eu fui um desses oito milhões que adquiriu o jogo, neste caso para a Switch, há uns dois meses. Em 2016 tive-o no PC depois de o arranjar “por aí” e os 9117 KM de viagem que fiz recentemente entre Lisboa e Malé (com o Dubai pelo meio) pareceram a desculpa perfeita para ter algo que fazer nas alturas.

Armei-me não só com a diversão idiota de Xenoverse 2 mas com um aclamado Hades e outro aclamado Disco Elysium, para variar o palato. Como já devem estar a adivinhar só toquei em Xenoverse 2. E sinto necessidade de explicar porquê. Que é provavelmente também o porquê deste jogo continuar na berra tanto tempo após ser lançado.

Zamasu é um dos mestres dos DLC, mas também pode ser enfrentado como inimigo nas expert missions.

Primeiro, há toda uma pujança RPG, esse género que continua a mover as maiores massas não-esport. Pelo meio de algumas missões principais onde a única coisa que fazemos é combater, rapidamente nos perdemos nas lições de todos os mestres de artes marciais cujas técnicas queremos dominar. Tendo jogado os outros dois AAA que referi acima, FighterZ só justifica maior longevidade numa lógica competitiva, e Kakarot segue pela enésima vez a narrativa de DBZ com muitas tarefas aborrecidas pelo meio. Ao passo que Xenoverse 2 continua estupidamente divertido no meio de tanta repetição, ao ponto que temos verdadeiras opções de personalização de personagens, das diferentes raças da série.

Segundo, essa pujança RPG fica-se pelo hub world em que escolhemos as várias missões e por actividades secundárias. Dragon Ball é acima de tudo sobre pancadaria e todos os jogos mais bem sucedidos da série fazem-nos passar a esmagadora parte do nosso tempo nessa actividade libertadora. Rapidamente dá para entrar e sair do jogo e nunca temos de perder tempo entre missões principais ou secundárias – estamos sempre a combater, pelo meio do plantel interminável de personagens e pelo não menos interminável desfile de conteúdo.

Terceiro, temos o nosso próprio personagem. E podemos ter mais do que um. No final é a cereja no topo do bolo de como a maioria das pessoas acredito quer vivenciar a experiência de Dragon Ball – há algo de deliciosamente infantil de sermos integrados dentro deste universo.

Qualquer coisa de instintivo que me atrai a DBXV2.

Normalmente faz-se a piada de algo estar acima de 9000 unidades em Dragon Ball. Os 9117 KM que percorri pelos ares justificam a recorrente piada. Dobrem isso e quase que chegou para correr a história principal toda, embora tenha feito todo o conteúdo opcional que me ia aparecendo pelo meio. Só não previ algum do cansaço e as muitas sestas em avião e aeroporto às quais sucumbi, mas nunca foi por me ter aborrecido.

Tal como em vez de 9000 ainda acho que será batida a barreira dos nove milhões, mesmo com Dragon Ball: Breakers aì à porta. Se o anime voltar para lá dos filmes em breve, podem bem esperar que o conteúdo continue – só é pena que para adquirir todo o DLC actual sem descontos, já se tenha de passar a fasquia dos 100 euros além do preço base do jogo.

Enquanto forem vivos aqueles que não perdiam o próximo episódio, a Bandai Namco também não perderá as nossas carteiras.