Com o nome de estúdio Roll7, e com a série Ollie Ollie a fazer as delícias dos jogadores que gostam de skates com uma grande dose de puzzles, Rollerdrome é um inesperado, ainda que familiar evolução do trabalho do estúdio. Mantém-se tudo sobre rodas, mas troca os puzzles pela ação e a forma mais fácil de o descrever é referir que parece o Tony Hawk Pro Skater mas com pistolas na mão. E em vez do skate, utiliza um par de patins, que justifica a maior mobilidade da protagonista enquanto salta, executa manobras radicais e ao mesmo tempo “saca” uns headshots nos inimigos.

É um mix curioso, pois o jogo obriga não só a manter-se em constante movimento, para fugir aos ataques dos inimigos, como obrigatoriamente a executar manobras radicais, pois é a forma utilizada para recarregar as armas. Os inimigos estão colocados no mesmo local, estrategicamente no cenário, funcionando como obstáculos que tentam impedir a personagem de alcançar os seus objetivos. 

O melhor é que o estúdio mantém a filosofia de entregar um jogo com uma jogabilidade acessível, muito simples de começar a jogar, mas muito desafiante e difícil de dominar. E isso é notado em duas vertentes: a primeira é que para terminarem os níveis têm de eliminar todos os inimigos presentes no cenário. Estes são peças fixas que estão presentes para nos tentar alvejar no seu campo de ação, sejam tipos com bastões em ataques melee, snipers que apontam a grande distância, lança mísseis e granadas, entre outros inimigos com armaduras e cada vez mais fortes que vão sendo introduzidos. 

Todos requerem formas diferentes de atacar e é preciso esquivar no timing correto para melhor performance. Ao eliminar os inimigos, estes deixam energia para recolher. E isso faz com que a experiência seja um autêntico bailado radical, repleto de estilo. E é estupidamente divertido e frenético.

O segundo aspeto principal é que tal como Ollie Ollie World ou mesmo os jogos de Tony Hawk, cada nível apresenta uma lista de objetivos e desafios para executar, sejam formas distintas de matar inimigos, recolher os itens colecionáveis no cenário ou executar determinadas manobras radicais. Para desbloquear o nível seguinte há que finalizar o número pedido de objetivos. Por isso, o jogo convida a repetir os níveis para se focarem nos objetivos, e mesmo que morram, tudo o que completarem fica registado, tal como Ollie Ollie World. 

A jogabilidade é um dos melhores aspetos do jogo, havendo grinds em ferros, a possibilidade de deslizar pelas paredes, executar flips e rotações, tudo misturado com muita ação. E não precisam de se preocupar em aterrar, pois o jogo dispensa espalhanços de manobras mal executadas. O jogador tem outras preocupações a ter em conta. 

Em termos de contexto narrativo, o jogo coloca-nos em 2030, na pele de Kara Hassan, uma nova skater participante num desporto brutal deste mundo futurista distópico. Os participantes são colocados numa arena de combate e têm de sobreviver com os seus skills, e claro a protagonista tem de ser a nova campeã da temporada. A história é contada entre a ação, explorando os balneários e outras áreas da arena, mas podem simplesmente seguir para a próxima etapa de imediato. 

Apesar de toda a jogabilidade levar a entender que o jogo tem uma vertente multijogador, a campanha é totalmente a solo. Os combos de eliminação multiplicam a pontuação e manter a cadência é um dos desafios divertidos. Tanto a sensação de disparo como a jogabilidade das manobras radicais são excelentes, tornando este título divertido e frenético. A possibilidade de colocar a ação em câmara lenta, lembrando o Matrix é mais um elemento bastante satisfatório. 

A arte visual funciona muito bem, recorrendo a um estilo de cel shading próximo de banda desenhada, muito colorida e detalhada. Os ambientes têm temas retro futuristas que encaixam muito bem na temática do jogo, juntamente com uma batida musical que lembra os anos 1970. 

Rollerdrome é divertido e frenético, mantendo a linha de qualidade que a Roll7 já nos habituou, misturando elementos de ação, puzzles, assim como uma variedade interessante de manobras radicais, numa jogabilidade coerente e bem-pensada. Fácil de pegar e jogar, mas mais complexo de dominar, esta proposta vale bem a pena de experimentar.