Nos últimos anos tenho estado especialmente atento ao mercado dos chamados cozy games. Apesar de Potions: a Curious Tale não ser o primeiro jogo a trazer um ambiente mais casual e uma protagonista bruxinha em união, há aqui neste jogo desenvolvido pela solo developer Renee Gittins um foco maior em criar uma aventura mais simples e relaxante.

Potions: a Curious Tale é uma aventura de fantasia com um grande foco na componente de crafting, especialmente na concepção de poções. São estas, aliás, o ponto central de todo o jogo, e não apenas no título.

Este é um jogo indie com uma direcção de arte interessante e fruto do labor de 9 anos de uma criadora, mas que infelizmente, para mim, não atinge um loop mecânico interessante no mesmo patamar de outras propostas mais cozy que nos têm chegado.

A nossa protagonista, Luna, uma jovem aprendiz de feiticeira com especialização em poções – quem sabe se num eventual crossover ela tenha sido aluna de Horace Slughorn ou de Severus Snape – tem de responder a todos os desafios do jogo com a sua criação.

Talvez o elemento mais interessante deste jogo casual e acessível é a forma como nos impele a experimentar com ingredientes e a encontrar e descobrir novas receitas. A falta de encaminhamento do jogo obriga-nos a atirar para o caldeirão os ingredientes que vamos encontrando na esperança de descobrir uma nova fórmula.

Sendo um jogo com um combate muito simples – e que é resolvido, espantemo-nos, com as titulares poções, atirando-as aos inimigos e bosses – a exploração dos diversos biomas serve sobretudo para encontrar novos ingredientes, e usá-los no nosso caldeirão para a concepção de novas poções.

O único problema do sistema hands-off que este Potions: a Curious Tale tem é que nos obriga  a fazer piscinas entre os biomas e o nosso caldeirão, sempre que nos faltam os ingredientes, gastos na nossa experimentação de novas receitas.

Somemos a isto o reduzido ou inexistente volume de informação sobre alguns ingredientes necessários a poções ligadas à quest principal, e cedo percebemos que grande parte da exploração remete a andar perdido de um lado para o outro. Cenário dificultado pela falta de mapa em qualquer zona do jogo.

A simplicidade do jogo revolve também em torno dos simples puzzles ambientais onde não perderemos muito tempo a resolver cada um dos seus suaves quebra-cabeças.

Com diálogos ao estilo de visual novel, a história de Potions: a Curious Tale é doce, e vai incorporando histórias e personagens de contos de fadas à narrativa principal.

Potions: a Curious Tale, do estúdio Stumbling Cat, é uma relaxante história onde a mecânica de criação de poções é o elemento mais interessante, ainda que muitos outros títulos, como Potion Permit e Potion Craft, já a tenham apresentado de forma mais memorável.